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Economia solidária: incubadoras universitárias debatem desafios e perspectivas no cenário político atual

Salvador, capital da Bahia, sedia, de 31/8 a 03/9, o VI Congresso Rede ITCPs, cujo tema será A incubação em economia solidária ressignificando a relação entre ensino, extensão e pesquisa – práticas, perspectivas e os desafios do atual cenário político.

O evento reunirá estudantes, pesquisadores(as), trabalhadores(as), professores(as) e gestores(as) do campo da economia solidária, e acontecerá em formato híbrido – será possível participar presencialmente, na Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e virtualmente de todo o país.

O Congresso é uma realização da Rede Universitária de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (Rede ITCPs) e da Associação de Apoio à Rede ITCPs.

Universidades e economia solidária

A contribuição de incubadoras universitárias à estruturação da economia solidária nos territórios tem sido muito significativa ao longo dos anos. Em 1996 surgiu a primeira ITCP, a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da COPPE/UFRJ.

O início da década de 1990, quando o Brasil vinha ainda em um processo de consolidação da democracia após 21 anos de regime militar, foi marcado por crises econômicas e políticas.

Houve uma efervescência de movimentos sociais e, em 1993, Herbert de Souza, o Betinho, lançou o programa Ação Cidadania, cujo objetivo era mobilizar a sociedade para a solução dos problemas da fome e da miséria. A iniciativa deu origem a comitês de entidades no combate à fome e pela vida em todo o país.

No Rio de Janeiro, o comitê era composto por 30 entidades, dentre elas a COPPE/UFRJ. Em 1995, o comitê do Rio apoiou a criação de uma cooperativa de trabalhadores na favela de Manguinhos, junto com a Fiocruz e a COPPE/UFRJ.

A partir dessa experiência, surge uma proposta de inovação na abordagem da extensão universitária, cujo objetivo era reorientar trabalhos de incubação de empresas para cooperativas populares como estratégia de transferência de tecnologia e conhecimento, com foco na geração de renda e combate à pobreza.

Todas essas informações e a trajetória das ITCPs no país estão consolidadas no trabalho de Leonardo Félix Machado, realizado no âmbito da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, que pode ser acessado aqui.

A Rede de ITCPs e a extensão universitária

De todas as áreas de atuação das universidades, a extensão é a que se aproxima mais do dia a dia das pessoas e da contribuição direta para as comunidades. Historicamente, o setor acadêmico tem participado de forma ativa do fomento, incentivo e apoio ao desenvolvimento da economia solidária no país.

A Rede Universitária de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (Rede de ITCPs) é composta por 41 incubadoras, cujo objetivo é apoiar a formação e consolidação de empreendimentos de economia solidária, além de prestar assessoria de formação a grupos já consolidados.

Foi criada em 1998, inicialmente com incubadoras de seis universidades: UFRJ, UFC, USP, UFPR, UNEB e UFRPE. E hoje é composta por cerca de 200 docentes/pesquisadores, 750 estudantes e 200 técnicos de nível superior, que atuam conjuntamente nas ITCPs.

De acordo com informações da Rede, cerca de 330 grupos encontram-se sob incubação, o que representa um universo de 4.500 trabalhadores e trabalhadoras vinculados a esses grupos.

A Rede se articula em torno de processos educativos para a cooperação e a autogestão. As ITCPs se estruturam internamente às universidades, na forma de projetos, programas permanentes ou até mesmo órgãos institucionais.

Sua finalidade última é dar suporte à formação e desenvolvimento de cooperativas populares e outros modos de articulação da economia solidária, como empresas recuperadas autofgestionadas, bancos comunitários, redes solidárias de produção e/ou comercialização etc.

Estimulam um empreendedorismo marcado pela igualdade e solidariedade entre os membros e pela autogestão dos empreendimentos. E nos fazem pensar no papel que as universidades podem e precisam ter no fomento de um mundo melhor.

Para saber um pouco mais sobre essa relação entre universidade e economia solidária, indico alguns textos que publiquei aqui, no Conexão Planeta, sobre o tema:
Em ebook, a economia solidária e o desenvolvimento sustentável por três universidades
Livro reúne experiências de redes de economia solidária
Universidades recebem recursos para incentivar economia solidária

Edição: Mônica Nunes

Foto: Mikaala Shackelford/Unsplash

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