Dinamarca terá centro de energia eólica com capacidade para atender 10 milhões de residências na Europa

Dinamarca terá hub de energia eólica com capacidade para atender 10 milhões de residências na Europa

Há muitos anos a Dinamarca já investe em fontes de energia mais limpas e renováveis. Em 2016, o país escandinavo bateu um recorde mundial: 42% da energia produzida por lá vinha de turbinas eólicas.

E há poucos dias, o governo dinamarquês anunciou um novo projeto gigantesco, uma parceria público-privada, que pode garantir o atendimento da demanda energética não apenas para o consumo interno, mas também, para outras nações da Europa.

A imensa plataforma de energia eólica offshore será construída a 80 km da península de Jutland, no Mar do Norte. Esse ‘hub’ terá uma ilha artificial com aproximadamente 120 mil m2 (uma área equivalente a 18 campos de futebol). Na fase inicial de funcionamento, quando cerca de 200 turbinas eólicas estiverem em operação, o projeto produzirá energia suficiente para atender a demanda de 3 milhões de residências (5GW). Quando totalmente completo, o projeto aumentará sua capacidade para suprir a energia de 10 milhões de casas (12 GW).

A plataforma servirá como um centro que coleta eletricidade dos parques eólicos e distribuirá a eletricidade entre os países conectados através do grid (rede). A ilha será protegida de tempestades através de três grandes barreiras (muros) e terá um pequena doca para a chegada e saída de embarcações.

“Estamos no início de uma nova era de energia. Em 2020, a Dinamarca estabeleceu uma data limite para a extração de combustível fóssil. Hoje estamos dando um passo decisivo em direção a um futuro de energia limpa, ao construir o primeiro centro de energia do mundo com uma capacidade potencial de mais de 10 GW. Não estamos apenas expandindo dramaticamente a produção de energia renovável, mas também fornecendo aos nossos vizinhos europeus uma abundância de energia renovável ”, garantiu Dan Jørgensen, ministro do Clima da Dinamarca.

A Dinamarca se comprometeu a não mais extrair petróleo e gás do Mar do Norte a partir de 2050 e cancelou todas as futuras rodadas de licenciamento.

A expectativa é que o enorme excedente de energia eólica a ser produzido também possa ser usado para produzir combustíveis ecológicos para outros setores, como transporte marítimo, aviação e indústrias pesadas.

Os 5GW de energia que serão gerados nessa primeira fase do projeto irão triplicar a atual capacidade de produção offshore da Dinamarca. O país tem uma meta de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 70% até 2020 (em comparação aos níveis de 1990).

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Ilustração: Danish Energy Agency

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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