Ecosia: a plataforma de busca que já plantou mais de 112 milhões de árvores pelo mundo

Você já contou quantas vezes por dia faz buscas no Google? Consegue imaginar que suas pesquisas podem resultar em plantios de árvores pelo país ou pelo mundo? Pois é justamente essa a proposta da plataforma de busca Ecosia, startup criada pelo alemão Christian Kroll em 2009.

“Quando criei a Ecosia, queria plantar milhões de arvores, não ganhar milhões de euros”, declara ele. Não é á toa que o slogan da plataforma enfatiza isso: “Você pesquisa na web, nós plantamos árvores”.

Durante o encontro Web Summit de 2018, evento que reúne representantes de venture capital, Kroll (de camiseta branca e barba, an foto acima) revelou, ainda mais claramente, suas intenções “Estamos tentando redefinir os negócios. Estudei administração e ouço as pessoas dizerem que negócios só existem para maximizar o lucro. Discordo”.

Mas, para incentivar o plantio de árvores, não basta apenas usar o buscador. O usuário precisa adicionar a Ecosia ao seu navegador e clicar nos anúncios exibidos numa de suas páginas. Só assim, a plataforma ganha dinheiro e parte dele é direcionada para plantar árvores em locais devastados do planeta.

Em seu site, também convida os usuários que têm iPhone a fazer da Ecosia seu navegador padrão.

Como e onde são feitos os plantios

Agricultor na Colômbia / Foto: Divulgação

O processo de arrecadação e uso do dinheiro é bastante transparente. Mensalmente, o Ecosia publica relatórios financeiros para dar conta de quanto dinheiro ganhou com as pesquisas e a porcentagem direcionada para o plantio de árvores.

De acordo com o site, os proprietários não recebem dividendos e todo o lucro é reaplicado no projeto, seja em ações de restauração vegetal ou no aprimoramento do trabalho.

Até agora, a plataforma incentivou ações de reflorestamento em países como o Senegal, Peru, Colômbia, Uganda, Burkina-Faso, Indonésia Austrália, Tanzânia, Etiópia (foto que ilustra este post), Espanha, Madagascar, Quênia, Uganda (onde tem parceria com o Instituto Jane Godall), Índia e Brasil, entre outros, veja aqui.

Agricultores na Tanzânia – Foto: Divulgação

Vale acompanhar o canal de notícias do site, que atualiza seus usuários sobre o que acontece nos países apoiados pelo projeto.

De acordo com dados divulgados pela equipe do Ecosia, o mundo tem cerca de 4 trilhões de árvores (certamente um pouco menos devido a tantos incêndios florestais que ocorreram este ano na África, na América do Sul – Brasil, em especial – e na Califórnia), e há espaço para, pelo menos, mais um trilhão, pelo menos.

Até o final de 2019, a empresa já havia plantado mais de 73 milhões de árvores. Agora, como aponta a home do site, já são mais de 112 milhões.

Agricultora no Peru – Foto: Divulgação

Levando em conta o estudo realizado sob a liderança do pesquisador brasileiro Bernardo Strassburg, diretor executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS) e professor no Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio, que aponta que restaurar 30% das áreas degradadas no mundo pode salvar 70% das espécies em risco de extinção e absorver quase metade do carbono da atmosfera, a Ecosia e seus usuários estão contribuindo para a conservação da natureza e o combate às mudanças climáticas.

No Brasil, restauração da Mata Atlântica

Foto: Divulgação / Mudas da Mata Atlântica

Por aqui, as ações de restauração estão sendo realizadas na Mata Atlântica, como Kroll explica no vídeo que você pode assistir no final deste post.

Sobre o Brasil, em agosto deste ano, o site destaca os incêndios florestais, contando que, “graças ao aumento de usuários após a devastadora temporada de incêndios de 2019, conseguimos financiar mais 3 milhões de árvores na Mata Atlântica do Brasil. Dessas árvores, 1,7 milhão já foram plantadas. As demais serão plantadas no final deste ano com algum atraso, devido às medidas de bloqueio da COVID-19”.

O Ecosia declara também que investiu cerca de 318.712 euros (ou 2.149.375,52 reais) no combate a incêndios, o que ajudou a salvar cerca de 3 milhões de árvores desde meados de 2018. Mas não fala apenas da contribuição que os usuários podem dar por intermédio de suas ações.

Incentiva os usuários a apoiar ONGs locais “que protegem as florestas e grupos indígenas, que são os guardiões das florestas tropicais remanescentes do mundo”, pois “a verdadeira mudança virá apenas de uma mudança sistêmica”.

Fala dos parlamentares – “responsabilize seus políticos” – e da responsabilidade da União Europeia e dos Estados Unidos em eterniza a devastacao ambiental por meio de suas compras, dizendo que ambos “são os maiores compradores brasileiros de carne, madeira e produtos de soja. Exija que seus líderes usem esse poder de barganha para importar apenas produtos que respeitem as pessoas e a natureza”.

E acrescenta: “Mas talvez a pressão sistêmica mais urgente que podemos esperar exercer agora seja fazendo campanha contra a assinatura do acordo comercial UE-Mercosul. Este acordo entre a UE e seis países latino-americanos, incluindo o Brasil, reduziria significativamente as tarifas de carne bovina, soja e madeira. Em sua forma atual, sem restrições quanto à procedência desses produtos, esse acordo alimentaria a destruição da Amazônia”.

Carbono neutro, só, não! Carbono negativo!

Usina solar em Aue / Foto: Divulgação

“Como produzimos nossa própria eletricidade solar e também devido ao fato de utilizarmos nossos lucros para plantar árvores, que são sequestradoras de CO2, a Ecosia não é apenas ‘neutra em carbono’, mas suas pesquisas removem ativamente o CO2 do ar”, diz o site.

Ao mesmo tempo, destaca que isso não é o suficiente: “Em 2020, queremos ser a primeira empresa a produzir duas vezes mais energia solar do que precisamos para alimentar todas as pesquisas Ecosia. Dessa forma, estamos eliminando ativamente a energia suja da rede”.

E acrescenta: “Ser neutro em termos de CO2 é bom; ser CO2 negativo é melhor”. Suas usinas solares estão localizadas em Aue (531kWp), na foto acima, e em Schinne (199kWp), no estado da Saxônia.

A empresa ainda chama a atenção para o fato de que os servidores usam muita energia: “Se a Internet fosse um país, estaria em 3º lugar no mundo em termos de consumo de eletricidade”.

Por isso, Kroll e a equipe da Ecosia consideram que as empresas que atuam com internet têm grande responsabilidade e precisam cuidar de sua pegada ecológica, “adotando energias alternativas e renováveis. Com nossa nova política de energia verde, esperamos liderar o caminho”.

Alguma dúvida de que é melhor fazer buscas e pesquisas na Ecosia?

Foto (destaque): Divulgação (agricultoras na Etiópia)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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