Duas brasileiras recebem um dos mais importantes prêmios internacionais de proteção a áreas naturais

Duas brasileiras recebem o mais importante prêmio internacional em reconhecimento à proteção de áreas naturais

Nove profissionais de todo o mundo, que dedicaram suas vidas e carreiras à conservação, foram agraciados esta semana com o Prêmio Fred M. Packard, concedido pela organização União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e entre elas, estão duas brasileiras: Silvana Campello (à esquerda na foto acima) e Denise Rambaldi.

Junto com o marido, George, Silvana fundou o Instituto Araguaia de Proteção Ambiental, que tem como principal missão proteger a fauna e a flora da bacia do Rio Araguaia e em especial, da região do Parque Estadual do Cantão,  uma Unidade de Conservação (UC) de proteção integral, no estado do Tocantins. É uma área que conecta o Pantanal matogrossense com a Amazônia e com presença ainda, do Cerrado. 

Já Denise Rambalid foi escolhida para receber o prêmio por sua grande contribuição na criação da Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado, no Rio de Janeiro. A engenheira florestal esteve à frente durante mais de 20 anos da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), localizada na Reserva Biológica Poço das Antas e foi uma das responsáveis pela recuperação da população da espécie no país, um dos símbolos da conservação no Brasil.

“É uma honra ser distinguida pela IUCN, especialmente em tempos tão desafiadores. Manter a biodiversidade é, talvez, um dos maiores desafios da atualidade, e as Unidades de Conservação e outras áreas protegidas são nossos principais instrumentos para a sua proteção. Iniciativas como o Prêmio Fred Packard lançam luz sobre a importância do ambiente natural equilibrado para a humanidade e sua prosperidade e inspiram as novas gerações de ambientalistas brasileiros”, diz Denise.

Por causa da pandemia, este ano a cerimônia da entrega do Prêmio Fred Packard, que geralmente é realizada durante congressos da IUCN, foi feita durante um evento virtual. Além das ambientalistas brasileiras, receberam o prêmio Dan Laffoley (Reino Unido), Dave MacKinnon (Canadá), Jim Barnes (França), Pedro Rosabal (Cuba/Suíça), Penelope Figgis (Austrália), Romeo Trono (Filipinas) e Sarat Badu Gidda (Índia).

A criação de áreas de proteção é essencial para a preservação da biodiversidade do planeta. “Elas são o mais importante instrumento que a humanidade já criou para conservar a natureza, a sua biodiversidade e para permitir o acesso da sociedade aos benefícios dela, através do turismo, da pesquisa, do uso sustentável de recursos naturais, e sobretudo, dos serviços que os ecossistemas prestam para a sociedade”, afirma Claudio Maretti, vice-presidente da Comissão Mundial de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) para América do Sul, que também já recebeu o prêmio no passado.

Em 2019, Sonia Guajajara e Carlinhos dos Santos foram homenageados foram homenageados com o mesmo prêmio. Naquele ano, a líder indígena e o ativista social e ambiental foram reconhecidos pelos seus esforços para a conservação de áreas protegidas na América Latina e regiões do Caribe.

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Fotos: divulgação IUCN

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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