#DeixeOBichoNoMato: se encontrar um filhote, não tire ele da natureza!

#DeixeOBichoNoMato: se encontrar um filhote, não tire ele da natureza!

A intenção pode ser boa, mas o que muita gente não sabe é que, quando nos deparamos com algum filhote sozinho, ele deve ser deixado no local porque, muito provavelmente, a mãe está próximo e voltará em breve. Quando esses animais são retirados de seu ambiente, podem nunca mais voltar a viver em seu habitat natural.

Para conscientizar os brasileiros sobre como agir quando filhotes são encontrados sozinhos, a campanha #DeixeOBichoNoMato faz todos os alertas e recomendações necessários. A iniciativa é uma parceria entre várias organizações que trabalham pela proteção de animais no Brasil, entre elas, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio), Instituto Pró-Carnívoros, Rede Pró UC, Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado, Programa Amigos da Onça e o Projeto Onças do Iguaçu.

O principal objetivo da campanha é tentar reduzir o número de filhotes de mamíferos que são retirados da natureza e acabam em Centros de Triagem, zoológicos e outros mantenedores no país. “Interromper a remoção de filhotes e jovens de diversas espécies de carnívoros é ação com alta relevância de vários planos de ação nacionais para a conservação de espécies ameaçadas de extinção“, afirmam os idealizadores da #DeixeOBichoNoMato.

Biólogos destacam que, muitas vezes os filhotes de onças, jaguatiricas, gatos-do-mato, lobos-guarás, cachorros-do-mato, quatis e tantos outros bichos, ficam sozinhos no mato, no canavial ou na toca enquanto a mãe sai. “Dependendo da idade dos filhotes, a ausência dela pode durar de algumas horas até mais de um dia! Para que eles fiquem protegidos, as tocas são feitas em meio à vegetação densa. Mas, algumas vezes os filhotes são deixados em áreas de plantação alta, como as de cana, milho, café, ou eucaliptais, por exemplo”, explicam.

Ao ser removido de seu habitat, o filhote necessita de cuidados especiais, recebendo alimentação de seres humanos, com os quais, podem ficar acostumados, dificultando ainda mais sua reintrodução na vida selvagem. Além disso, longe da mãe, o filhote deixa de aprender todas as lições necessárias para caçar e se defender na natureza, ou seja, sobreviver sozinho quando adulto.

A campanha #DeixeOBichoNoMato fez uma lista com vária dicas. Confira abaixo:

1º – Não se Aproxime
A mãe pode estar por perto e ao tentar defender o filhote pode se tornar agressiva.

2º – Não toque nos animais
Por mais fofinhos que os filhotes sejam, são animais selvagens, e podem nos machucar. Também o cheiro das pessoas nos filhotes pode provocar o abandono pela mãe.

3º – Deixe tudo como está
Garanta também que outras pessoas, animais domésticos, veículos ou maquinários não se aproximem, assim serão maiores as chances da mãe retornar e levar os filhotes para um local mais seguro.

4º – Informe o órgão ambiental competente

Contatos Úteis:

CENAP/ICMBio – (11) 4411-6633
AZAB (Associação Brasileira de Zoológicos e Aquários) – (47) 99171-8461 – secretaria@azab.org.br
IBAMA:
– Acre: (68) 3211-1700
– Alagoas: (82) 2122-8300, 2122- 8301, 2122-8302 e 2122- 8303
– Amapá: (96) 2101-6769
– Amazonas: (92) 3878-7150 e 3878- 7137
– Bahia: (71) 3172-1650 e 3172-1670
– Ceará: (85) 3307-1126
– Distrito Federal: (61) 3316-1475, (61) 3316-1476
– Espírito Santo: (27) 3089-1150
– Goiás: (62) 3946-8100, 3946-8111 e 3946- 8199
– Maranhão: (98) 3131-2347 e 3131-2302
– Mato Grosso do Sul: (67) 2106 -7500
– Mato Grosso: (65) 3648-9100 e (65) 3648-9114
– Minas Gerais: (31) 3555-6102
– Pará: (91) 3210-4700
– Paraíba: (83) 3198-0800
– Paraná: (41) 3360-6101 e 3360-6102
– Pauí: (86) 3301-2443 e 3301-2400
– Pernambuco: (81) 3201-3800, 3201-3802 e 3201-3854
– Rio de Janeiro: (21) 3077-4252
– Rio Grande do Norte: (84) 3342-0410
– Rio Grande do Sul: (51) 3214-3401, 3214-3470 e 3214-3480
– Rondônia: (69) 3217-2700
– Roraima: (95) 4009-9431
– Santa Catarina: (48) 3212-3300
– São Paulo: (11) 3066-2633
– Sergipe: (79) 3046-1000, 3046-1003 e 3046-1004
– Tocantins: (63) 3219-8422

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Foto: Carlos Nader

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “#DeixeOBichoNoMato: se encontrar um filhote, não tire ele da natureza!

  • 2 de dezembro de 2020 em 12:55 PM
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    Difícil isso, né. A gente encontrar um filhote SOZINHO e deixar ele lá por tempo indeterminado. A mãe dele pode voltar, como pode voltar uma fera e comer o pobre. Uma ave de grande porte pode agarrá-lo com as garras e levá-lo para um passeio sem volta, com uma linda vista panorâmica do solo, à guisa de última visão da vida. Difícil a gente sacudir os ombros e continuar a trilha, enquanto o vulnerável continua no chão, à espera da mãe que, talvez tendo sido morta, não voltará jamais. Não sei o que eu faria porque se o pegasse poderia sofrer as conseqüências da genitora dele, com raiva de minhas mãos sobre seu bebê ou eu poderia estar condenando o pirralho a não se adaptar nunca mais ao seu Habitat, caso o encaminhasse a um abrigo especializado, tentando salva-lo. Não sei mesmo. Agora deixar o coitado lá e voltar pra casa, na boa, iria me deixar sem fome e sem sono por alguns dias. Quem sabe fosse melhor eu subir em uma árvore ou qualquer outro lugar “seguro”, arriscando-me a ser atacado por uma cobra, a fim de observar, do alto, se a mãe dele chegava, o pai, a madrinha ou irmão mais velho ou, cruz credo, se alguma fera se aproximava para almoçar o filhote. Nessa segunda opção, das duas uma: ou eu descia da árvore para espantar a fera, no grito e na raça ou ficava apreciando ela degustar a presa fácil e tenra, tremendo de medo e incompetência, sem coragem de intervir. Aff Maria, que bom que acordei, foi só um pesadelo.

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