E afinal, bico-de-agulha é beija-flor ou não é?

E afinal, bico-de-agulha é beija-flor ou não é?

A primeira vez que vimos este passarinho pensamos, como muita gente, tratar-se de um enorme beija-flor. Tem tudo a ver: bico comprido, penas multicoloridas em tons que vão de verde a azul e amarelo, em escalas cromáticas iridescentes e metálicas. Lá em 2011, na primeira expedição da Roda de Passarinho ao Pantanal, a gente aprendeu um bocado.

Na mochila, o Guia das Aves do Pantanal & Cerrado da querida Martha Argel mostrou muito mais do que a identidade das aves. Revelou, por exemplo, que as águas do Pantanal vêm do Cerrado, o que pouca gente se dá conta. Sem esse fluxo anual, rico em nutrientes, o Pantanal seria uma grande extensão de campos e savanas, não muito diferente do Cerrado.

Acontece que a agricultura que se pratica neste último bioma, com aplicação maciça de herbicidas e fertilizantes químicos, além da erosão, afeta a qualidade da água na planície pantaneira e já existem trechos que estão morrendo, como mostramos no vídeo do Seu Ruivaldo.

Bom, de volta ao nosso enorme “beija-flor”. Aprendemos com o guia da Martha que ele pertence à pequena família Galbulidae e não, não é um beija-flor, que pertence a outra família científica, a dos Trochilidae. Apesar disso, no Brasil, o bico-de-agulha recebe uma porção de nomes associados a ele: beija-flor-grande, beija-flor-d’água, beija-flor-da-mata-virgem, beija-flor-do-mato-virgem, chupa-flor-do-mato-virgem, bico-de-agulha, ariramba-de-cauda-castanha, ariramba-do-mato, bico-de-agulha-de-rabo-vermelho, bico-de-sovela, cuitelão, fura-barreira, fura-barriga, guainumbi-guaçu, sovelão e barra-do-dia.

Exímio caçador, o bico-de-agulha captura desde abelhinhas e libélulas a grandes mariposas em voos curtos, com grande destreza e velocidade.

Cava ninhos em galerias estreitas e compridas nas barrancas de rios, em cupinzeiros arborícolas ou nos torrões de terra presos nas raízes de árvores tombadas, vindo daí o nome fura-barreira. O casal permanece junto por um ano e ambos chocam até quatro ovos por ninhada.

Ocorre em boa parte do Brasil, nas áreas florestadas e secas, nos ambientes mais adensados, especialmente em suas bordas e clareiras. É raro na região sul do Brasil e some completamente ao redor das cidades. Além das cores e hábitos marcantes, outra característica especial é o canto – ouça neste link.

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E se você, assim como nós, é apaixonado por aves e quer conhecer mais sobre as espécies do Brasil, adquira já o seu guia da Floresta AtlânticaPantanalCerrado ou Costeiras. Eles podem ser usados tanto em viagens e turismo de observação, como também ferramenta em aulas de educação ambiental nas escolas.

Nossos guias podem ser comprados na Loja do Passarinho.

Imagem: Renato Rizzaro

Gabriela Giovanka e Renato Rizzaro

Gabriela Giovanka é administradora de empresas, especializada em Naturologia Aplicada. Renato Rizzaro é designer gráfico e fotógrafo. Juntos criaram a Roda de Passarinho, e com suas viagens de norte a sul do país, buscam aproximar as pessoas da natureza, através de fotografias e do canto das aves, sementes, instrumentos musicais, relatos de vivências e exercícios que inspirem a vida comunitária.

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