De outubro de 2018 a dezembro de 2022, o desmatamento provocado pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami (TIY) aumentou 309%, segundo levantamento da Hutukara Associação Yanomami. Mas estatísticas com dados desastrosos como esses fazem parte do passado.
A tendência de queda já se apresentava em abril deste ano, quando o sistema de monitoramento por satélite da Polícia Federal (PF) registrou apenas 19 alertas contra 444 no mesmo mês em 2022 (com Bolsonaro): ou seja, redução de 96,6%.
Em maio, o resultado foi ainda melhor: 14 alertas de desmatamento apenas. Somando as estatísticas de abril e maio de 2022, foram 538 alertas, contra apenas 33 no mesmo período deste ano.
Durante boa parte de maio e na primeira semana de junho mais um grande avanço: nenhum alerta foi registrado na TIY, o que, para a corporação, significa que a invasão garimpeira está sob controle.
“Esta é a primeira vez, desde o início deste tipo de monitoramento, em agosto de 2020, que se observa a ausência de alertas de garimpos por um período tão longo de tempo. Tais resultados indicam que, pela primeira vez nos últimos anos, não houve novas áreas de garimpo ilegal sendo exploradas, fato que perdurou por 33 dias, até a data da pesquisa final, em 8/6. As imagens dos satélites são processadas diariamente e consolidadas a cada sete dias”.
De acordo com reportagem da Folha de São Paulo, o mesmo cenário se manteve até 15 de junho.
E a PF acrescentou: “A última área de garimpo ilegal foi identificada pelos sistemas de satélite que monitoram a Terra Yanomami em 6 de maio, com menos de três meses desde o início da Operação Libertação“.
Sim, o cenário atual é resultado dessa operação, coordenada pela PF com o apoio do Ibama, da Funai, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Força Nacional e das Forças Armadas (Exército, Força Aérea, Marinha) e deflagrada em 10 de fevereiro com o objetivo de proteger o povo Yanomami e erradicar o garimpo ilegal com a desintrusão dos invasores.
Nova fase
Agora, com zero alertas de garimpo e, por consequência, de desmatamento, o foco será ocupar áreas dentro da reserva para assegurar a retomada da normalização da prestação de serviços básicos ao povo Yanomami.
Também será dada ênfase ao ataque pontual nas áreas em que ainda há criminosos remanescentes, com o foco em consolidar a prisão daqueles que se recusaram a sair voluntariamente da área.
A PF conta que, atualmente, há mais de 80 procedimentos investigativos em andamento derivados das atividades da Operação Libertação que apuram crimes nas mais diversas áreas, desde a lavagem de capitais e mineração ilegal até o tráfico de pessoas”.

A crise humanitária dos Yanomami foi revelada em dezembro de 2022 a partir da divulgação de imagens registradas por agentes de saúde que mostravam adultos e crianças indígenas em pele e osso nas aldeias. E ganhou nova dimensão quando o presidente Lula e ministros de diferentes áreas (Saúde, Povos Indígenas, Meio Ambiente, Justiça, Direitos Humanos, Desenvolvimento Social e Defesa) foram à Boa Vista, em 21 de janeiro, para visitar os Yanomami internados com desnutrição grave, além de doenças como malária.
Alto investimento e legislação fraca
Segundo estudo do Instituto Escolhas, lançado hoje, 19/6 – Abrindo o livro caixa do garimpo -, essa atividade ilegal tem faturado mais de um milhão de reais por mês na Amazônia.
“Os garimpos são empreendimentos com alto investimento e uma renda considerável, mas beneficiados por uma legislação que faz poucas exigências para autorizar as operações e que não atrela ao garimpo a responsabilidade de recuperar as áreas devastadas e contaminadas pelo mercúrio. Aí, reside o interesse em seguir mantendo a aura artesanal do garimpo, que já não é realidade há muito tempo”, alerta Larissa Rodrigues, gerente de portfólio do Escolhas.
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Fontes: Folha de SP, Polícia Federal
Foto: Polícia Federal/Divulgação








