Crianças infectadas pelo coronavírus apresentam carga viral mais alta que adultos, revela novo estudo

Crianças infectadas pelo coronavírus podem apresentar carga viral mais alta que adultos, revela novo estudo

Bem no início da pandemia do novo coronavírus, quando ainda se conhecia pouquíssimo sobre a COVID-19, acreditava-se que a doença afetava principalmente os idosos. Oito meses depois, 22 milhões de contaminados no mundo inteiro e quase 800 mil mortes, especialistas de saúde sabem agora mais sobre o vírus e novos estudos surgem a cada dia, como o divulgado no The Journal of Pediatrics na quarta, (19/08), que afirma que crianças podem ter uma carga viral superior a dos adultos, quando infectados.

carga viral é o termo médico usado para a concentração de um vírus em um paciente infectado. Ela pode ser medida através de um exame de sangue ou das secreções das mucosas.

Ao analisar a carga viral de 192 pacientes, desde bebês até jovens de 22 anos, pesquisadores do Massachusetts General Hospital, em Boston, nos Estados Unidos, 49 deles (26%) testaram positivo para o SARS-CoV-2, vírus que provoca a COVID-19. Outras 18 crianças (9%) apresentaram mais tarde doenças relacionadas ao coronavírus.

O que chamou a atenção dos cientistas foi constatar que nos dois primeiros dias de sintomas desses jovens infectados a carga viral deles era mais alta do que a de adultos hospitalizados em estado grave.

“Fiquei surpresa com os altos níveis de vírus que encontramos em crianças de todas as idades, especialmente nos primeiros dois dias de infecção”, disse Lael Yonker, diretora do MGH Cystic Fibrosis Center e principal autora do estudo. “Não esperava que a carga viral fosse tão elevada. Você pensa em um hospital e em todas as precauções tomadas para tratar adultos gravemente enfermos, mas as cargas virais desses pacientes hospitalizados são significativamente mais baixas do que uma ‘criança saudável’, que anda por aí com uma alta carga viral de SARS-CoV-2″.

Os pesquisadores salientam que a transmissão do vírus por um indivíduo é maior se sua carga viral é mais elevada. No momento em que há planos para a reabertura de escolas no Brasil e nos Estados Unidos, o novo estudo alerta para o possível contágio de professores e outros profissionais em contato com crianças portadoras do SARS-CoV-2, que muitas vezes, são assintomáticas.

“As crianças não estão imunes a esta infecção”, afirma Alessio Fasano, diretor do Centro de Pesquisa de Imunologia e Biologia da Mucosa do Massachusetts General Hospital e um dos co-autores do estudo. “Durante esta pandemia de COVID-19, rastreamos principalmente indivíduos sintomáticos, portanto, chegamos à conclusão errônea de que a grande maioria das pessoas infectadas são adultos. No entanto, nossos resultados mostram que as crianças não estão protegidas contra esse vírus, por isso . não devemos descartá-las como propagadores em potencial desse vírus”.

Os especialistas destacam, entretanto, que as crianças têm menos probabilidade de ficarem gravemente doentes por causa da SARS-CoV-2. Mas há registro de alguns (poucos) casos de jovens pacientes que desenvolveram uma síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C) várias semanas após uma possível infecção ou exposição à COVID-19, com complicações cardíacas graves, incluindo hipotensão, choque e insuficiência cardíaca aguda.

*Com informações da Harvard Gazette

Leia também:
80 milhões de crianças deixam de ser vacinadas contra sarampo, polio e difteria por causa da pandemia de COVID
Nutrição para Imaginação: coletivo distribui kits para alimentar a criatividade das crianças e a brincadeira durante a quarentena
Greta Thunberg se une à Human Act e UNICEF em campanha para salvar e proteger as crianças vulneráveis durante a crise do coronavírus

Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta