De que lado você está? Da Amazônia ou de Bolsonaro? Campanha visa sensibilizar investidores e o mundo

Hoje, 2/9, a Apib – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o Observatorio do Clima, a Mídia Índia e o movimento 342 Amazônia lançaram a campanha Defund Bolsonaro ou Amazon or Bolsonaro para sensibilizar cidadãos, empresas, investidores e governos do mundo todo a respeito de sua responsabilidade na destruição da Amazônia.

Afinal, a maior floresta tropical do mundo está em chamas e todos os dias é saqueada por invasores – garimpeiros, madeireiros, grileiros e caçadores. E tais crimes são legitimados por Bolsonaro, realizados com sua autorização, seu apoio.

Os incêndios na Amazônia não são incêndios florestais que ocorrem naturalmente. São atos criminosos apoiados pelo governo e “pelos grandes negócios, que fazem parte de uma cadeia de produção, de comércio e de investimentos maculados que estão todos contaminados”.

Por isso, “o principal pólo de biodiversidade da Terra e as nações indígenas que a protegem, estão em estado crítico”.

Só que Bolsonaro não age sozinho, claro! Mais: ele (des)governa o Brasil, mas o impacto é planetário e, por isso, está “sufocando nossa esperança de um planeta habitável” no presente e no futuro.

Isso só acontece porque muita gente patrocina essa destruição “com dólares e euros”, investe nesses negócios criminosos, sem se importar com a devastação. Há uma “ganância mundial” que consome a Amazônia e parece que a maioria das pessoas não se dá conta. Então, é preciso fazer sua escolha, já:

De que lado você está: da Amazônia ou de Bolsonaro?

É urgente “desapropriar Bolsonaro”, ressalta a campanha, e tornar a proteção da Amazônia “uma condição obrigatória para o desenvolvimento, os negócios e os investimentos.

Tudo que Bolsonaro faz é da responsabilidade de todos e precisamos pará-lo. Precisamos interditá-lo para o bem da humanidade. O texto da campanha ainda destaca que Bolsonaro não é uma piada e deve ser levado a sério porque é uma ameaça. “Pará-lo é a única esperança da floresta amazônica. A hora é agora!”.

Para ajudar a interromper o ecocídio e o genocídio praticado contra os povos da floresta, todos os dias, essas organizações pedem que espalhemos esta mensagem pelo mundo para que os grandes responsáveis pela continuidade desses crimes sejam impedidos de prosseguir e que os que têm ajudado a eternizar esse tipo de produção, parem de financia-la.

O mundo precisa parar de comprar o ouro do Brasil! A madeira, a carne, o couro, grãos, o petróleo…. a menos que esses produtos sejam certificados. Essa é a única forma de garantir que o cheiro de queimado e o sangue dos povos originários não impregne os produtos consumidos tanto aqui como no exterior.

“Se deixarmos a Amazônia queimar, o resto do mundo vai queimar junto”. E como fazer para disseminar essa mensagem? Eis, aqui, algumas possibilidades:

Disseminar os 14 cards exclusivos da campanha, que você pode baixar do site da campanha.

Compartilhar reportagens de veículos de comunicação estrangeiros, que têm ajudado a contar essa história pelo mundo.

Disseminar cinco medidas de emergência para combater a crise do desmatamento na Amazônica:

1. Moratória do desmatamento na Amazônia;
2. Aumento das penas para crimes ambientais e desmatamento;
3. Retomada imediata do PPCDAm – Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal;
4. Demarcação de terras indígenas e quilombolas e criação, regularização e proteção de Unidades de Conservação e
5. Reestruturação do Ibama, ICMBio e Funai.

Essas medidas fazem parte de um documento assinado por 62 instituições, entre elas as autoras desta campanha, sobre a qual descrevo neste post, Amazon Watch, Articulação Nacional de Agroecologia, WWF Brasil, 350.org, CUT, Engajamundo, Idesam, IDS, FAS, entre outras.

Assinar a petição online Todos pela Amazônia também é imprescindível nesta mobilização”. “Não importa se você mora longe ou perto da floresta: a vida como é hoje só é possível por causa dela. E a Amazônia precisa de você. É hora de fazer escolhas!”.

Doar para a Vakinha Online permanente da APIB, que dá suporte para os povos indígenas.

Não descansar enquanto não pararem de saquear a Amazônia e todos os biomas brasileiros. Quando falar do assunto, divulgue as hashtags #AmazonOrBolsonaro #WhichSideAreYouOn #DefundBolsonaro.

Imagem de destaque: card da campanha

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

4 comentários em “De que lado você está? Da Amazônia ou de Bolsonaro? Campanha visa sensibilizar investidores e o mundo

  • 3 de setembro de 2020 em 12:00 PM
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    Todos os limites já foram ultrapassados nesse desgoverno destruidor !! Ele é o que sempre foi e o povo por identificação, lhe deu o poder. Portanto são co-participantes e co-autores dos horrores. O mais chocante é assistir o conformismo : o povo indígena dá um baile de coragem, de luta pela dignidade .Ao contrário, os cara pálida são uma vergonha.

