“É tempo de parar”: em vídeo inspirador, Portugal convida turistas a ficarem em casa

A pandemia do coronavírus – e a quarentena mundial por ela provocada – está revelando a essência da humanidade. A sinceridade e o que vai pela alma nunca estiveram tão à superfície, sem disfarces. A solidariedade e o egoísmo brotam, sem controle.

Mas ainda bem que a consciência de que precisamos nos isolar para não sermos dizimados por esse vírus veloz tem predominado. E também revelado iniciativas como a campanha linda do Turismo de Portugaldepartamento “integrado ao Ministério da Economia, responsável pela promoção, valorização e sustentabilidade da atividade turística” -, lançada em março: Can’t Skip Hopeou “não podemos perder a esperança“, em tradução livre. Que tem hashtag nas redes sociais: #CantSkipHope.

Nela – que se resume a um vídeo, por ora -, o governo faz um convite para que os turistas do mundo inteiro fiquem em casa e não visitem o país. Uma mensagem na contramão do que diz sua premiada campanha anterior – Can’t Skip Portugal ou “não se esqueça de Portugal”, em tradução livre -, mas absolutamente alinhada com o espírito do tempo. #CantSkipPortugal

A nova campanha transforma a mensagem de 2017 para adaptá-la ao momento de incerteza em que vivemos. É uma mensagem de esperança.

Tendo como “pano de fundo” uma seleção de belíssimas imagens de Lisboa, Porto, Nazaré, Alentejo, Fátima, Algarve e Açores, o narrador diz que “É tempo de parar, tempo de olhar uns pelos outros à distância, tempo de olhar a humanidade nos olhos, de fazer uma pausa, pelo mundo”.

O texto é poético, o ritmo é tranquilo. Desacelera. “É tempo de parar. Tempo de fazer um intervalo para depois voltarmos a nos divertir. De pensar em todos e não estar com ninguém. Reiniciar. Recentrar. Desligar para seguir em frente. Tempo de mudar nosso pequeno mundo, para recalibrar o caminho da humanidade”.

Um amoroso relato do que estamos vivendo, com um olhar tranquilo para o isolamento em toda sua potência, valorizando a interrupção de todos os nossos compromissos e vícios, do ritmo que vínhamos imprimindo à vida: nossa e de todos à nossa volta.

Quem poderia imaginar que, um dia, o departamento responsável por promover o turismo em um país, diria ao mundo: não venha nos visitar, não venha nos conhecer, fique aí, onde você está porque este é “o momento perfeito para não visitar lugar algum“.

Perfeito. Não há nada diferente que possa ser dito, agora. Inclusive para que esse trabalho possa ter continuidade. Mas de um outro jeito porque, com certeza, não sairemos desta pandemia iguais. E a natureza estará fortalecida, onde a quietude foi respeitada.

“É tempo de parar.
Fomos feitos para estarmos juntos e juntos somos mais fortes.
Mas hoje, separados, estamos mais unidos do que nunca.
Por agora, a nossa principal força está em ficarmos distantes.
É tempo de parar.
Natureza, praias, paisagens não vão a lugar algum.
Vão ficar ali, quietos, à espera de um momento melhor para serem vividos.
E nós devemos fazer o mesmo durante algum tempo.
É tempo de parar.
O momento perfeito para não visitar nada. Às vezes, para nos erguermos basta ficarmos parados.
É tempo de parar.
Parar e pensar em nós, pensar em todos.
É tempo de parar.
De nos reorganizarmos como um todo. Por todos.
É tempo de entender e respeitar os nossos tempos.
Respeitarmo-nos uns aos outros.
Quanto mais rápido pararmos, mais cedo voltaremos a estar juntos.
É tempo de sonhar com aqueles dias incríveis que virão.
E, quando esses dias chegarem, voltaremos a dizer: visite Portugal”.

Não visite Portugal. Não visite lugar algum. Sigamos, por ora, alimentados pela esperança e pelo desejo de sairmos desta logo e bem, sem grandes expectativas. O caminho para a recuperação vai ser longo, e podemos começar já a germinar novos planos nesse sentido – tanto para quem trabalha com turismo como para quem usufrui dele.

Ah, sim… antes de começar o filme, legendas avisam que as fotos foram feitas quando ainda podíamos “passar o tempo na rua”, e que o narrador gravou o texto em seu smartphone. Portanto, sem qualquer contato físico entre os envolvidos.

Agora, assista ao filme inspirador

Fotos: reproduções do vídeo

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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