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Diante de imagens chocantes de violência, sejam em Israel, na Palestina ou no Rio de Janeiro, pais devem ficar atentos aos temores das crianças

Diante de imagens chocantes de violência, sejam em Israel, na Palestina ou no Rio de Janeiro, pais devem ficar atentos aos temores das crianças

Com a globalização da mídia e a transmissão em tempo real do que acontece em qualquer canto do mundo, todos nós – incluindo as crianças -, nos tornamos mais expostos a uma realidade brutal que até então poderia nos passar despercebida. Seja através da televisão ou do celular, que está constantemente em nossas mãos, temos acesso 24 horas por dia a imagens brutais de violência e intolerância, sobretudo dos conflitos e guerras mais recentes, como na invasão do Talibã ao Afeganistão, da Rússia à Ucrânia e agora, o ataque dos terroristas do Hamas contra Israel.

Diante de tudo isso e da inevitável exposição de nossos filhos ao que está acontecendo, qual será a melhor maneira de conversar com elas?

Para especialistas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), os pais são as pessoas mais indicadas para tocar no assunto com as crianças. Afinal, em momentos de medo, apreensão e angústia, é na família que as crianças buscam um senso de segurança.

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O Unicef elaborou uma série de dicas para estes momentos, que traduzimos e reproduzimos abaixo:

1. Descubra o que elas sabem e como se sentem

Escolha um horário e local em que você possa abordar o assunto naturalmente e é mais provável que seu filho se sinta confortável para conversar livremente, como durante uma refeição em família. Tente evitar falar sobre o assunto antes de dormir.Um bom ponto de partida é perguntar ao seu filho o que ele sabe e como está se sentindo. Algumas crianças podem saber pouco sobre o que está acontecendo e não estar interessadas em falar sobre isso, mas outras podem estar preocupadas em silêncio. Com crianças mais novas, desenhos, histórias e outras atividades podem ajudar a começar uma conversa.

As crianças podem descobrir as notícias de várias maneiras, por isso é importante verificar o que estão vendo e ouvindo. É uma oportunidade para tranquilizá-los e potencialmente corrigir qualquer informação imprecisa que possam ter encontrado online, na TV, na escola ou através de amigos.

Um fluxo constante de imagens e manchetes perturbadoras pode fazer parecer que a crise está ao nosso redor. As crianças mais novas podem não distinguir entre as imagens na tela e a sua realidade pessoal e podem acreditar que estão em perigo imediato, mesmo que o conflito esteja a acontecer longe. As crianças mais velhas podem ter visto coisas preocupantes nas redes sociais e ficar com medo da escalada dos acontecimentos.

É importante não minimizar ou descartar as suas preocupações. Se eles fizerem uma pergunta que possa parecer extrema para você, como “Vamos todos morrer?”, assegure-lhes que isso não vai acontecer, mas também tente descobrir o que ouviram e por que estão preocupados com o que está acontecendo. Se você conseguir entender de onde vem a preocupação, é mais provável que consiga tranquilizá-los.

Certifique-se de entender os sentimentos deles e garantir-lhes que tudo o que estão sentindo é natural. Mostre que você está ouvindo, dando-lhes toda a atenção e lembrando-lhes que eles podem falar com você ou com outro adulto de confiança sempre que quiserem.

2. Mantenha a calma e a adequação à idade

As crianças têm o direito de saber o que está acontecendo no mundo, mas os adultos também têm a responsabilidade de mantê-las protegidas do sofrimento. Você conhece seu filho melhor. Use uma linguagem apropriada à idade, observe suas reações e seja sensível ao seu nível de ansiedade. É normal que você também se sinta triste ou preocupado com o que está acontecendo. Mas tenha em mente que as crianças recebem sugestões emocionais dos adultos, por isso tente não compartilhar nenhum medo maior com seu filho. Fale com calma e preste atenção à sua linguagem corporal, como as expressões faciais.

Use uma linguagem apropriada à idade, observe suas reações e seja sensível ao seu nível de ansiedade.

Tanto quanto você puder, assegure a seus filhos que eles estão protegidos de qualquer perigo. Lembre-lhes que muitas pessoas estão trabalhando arduamente em todo o mundo para acabar com o conflito e encontrar a paz.

Lembre-se de que não há problema em não ter a resposta para todas as perguntas. Você pode dizer que precisa dar uma olhada ou usar isso como uma oportunidade com as crianças mais velhas para encontrarem as respostas juntos. Use sites de organizações de notícias respeitáveis ​​ou de organizações internacionais como o UNICEF e a ONU. Explique que algumas informações online não são precisas e a importância de encontrar fontes confiáveis.

