‘Criminoso climático, mentiroso, nojento’: ação nas ruas de NY denuncia Bolsonaro e descaso com Amazônia

'Criminoso climático, mentiroso, nojento': ação nas ruas de NY denuncia Bolsonaro e descaso com a Amazônia

Na véspera da Assembleia Geral da ONU, um caminhão circulou pelas ruas de Nova York com telões acoplados, exibindo imagens da Amazônia em chamas alternadas com a cara do presidente brasileiro e frases como ‘Amazônia ou Bolsonaro’, ‘Bolsonaro ou Amazõnia?”, “Prendam Bolsonaro’, ‘Bolsonaro, mentiroso’ e ‘Bolsonaro, criminoso climático’, ‘Mentiroso, perdedor e nojento. Bolsonaro está na cidade”.

A ação foi organizada por ativistas brasileiros e americanos e financiada por organizações ambientalistas – entre elas a Amazon Watch (as brasileiras preferiram manter sigilo sobre seus nomes para evitar retaliações) – e a US Network for Democracy in Brazil, que luta em defesa da democracia em nosso país.

Primeiro, o caminhão circulou por Wall Street e Times Square (abaixo) e em frente ao One World Trade Center.

'Criminoso climático, mentiroso, nojento': ação nas ruas de NY denuncia Bolsonaro e descaso com a Amazônia
A ação contra a presença de Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, passando por Wall Street / Foto: reprodução de video
'Criminoso climático, mentiroso, nojento': ação nas ruas de NY denuncia Bolsonaro e descaso com a Amazônia
O caminhão-manifesto na Times Square / Foto: reprodução de vídeo

Depois estacionou na rua onde fica a residência oficial da comitiva brasileira para aguardar o presidente que chegou logo em seguida. Foi recebido por manifestantes que gritavam “Bolsonaro genocida” e cantavam trechos da música ‘Apesar de você’, de Chico Buarque.

Ao jornal Folha de São Paulo, Christian Poirier, diretor de programas da Amazon Watch, disse: “Sabemos que Bolsonaro veio a NY para mentir que seu governo está protegendo a Amazônia e, por isso, temos o dever de denunciá-lo”. E completou: “O futuro da floresta está ameaçado por este presidente que diz protegê-la”.

Amanhã, o caminhão marcará presença em frente à sede da ONU e deverá permanecer por lá enquanto Bolsonaro participar da Assembleia Geral, na qual será o primeiro a discursar, como é de praxe, desde 1947.

Sem assinar nomes, as organizações brasileiras envolvidas na ação divulgaram nota na qual afirmam que “a mera presença de Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas demanda uma resposta”. Pois é, temos um governante petulante: o único que participará do encontro da ONU e não tomou vacina nem usa máscara de proteção! E tem a ousadia de assim representar o país.

“Ele é o homem que desmontou os instrumentos de fiscalização do desmatamento em seu país. O líder que autoriza e anistia o aumento recorde da destruição da Amazônia e de outros biomas”, destaca a nota, que completa: “E é o responsável por um dos maiores ataques aos povos indigenas do Brasil”.

Território neutro e constrangimento

Importante ressaltar que, como a sede da ONU é território neutro, não segue as regras impostas pela administração da cidade. Por isso, Bolsonaro poderá participar da assembleia, sem qualquer impedimento, como acontece nos estabelecimentos de NY.

Mas parece que o presidente não se incomoda, nem se constrange com esse tipo de situação. Ontem, em encontro com Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, passou por outra situação delicada – não pra ele, mas aos nossos olhos. Johnson, muito simpático, comentou sobre a parceria da britânica Astrazeneca com a Fiocruz, e declarou que havia tomado duas doses da vacina.

Ao saber que Bolsonaro não estava imunizado, disse: “Tem que tomar a vacina! Ao que o presidente respondeu: “Eu tive Covid. Estou com a taxa de imunização muito alta”. Johnson perguntou: “Sua imunidade?”. E Bolsonaro: “Sim, está excelente!”. Quem ele pensa que é?

Ironia do destino. Um dos integrantes da comitiva brasileira testou positivo para covid-19 no mesmo dia. A respeito, o governo declarou apenas que seria um funcionário do cerimonial da presidência que não teve contato com Bolsonaro e estava de quarentena.

Pito do prefeito

Reprodução vídeo

Ontem, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, fez críticas a Bolsonaro em coletiva para a imprensa. “Com os protocolos em vigor, precisamos enviar uma mensagem a todos os líderes mundiais, principalmente Bolsonaro, do Brasil, que se você pretende vir aqui, você precisa estar vacinado”. E acrescentou: “Se você não quer se vacinar, nem precisa vir!”. Para ilustrar sua fala, o prefeito usou uma foto do presidente (acima).

Na ocasião, Blasio divulgava o ponto de vacinação contra covid-19 montado para atender principalmente os participantes da Assembleia – diplomatas, integrantes das delegações e chefes de Estado – que ainda não estivessem imunizados.

“Todos precisam estar em segurança e juntos, isso significa que todos precisam ser vacinados”, declarou. “A grande maioria das pessoas na ONU, a grande maioria dos estados-membros está fazendo a coisa certa.”

Mais tarde, em seu Twitter, Blasio aderiu à ironia. Compartilhou o post do jornal ‘The Daily Beast’ (que deu as boas-vindas ao presidente, entre aspas) e indicou o link do ponto de vacinação. Na verdade, é um ônibus estacionado em frente à ONU, que faz parte do programa de incentivo ao acesso às vacinas.

“Estamos felizes em vacinar qualquer pessoa para manter a cidade segura e para manter todos os envolvidos em segurança”, declarou.

Não é de hoje que o prefeito de Nova York não simpatiza com Bolsonaro. Em abril de 2019 – portanto, pouco depois de sua eleição – o presidente brasileiro foi escolhido pela Câmara do Comércio Brasil-Estados Unidos como Personalidade do Ano (será que o fariam hoje?). E o prefeito de Nova York logo se pronunciou a respeito: declarou que considerava a homenagem como uma ironia e uma “contradição chocante”, como contamos aqui.

“Esse cara é um ser humano perigoso, não só por causa de suas posições abertamente racistas e homofóbicas, mas também porque, infelizmente, ele é a pessoa que pode definir o que acontecerá com a Amazônia no futuro“, contou Blasio. “Se ela for destruída, uma vez que ela faz parte de nosso ecossistema global, todos estaremos em perigo“. Um homem de visão, sem dúvida.

“Um extremista, como Bolsonaro, é uma ameaça ao futuro”

Ontem, o Imazon divulgou dados sobre o desmatamento da Amazônia: de janeiro a agosto de 2021, a área devastada foi 48% maior do que no mesmo período de 2020, como contamos aqui.

Para James Green, um dos coordenadores da Rede pela Democracia no Brasil, nenhum chefe de estado comprometido com temas como meio ambiente, direitos humanos e democracia deve acreditar no que diz Bolsonaro, nem recebê-lo ou tê-lo como aliado. À Folha, o ativista ainda disse: “Um extremista é uma ameaça ao futuro de todos nós”.

Hoje, 21/9, enquanto Bolsonaro discursar na sede da ONU, o caminhão ficará em frente ao prédio e, certamente, não estará sozinho: outros grupos e coletivos de ativistas prometem fazer projeções e desfilar com cartazes de protesto. Que ocupem o espaço e sensibilizem cidadãos e participantes do encontro das Nações Unidas!

Foto (destaque): reprodução de vídeo

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Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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