Das cerca de 10 mil onças-pintadas da Amazônia, quase 1.500 foram mortas ou deslocadas nos últimos anos

Das cerca de 10 mil onças-pintadas da Amazônia, quase 1.500 foram mortas ou deslocadas nos últimos anos

A onça-pintada (Panthera onca) é a maior espécie de felino das Américas e a terceiro maior do mundo. Linda e majestosa, num passado distante ela era observada desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte argentino. Mas acabou desaparecendo no Hemisfério Norte e nos dias atuais é vista muito raramente no México, todavia ainda pode ser encontrada em países da América Central e do Sul, como Argentina, Peru, Paraguai, Colômbia e Brasil. Neste último, esse animal tão imponente é registrado em todos os cinco biomas – Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, porém com números bastante reduzidos na maioria deles e por isso mesmo, a espécie é considerada ameaçada de extinção.

Apesar de a Amazônia ser a região onde se concentra a maior população desses felinos no Brasil – estima-se que sejam aproximadamente 10 mil indivíduos -, um estudo publicado em junho deste ano apontou que, entre 2016 e 2019, 1.422 onças-pintadas foram mortas ou deslocadas no bioma. Entre as principais causas para isso estão a caça ilegal e o aumento do desmatamento e dos incêndios florestais devido à ação de madeireiros, garimpeiros e da indústria agropecuária.

“Onças-pintadas são animais selvagens, que necessitam de um ambiente preservado amplo e robusto, capaz de suprir suas necessidades de deslocamento e alimentação. Tais condições são essenciais à sua sobrevivência”, explica o biólogo Roberto Fusco, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN)*.

Segundo um levantamento realizado pelos especialistas da rede, com dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a onça-pintada é amplamente distribuída na Amazônia, ocorrendo em aproximadamente 89% do bioma. Mas mesmo com essa ampla distribuição, nas últimas três décadas houve um declínio de pelo menos 10% de sua população.

“O desaparecimento desses predadores pode gerar impacto em todo o ecossistema, por meio de um efeito cascata, que começa com o aumento de suas presas, geralmente herbívoros, que por sua vez impacta a composição e estrutura da vegetação. Essa bagunça no ecossistema pode trazer efeitos imprevisíveis, como a perda de biodiversidade, alteração na composição do solo, aumento de espécies exóticas e até mesmo na liberação de patógenos, o que pode potencialmente afetar a saúde humana”, alerta Ivan Baptiston, analista ambiental do ICMBio e membro da RECN.

Animais de hábitos solitários, os machos e fêmeas de onças-pintadas só se encontram na época do acasalamento. Geralmente nascem dois filhotes após cada gestação, que ficarão ao lado da mãe por cerca de dois anos. Esses felinos são ativos durante o dia e a noite e se alimentam de vertebrados de médio e grande porte, como anta, porco-do-mato, veado, tamanduá, capivara, jacaré, quati, dentre outros.

Na vida selvagem, as onças-pintadas podem viver entre 12 e 15 anos. Em cativeiro chegam ao dobro dessa idade. Mas ninguém quer ver esse animal tão maravilhoso fora de seu habitat natural, certo? Por isso precisamos lutar tanto pela sua proteção e preservação de seu habitat.

*Com informações e texto da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

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*A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

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Foto: pixabay/domínio público

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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