Descoberta uma nova espécie de tartaruga na Amazônia, com características completamente diferentes das demais já conhecidas

Descoberta uma nova espécie de tartaruga na Amazônia, com características completamente diferentes das demais já conhecidas

Mesoclemmys jurutiensis. Este é o nome científico da nova espécie de tartaruga de água doce da Amazônia, descrita por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Pará num artigo divulgado na publicação internacional Chelonian Conservation and Biology há poucos dias. O jurutiensis se refere ao local exato onde ela foi encontrada, em Juruti, no oeste do estado, num pequeno município na margem direita do rio Amazonas.

“Quando eu estava em campo estava tentando coletar uma espécie que já conhecia, aí coloquei a armadilha e comecei a mexer entre folhas e galhos de uma poça de floresta e encontrei o casco. Era uma fêmea adulta e quando tirei da água, por conhecer pela literatura as demais espécies existentes, percebi que ela era diferente”, contou o biólogo Fábio Cunha, o principal autor do artigo.

Próximo à fêmea, numa outra poça, Cunha achou também um filhote. E outros indivíduos já foram coletados desde então. Até agora, acredita-se que a área de distribuição da nova espécie chegue a 2 mil km2. Ela foi observada no Pará, no Amazonas e em Rondônia, mas existe a suspeita que a tartaruga habite ainda áreas do Mato Grosso e outros estados da Amazônia brasileira.

Agora com a descrição da Mesoclemmys jurutiensis o número de espécies de tartarugas de água doce da Amazônia chega a 20.

“Ela é completamente diferente de todas as tartarugas da região. Tem a carapaça vermelha, que é a parte de cima do casco. Embaixo do plastrão (do peito) é amarelo queimado, bem vibrante. Já a cabeça é completamente preta e os olhos vermelhos”, revela o biólogo.

Ainda é muito cedo para se ter uma ideia sobre os números da população da espécie. Até este momento foram coletados quinze indivíduos.

Cunha explica que o animal vive em poças de florestas, densas e úmidas, e provavelmente fica enterrado parte do ano. Quando chega a época das chuvas, ele sai do solo e se alimenta com os filhotes de sapos, os girinos, que nascem nesses locais de água parada.

O próximo passo dos pesquisadores paraenses é entender melhor a distribuição da espécie e saber mais sobre sua ecologia. “Queremos descobrir onde ela faz os ninhos. Quantos ovos. Qual o período de incubação. Se a temperatura de incubação influencia no sexo dos filhotes, se sim, como o aquecimento do planeta pode alterar a determinação sexual da espécie”, diz o pesquisador.

Ou seja, há muito trabalho ainda pela frente. E quando se fala da imensidão da Amazônia, pode-se prever que sempre surgirão surpresas.

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Foto: divulgação

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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