Em 2030, indústrias de plástico emitirão mais gases de efeito estufa do que usinas de carvão nos Estados Unidos

Em 2030, indústrias de plástico emitirão mais gases de efeito estufa do que usinas de carvão nos Estados Unidos

No próximo domingo líderes mundiais se reunirão em Glasgow, na Escócia, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP26, para discutir maneiras de combater a crise climática e reduzir as emissões de carbono individuais e globais e assim, tentar frear os efeitos catastróficos do aquecimento da atmosfera da Terra, que já podem ser sentidos através dos chamados extremos climáticos, como ondas de calor extremo, secas históricas, incêndios florestais, enchentes e tempestades. Mas grande parte do foco dos debates se concentra na transição energética dos combustíveis fósseis para fontes renováveis, todavia, um novo relatório ressalta também um assunto que precisa ser falado com urgência: a produção de plástico.

De acordo com o estudo apresentado pelos pesquisadores do projeto Beyond Plastics, do Bennington College, dos Estados Unidos, em 2030, a indústria de plásticos americana liberará mais emissões de gases de efeito estufa do que a de carvão.

Ao analisar os estágios de produção, uso e descarte de plásticos naquele país, o levantamento revela que os fabricantes de plástico emitem pelo menos 232 milhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano, o equivalente a 116 usinas termoelétricas a carvão de porte médio. Só no ano passado, as emissões do setor plástico aumentaram em 10 milhões de toneladas em relação a 2019.

E para piorar ainda mais este cenário, estão em andamento obras para a construção de mais doze fábricas de plásticos nos Estados Unidos e outras quinze em fase de planejamento: no total, essas expansões podem emitir mais de 40 milhões mais toneladas de gases de efeito estufa anualmente até 2025.

Já em 2017, tinhamos falado sobre isso aqui no Conexão Planeta. Naquele ano, o Center for International Enviromental Law (CIEL) alertou que as indústrias petrolíferas estavam fazendo um investimento bilionário em novas fábricas de plástico em território americano.

“A indústria dos combustíveis fósseis está perdendo dinheiro com seus mercados tradicionais de geração de energia e transporte. Com isso, está construindo novas fábricas em um ritmo impressionante para que possa despejar seus petroquímicos em plásticos. Este aumento da petroquímica está cancelando outros esforços globais para desacelerar a mudança climática ”, afirma Judith Enck, presidente da Beyond Plastics.

“Este relatório representa o chão, não o teto, do impacto climático da indústria de plásticos dos Estados Unidos ”, alerta Jim Vallette, presidente da Material Research e o autor principal do estudo. “As agências federais ainda não contam muitas emissões porque a legislação atual não exige que a indústria as relate. Por exemplo, nenhuma agência rastreia quanto gás de efeito estufa é liberado quando o lixo plástico é queimado em fornos de cimento, nem quando o metano vaza de uma planta de processamento de gás, nem quando o gás fraturado é exportado do Texas para fazer plásticos de uso único na Índia”.

Além da emissão de gases de efeito estufa, a produção insustentável de plástico contribui para a poluição da água, do ar, do solo e já traz impactos incalculáveis para a vida selvagem e também, para comunidades de baixa renda e comunidades de cor.

“A escala das emissões de gases de efeito estufa da indústria de plásticos é impressionante, mas é igualmente preocupante que poucas pessoas no governo ou na comunidade empresarial estão sequer falando sobre isso. Isso deve mudar rapidamente se esperamos permanecer dentro do aumento de temperatura global de 1,5 ° C que os cientistas identificaram como fundamental para evitar os impactos mais devastadores das mudanças climáticas ”, ressalta Judith Enck.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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