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    • 3 de setembro de 2020 em 2:59 PM
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      Olá Angela,
      Não esqueçamos de que foi apenas 38% do povo brasileiro que votou em Bolsonaro e uma parte já se arrependeu. De qualquer forma, nenhum povo merece governantes que não respeitam os direitos humanos, a natureza, a vida de maneira geral. Então, é importante lutar contra esse tipo de governo sempre. Inclusive para tentar tira-lo de lá nas urnas, de forma consciente. A participação politica do povo é imprescindível.

      Grande abraço.

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  • 14 de setembro de 2020 em 1:56 PM
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    E vocês o que tem feito de concreto a todo o problema que relatam ? Porque escrever, criticar é fácil, venham com um problema, mas tragam 3 soluções. Não vejo como culpa somente do governo, a população em si não ajuda. Tudo vai mudar, o dia em que o ser humano tiver mais amor, respeito pelo próximo, sem egoísmo, onde só pensam em si mesmo. Opinar, lutar sem intenções partidárias, ai sim vamos ter uma luta honesta.
    Uma pessoa que escreve sobre moda, luxo, o que dizer ?

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    • 14 de setembro de 2020 em 3:11 PM
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      Caro Wal, agradecemos o seu contato.
      Se vc nos acompanha, certamente já deveria ter notado o que fazemos de concreto.

      Divulgamos informação, conhecimento, ações, histórias inspiradoras e campanhas como esta, entre outras.
      Esta campanha contesta a política antiambiental do governo, que é notória. Não há o que refutar.
      E faz um apelo para os países que compram carne, madeira, ouro oriundos do desmatamento e da violência contra os povos originais.
      Um apelo legítimo.

      Qualquer governo, em sua essência, deveria orientar, dirigir, indicar o caminho, propor, ouvir seu povo.
      Um governo de fato comprometido com o povo, como deve ser numa democracia, deveria proteger o povo e não ameaça-lo como tem feito, todos os dias. Como exemplo posso citar a forma como tem conduzido a pandemia, ou como tem tratado incêndios florestais, vazamentos de oleo na costa etc etc.

      Deveria proteger suas riquezas naturais e não querer explora-las o tempo todo e “com os Estados Unidos” como disse Bolsonaro, vergonhosamente, durante o Fórum Econômico de Davos. Esta fala foi gravada e incluída em filme lançado recentemente, sem restrições de exibição. Só procurar. E não há o que refutar.

      Infelizmente, algumas pessoas enxergam (e se deixam influenciar por quem diz isso) toda e qualquer manifestação contrária à gestão de um governo, como ideológica, partidária, como vc. Isso é um grande equívoco.

      Somos a favor da vida, do meio ambiente, da sustentabilidade econômica, ambiental, social e cultural. Isso não tem nada de ideológico.
      Se vc não leu, sugiro que leia SOBRE NOSSO PROJETO pra entender melhor: https://conexaoplaneta.com.br/sobre/

      Por isso, se o governo age como este tem feito: a fovor de um projeto desenvolvimentista, que explora o país a qualquer custo, em detrimento da qualidade de vida e da dignidade de seu povo, apoia a destruição das florestas, as invasões, a violência contra indigenas, quilombolas e ribeirinhos, contra a educação, a saúde, a cultura, a favor da teocracia, não há como defendê-lo.

      As notícias sobre esta gestão não são boas, infelizmente. Lamentamos demais não poder apoiar e divulgar as ações deste governo com alegria.
      Vc não sabe como é cansativo se indignar e ver tudo sendo destruído.

      E qualquer governo que se comportar nessa linha não tenha dúvida que denunciamos, como já fizemos.
      Lançamos o Conexão Planeta em 2015.

      Quando à sua observação sobre minha experiência em áreas como moda e luxo, entendo de três formas: primeiro, como preconceito; segundo, como ignorância e, terceiro, como tática muito comum às pessoas que não têm argumento, que desqualificam para poder atacar. Aliás, uma postura muito comum no atual governante.

      Pois saiba que a experiência que tive nessas áreas me trouxe repertório precioso que me ajudou a trilhar o caminho que me levou ao jornalismo ambiental e voltado à sustentabilidade. Somente um conhecimento raso sobre essas áreas levaria alguém a fazer esse comentário.

      Mais: trabalho com jornalismo ambiental e sustentabilidade há 15 anos e, antes do Conexão Planeta, dirigi um portal de sustentabilidade na Editora Abril, considerado o mais importante na América Latina.

      Se vc não aprecia o nosso trabalho, fique à vontade para não acompanhá-lo.
      Mas se preferir continuar criticando, fique à vontade também, mas se informe melhor sobre os temas para podermos manter o nível da conversa e a reflexão.
      Abs

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