“É assim que a nossa história vai acabar? A nossa motivação não deve ser o medo, mas a esperança”, diz David Attenborough a líderes mundiais

"É assim que a nossa história vai acabar? A nossa motivação não deve ser o medo, mas a esperança, diz David Attenborough a líderes mundiais, na abertura da COP-26

Diante dos presidentes e primeiros-ministros das maiores potências globais, como Joe Biden, Boris Johnson, Angela Merkel e Justin Trudeau, o naturalista britânico David Attenborough fez um discurso apaixonado e enfático nesta segunda-feira (01/11), durante a abertura da Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP26, em Glasgow, na Escócia.

Na semana passada, o apresentador de alguns dos documentários internacionais mais famosos sobre a vida selvagem, o planeta e as alterações no clima da Terra, já tinha afirmado que “os países ricos tinham uma responsabilidade moral em ajudar os mais pobres a enfrentarem a crise climática. Mas hoje, frente a frente com os líderes dessas nações, ele foi ainda mais direto e incisivo. Cobrou compromissos dos governos que realmente resultem na redução das emissões de carbono e com isso, diminuir a concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera terrestre.

Ao falar com a plateia, usando um vídeo mostrando tanto destruição, como a riquíssima biodiversidade do nosso mundo, Attenborough questionou a todos:

“É assim que a nossa história vai acabar? Um conto da espécie mais inteligente condenada por aquela característica tão humana de não conseguir enxergar o cenário completo porque está em busca de objetivos de curto prazo?”, perguntou. “Talvez o fato de que as pessoas mais afetadas pela mudança climática não sejam mais uma geração futura imaginada, mas sim jovens vivos hoje, talvez isso nos dê o impulso de que precisamos para reescrever nossa história. De transformar esta tragédia em triunfo. Pois apesar de tudo, nós somos os maiores solucionadores de problemas que já existiram na Terra”.

Attenborough acredita que já entendemos qual é o problema e temos as soluções para enfrentá-lo. Que a natureza é nossa aliada e ao restaurá-la, será possível aumentar a captura de carbono e trazer de volta o equilíbrio ao planeta.

“Precisamos usar essa oportunidade para criar um mundo mais igualitário. E a nossa motivação não deve ser o medo, mas a esperança. Tudo se resume a isso: as pessoas vivas agora e a geração futura olharão para esta conferência e considerarão uma coisa – o número [da concentração de carbono] parou de aumentar e começou a cair como resultado dos compromissos assumidos aqui? Há todos os motivos para acreditar que a resposta pode ser sim. Se trabalhando separados, somos forças poderosas o suficiente para desestabilizar nosso planeta, certamente trabalhando juntos somos poderosos o suficiente para salvá-lo”.

Com 95 anos, Attenborough destacou que durante a vida, ele presenciou um declínio trágico da vida na Terra, mas que nos próximos anos, é possível ver uma recuperação maravilhosa. “Essa esperança desesperada é a razão pela qual o mundo está olhando para vocês e porque vocês estão aqui”.

Abaixo, o discurso completo de David Attenborough, em inglês:

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Foto: Karwai Tang/ UK Government/COP-26/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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