3. Encoraje a compaixão, não o estigma

O conflito pode muitas vezes trazer consigo preconceito e discriminação, seja contra um povo ou país. Ao falar com os seus filhos, evite rótulos como “pessoas más” ou “más” e, em vez disso, use-os como uma oportunidade para encorajar a compaixão, tal como para as famílias forçadas a fugir das suas casas. Mesmo que um conflito esteja a acontecer num país distante, pode alimentar a discriminação à sua porta. Verifique se seus filhos não estão sofrendo ou contribuindo para o bullying. Se eles foram xingados ou intimidados na escola, incentive-os a contar a você ou a um adulto em quem confiam.

Lembre aos seus filhos que todos merecem estar seguros na escola e na sociedade. O bullying e a discriminação são sempre errados e cada um de nós deve fazer a sua parte para espalhar a bondade e apoiar-se mutuamente.

4. Concentre-se naqueles que estão ajudando

É importante que as crianças saibam que as pessoas estão ajudando umas às outras com atos de coragem e bondade. Encontre histórias positivas, como socorristas auxiliando pessoas ou jovens clamando pela paz.

A sensação de fazer algo, por menor que seja, muitas vezes pode trazer grande conforto.

Veja se seu filho gostaria de participar de ações positivas. Talvez eles possam desenhar um cartaz ou escrever um poema pela paz, ou talvez você possa participar de uma arrecadação de fundos local ou aderir a uma petição. A sensação de fazer algo, por menor que seja, muitas vezes pode trazer grande conforto.

5. Termine as conversas com cuidado

Ao encerrar a conversa, é importante certificar-se de não deixar seu filho em estado de angústia. Tente avaliar o nível de ansiedade observando a linguagem corporal, considerando se ele está usando o tom de voz habitual e observando a respiração.

6. Continue monitorando as crianças

À medida que as notícias do conflito continuam, você deve continuar a conversar com seu filho para ver como ele está. Como ele está se sentindo? Ele tem alguma pergunta nova ou coisas que gostaria de conversar com você?

Se seu filho parecer preocupado ou ansioso com o que está acontecendo, fique atento a quaisquer mudanças no modo como ele se comporta ou se sente, como dores de estômago, dores de cabeça, pesadelos ou dificuldades para dormir.

As crianças têm reações diferentes a eventos adversos e alguns sinais de sofrimento podem não ser tão óbvios. As crianças mais novas podem tornar-se mais carentes do que o normal, enquanto os adolescentes podem demonstrar intensa tristeza ou raiva. Muitas dessas reações duram pouco tempo e são reações normais a eventos estressantes. Se elas durarem por um período prolongado de tempo, seu filho poderá precisar de apoio especializado.

Você pode ajudá-los a reduzir o estresse fezendo atividades como respiração abdominal juntos:

– Faça 5 respirações profundas, passe 5 segundos inspirando e 5 segundos expirando, inspirando pelo nariz e expirando pela boca;

– Explique que quando seu filho inspira, ele enche a barriga suavemente como um balão e, quando expira, o ar sai lentamente do balão novamente.

Esteja pronto para conversar com seu filho se ele tocar no assunto. Se for pouco antes de dormir, termine com algo positivo, como ler uma história favorita, para ajudá-los a dormir bem.

7. Limite a enxurrada de notícias

Esteja atento ao quão expostos seus filhos estão às notícias enquanto elas estão cheias de manchetes alarmantes e imagens perturbadoras. Considere desligar as notícias ao redor das crianças mais novas.

Com crianças mais velhas, você pode aproveitar isso como uma oportunidade para discutir quanto tempo elas gastam lendo notícias e em quais fontes de notícias elas confiam. Considere também como você fala sobre o conflito com outros adultos se seus filhos estiverem por perto.Tanto quanto possível, tente criar distrações positivas, como jogar um jogo ou passear juntos.

8. Cuide de você também

Você poderá ajudar melhor seus filhos se também estiver enfrentando a situação. As crianças perceberão a sua própria resposta às notícias, por isso é útil saber que você está calmo e no controle.

Se você estiver ansioso ou chateado, reserve um tempo para si mesmo e procure outros familiares, amigos e pessoas de confiança. Esteja atento à forma como você consome notícias: tente identificar horários importantes durante o dia para verificar o que está acontecendo, em vez de estar constantemente online. Tanto quanto puder, reserve algum tempo para fazer coisas que o ajude a relaxar e se recuperar.

Leia também:
Como conversar sobre a guerra com as crianças

Ilustração: Unicef

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