
Ao contrário da crença popular de que desertos são áreas inóspitas do planeta para abrigar exemplares da fauna e da flora, muitas são as espécies que têm seu lar nessas regiões de solo árido, como é o caso, por exemplo, do gato-do-deserto, único felino encontrado exclusivamente nesses ecossistemas, em países da África e do Oriente Médio, do sapo-do-deserto-de-sonora, nos Estados Unidos, ou ainda, das lagartixas fluorescentes dos desertos da Namíbia. E agora pesquisadores acabam de incluir nessa lista dezesseis novas espécies de gafanhotos também!
As espécies recém-descobertas são nativas em regiões de deserto do sul dos Estados Unidos e do México. Até então, eram conhecidos apenas três gafanhotos do gênero Agroecotettix nesses locais, mas o entomologista JoVonn Hill, professor assistente da Universidade Estadual do Mississippi, fez uma análise minuciosa de espécimes pertencentes a coleções de diversas instituições.
“É importante continuar explorando nossa biodiversidade, especialmente do ponto de vista da conservação, antes que a percamos”, salienta Hill. “Esses gafanhotos que descrevemos vivem em um habitat de arbustos espinhosos de terras baixas.”
O pesquisador explica que os gafanhotos desse gênero provavelmente tenham se diversificado durante o Pleistoceno, conhecido como Era Glacial. Segundo ele, nas Montanhas Rochosas, espécies dessa subfamília em pastagens alpinas provavelmente ficaram isoladas à medida que as geleiras recuaram e seus habitats mudaram para altitudes mais elevadas.
Para Hill, o mesmo pode ter ocorrido com esses gafanhotos do deserto. Ele ressalta a importância de novos estudos para tentar entender a influência das mudanças climáticas nesses insetos.
O próximo passo da pesquisa é a coleta de DNA dos espécimes para ser sequenciado. A expectativa é que se consiga estimar quando essas espécies divergiram, e assim, compreender como as alterações do clima as impactaram e como podem voltar a afetá-las no futuro.
“Eu adorava capturar gafanhotos quando criança, e ainda faço isso agora – descobrindo coisas novas, desvendando sua história e entendendo como eles estão relacionados”, revela o pesquisador. “Compartilhar esta fascinante parte do patrimônio natural faz tudo valer a pena.”

Foto: Beth Wynn
*Com informações e entrevista contida no texto de divulgação da Mississippi State University
——————–
Acompanhe o Conexão Planeta também pelo WhatsApp. Acesse este link, inscreva-se, ative o sininho e receba as novidades direto no celular
Leia também:
Startup transforma gafanhotos no Quênia em proteína para ração e biofertilizante
NamibCam: o BBB dos animais no deserto da Namíbia
Foto de abertura: JoVonn Hill




