Descoberta de ovos de pato-mergulhão na Chapada dos Veadeiros traz esperança para espécie criticamente ameaçada de extinção

Descoberta de ovos de pato-mergulhão na Chapada dos Veadeiros traz nova esperança para espécie criticamente ameaçada de extinção

Biólogos do Plano Nacional de Ação para a Conservação do Pato-Mergulhão fizeram um descoberta em setembro, mas só revelada recentemente, que trouxe mais esperança para a sobrevivência dessa espécie tão ameaçada: eles encontraram nove ovos da ave durante uma expedição de monitoramento no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

“Cada filhote e cada ninho ativo que encontramos são um fio de esperança para salvar a espécie”, destacou Paulo Antas, membro da Fundação Pró-Natureza (Funatura) e integrante do PAN Pato-Mergulhão, em entrevista à BBC Brasil.

Observado na Argentina, Paraguai e Brasil, o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) é uma espécie de ave aquática que, infelizmente, é considerada criticamente em perigo de extinção, de acordo com a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

No mundo todo estima-se que só restem 250 indivíduos livres na natureza. No Brasil, o pato-mergulhão pode ser visto ainda em regiões da Serra da Canastra e Patrocínio (MG), Chapada dos Veadeiros (GO) e no Jalapão (TO).

Apesar da comemoração em relação à descoberta dos ovos, apenas três filhotes sobreviveram. Entretanto, os biólogos ressaltam que já é um passo importante porque comprova que há boas condições no local para a reprodução da espécie.

Ainda segundo os especialistas, a alta taxa de mortalidade entre filhotes recém-nascidos é considerada normal.

Animal símbolo do Cerrado

O pato-mergulhão depende, para sua sobrevivência, de águas limpas e transparentes, com corredeiras e vegetação nas margens, e com abundância de peixes, seu principal alimento.

Seu nome – mergulhão -, vem justamente daí. Ele captura os peixes ao mergulhar, utilizando a visão.

Por esta razão, a espécie é considerada uma “bioindicadora”. Ou seja, sua presença revela o ótimo estado de preservação dos ecossistemas que habitat.

Reprodução bem-sucedida

Além dos esforços para preservar o pato-mergulhão na natureza, também tem sido feito no Brasil a reprodução da ave em cativeiro. Em 2018, noticiamos aqui, o nascimento de quatro filhotinhos, no Zooparque Itatiba, no estado de São Paulo.

Ave rara e ameaçada de extinção, pato-mergulhão se reproduz naturalmente pela primeira vez, no Brasil, e no mundo

Foi a primeira vez, no Brasil e no mundo, que se registrou o nascimento natural das aves, em cativeiro, sem interferência humana. Os ovos foram postos pela fêmea e incubados pelos próprios pais.

Em 2017, também divulgamos, nesta outra reportagem, quatro outros filhotes que tinham nascido no mesmo lugar, mas através de processo de reprodução assistida.

Pato-mergulhão se reproduz em cativeiro pela primeira vez no mundo no Brasil

O declínio da população do pato-mergulhão no país se deve a uma série de fatores, entre eles:

– a destruição de matas ciliares e consequente perda de árvores de maior porte;
– a degradação das margens e dos leitos dos cursos d’água;
– uso de pesticidas nas pastagens e lavouras, que são carregados para os cursos d’água;
– a mineração, que impacta diretamente os cursos d’água e, consequentemente, sua fauna associada;
– a construção de barragens, as quais modificam profundamente os ambientes aquáticos e
– atividades esportivas mal-planejadas, realizadas ao longo dos cursos d’água.

*Com informações do Instituto Natureza do Tocantins e do ICMBio

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Fotos: Sávio Freire Bruno/divulgação ICMBio/Wikimedia Commons e filhotes divulgação Zooparque Itatiba)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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