“É difícil ler as manchetes – inundações, incêndios, fome – e dizer aos filhos que está tudo bem. M… não está tudo bem”, desabafa Harrison Ford

Esta não foi a primeira vez que o ator e ambientalista americano Harrison Ford fez um discurso forte e contundente. No ano passado, disse que “Nossa maior ameaça não é a crise climática. Mas as pessoas que estão no poder e não acreditam na ciência”. Há poucos dias, durante a abertura do Congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), realizado em Marselha, na França, ele voltou a arrancar aplausos do público. Durante cinco minutos, falou com muita honestidade e demonstrou toda sua frustração perante o momento que vivemos.

Ford começou sua fala mencionando que a última vez que tinha encontrado o presidente francês Emmanuel Macron, presente no evento, foi em 2019, quando a Floresta Amazônica estava sendo devastada por incêndios e o país europeu ofereceu ajuda financeira ao Brasil para controlar as chamas. Logo em seguida, ele citou as previsões sombrias divulgadas pelos cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) em relação ao aquecimento global (leia mais sobre o relatório aqui).

“Os últimos anos não foram fáceis. É difícil. É difícil se dedicar a uma causa que é tão urgente e não ser capaz de fazer a tração necessária para realizar a mudança que é absolutamente necessária. É difícil ver o aumento do nacionalismo diante de uma crise que precisa de cooperação global, ação global”.

E em seguida, o ator não conseguiu esconder sua emoção.

“É difícil ler as manchetes – inundações, incêndios, fome, pragas – e dizer aos seus filhos que está tudo bem. Não está tudo bem… M… não está tudo bem!”

Sob aplausos, ele continuou:

“É normal sentir frustração, ansiedade, luto. Mas não fuja. Grite por justiça. Justiça pela mãe natureza. Por justiça social. Por justiça social para os povos indígenas. Por comunidades marginalizadas. Para todos os habitantes do planeta. A Terra tem ecossistemas insubstituíveis ricos em carbono e biodiversidade. Com a preservação de apenas um pequena fração de áreas de mangues, restingas, florestas tropicais, podemos proteger nossa vida selvagem, nosso ar, água, alimentos, empregos e clima”.

Mais ao final, Ford, que ocupa o cargo de vice-presidente do conselho da organização Conservation International, lembrou a todos que não temos mais tempo a perder.

“Temos a ambição de encontrar soluções perfeitas, políticas perfeitas. Mas ninguém mais tem tempo para esse tipo de luxo. Precisamos trabalhar e fazer com o que as coisas aconteçam. Que aconteçam agora!”.

Abaixo, o vídeo em inglês, com o discurso completo – e imperdível -, de Harrison Ford:

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Foto: reprodução vídeo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em ““É difícil ler as manchetes – inundações, incêndios, fome – e dizer aos filhos que está tudo bem. M… não está tudo bem”, desabafa Harrison Ford

  • 13 de setembro de 2021 em 12:22 PM
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    Harrison Ford que nos emociona atuando em seus filmes, em seu melhor papel de amigo e pai da Natureza. Realmente não podemos dizer aos filhos que está tudo bem, mas podemos lhes informar que alguns heróis, como você, estão tentando.

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