Degelo crescente do Ártico pode fazer com que urso polar seja extinto até 2100

Degelo crescente do Ártico pode fazer com que urso polar seja extinto até 2100

Nas últimas décadas, o urso polar se tornou um símbolo das espécies do planeta que podem desaparecer se nada for feito para conter o aquecimento global. Um novo estudo, recém-publicado por pesquisadores dos Estados Unidos e do Canadá, na revista científica Nature Climate Change, afirma que se o ritmo atual das emissões de gases de efeito estufa continuar já há data estimada para a extinção desses animais: 2100.

O urso polar (Ursus maritimus), o maior carnívoro terrestre do planeta, vive no Ártico. Ele passa basicamente o ano inteiro no gelo marinho, onde caça focas, sua dieta quase exclusiva, e também, onde se acasala. É durante o inverno que ele se alimenta mais para ter reservas calóricas e poder sobreviver aos meses de verão, quando há menos oferta de comida.

Analisando diferentes cenários, que combinam o aumento da temperatura na Terra, impulsionado por diferentes taxas de emissão, e o volume de degelo ártico, assim como a capacidade desses animais de armazenar energia, os cientistas chegaram à conclusão de que em apenas duas décadas, em 2040, os ursos polares já podem ter seu processo de reprodução afetado.

E até o final do século, restarão pouquíssimos exemplares da espécie vivos.

“O desafio é que o gelo do Ártico continuará a desaparecer à medida que o mundo se aquecer”, alerta Péter Molnár, professor assistente do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Scarborough e principal autor do estudo. “Isso significa que os ursos polares em todos os lugares enfrentarão períodos mais longos sem comida e isso afetará sua capacidade de se reproduzir, sobreviver e persistir como populações saudáveis”.

Degelo crescente do Ártico pode fazer com que urso polar seja extinto até 2100

Os ursos polares enfrentarão períodos mais longos sem comida, e isso afetará sua capacidade para reproduzir e sobreviver

A pesquisa avaliou todas as populações de ursos polares em três das quatro regiões árticas existentes, o que representa aproximadamente 80% da população global atual.

Estimativas apontam que existam 26 mil ursos populares na vida selvagem, divididos em 19 subpopulações, distribuídos em áreas da Noruega, Canadá, Alaska e Sibéria.

“Embora nossas projeções para o futuro dos ursos polares pareçam terríveis, elas podem até ser otimistas demais. Em nossa pesquisa, por exemplo, supomos que os ursos polares usariam sua energia corporal disponível de maneiras ideais ao jejuar. Mas se isso não acontecer, a realidade poderá ser pior do que nossas projeções”, diz Molnár.

“Anteriormente, sabíamos que os ursos polares desapareceriam, a menos que parássemos o aumento dos gases de efeito estufa. Mas saber quando eles começarão a desaparecer em diferentes áreas é fundamental para implementar políticas públicas”, ressalta Steven Amstrup, que concebeu o estudo e é co-autor do artigo.

Amstrup é cientista chefe da Polar Bears International e professor adjunto do Departamento de Zoologia e Fisiologia da Universidade de Wyoming. “Descobrimos que reduções moderadas de emissões podem prolongar a persistência global, mas provavelmente não impedirão a extirpação de várias populações, enfatizando a urgência de cortes de emissões mais ambiciosos”, destaca.

*Com informações da Universidade de Toronto Scarborough

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Fotos: Hans-Jurgen Mager on unsplash (abertura) e Daniel J. Cox/Arctic Documentary Project

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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