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Corumbá festeja o tradicional Banho de São João, enquanto o Pantanal queima do outro lado do rio Paraguai

O tradicional arraial do Banho de São João na orla do Porto Geral, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, é a maior festa junina do Centro-Oeste, dura três dias (termina hoje, 23) e é realizada sempre no mês de junho, próximo do dia do santo, 24 (amanhã). Mas, este ano, a celebração contrasta barbaramente com o cenário na outra margem do Rio Paraguai, onde o fogo destrói o Pantanal.

Um dos vídeos que viralizam nas redes sociais (a imagem acima foi tirada dele; assista no final deste post), revela a situação dramática do bioma, ao fundo (ainda mais devido à duplicidade do fogo nas águas do rio), enquanto a festa acontece, animada. Se divulgada há mais de seis anos, a gravação poderia ser interpretada como ficção ou fakenews. 

Mas a realidade é, assim, terrível. E, ao assisti-la é impossível não se questionar como moradores e visitantes podem seguir com a festa vendo o fogo consumir o Pantanal. Por maior que seja a tradição, o momento é de tristeza profunda.

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Nos perfis da Prefeitura de Corumbá nas redes sociais, internautas protestaram contra a manutenção da festa a despeito da situação trágica  do Pantanal. 

“O São João é uma festa maravilhosa da nossa cultura. Mas manter a festa no estado em que a cidade está, cheia de fuligem e fumaça, olhando alguns metros dali uma cortina imensa de fogo, como se nada estivesse acontecendo?! Não dá pra acreditar!”, declarou um. 

“A prefeitura de Corumbá e o governo do estado são criminosos! Eles sabem bem o que tá acontecendo, mas um fundo emergencial para o IHP, para os bombeiros e para o PrevFogo eu não vi ninguém liberando”, denunciou outro.

“A fogueira está acesa faz horas no Pantanal”, ainda ironizou outro.

“Isso é uma distopia! Enquanto o Pantanal arde em fogo, as pessoas literalmente fingem que não vêem e a prefeitura segue normalmente com o festejo de São João, em Corumbá/MS”, diz mais um.

“A festa termina hoje. O incêndio continua”

“A festa de banho do santo, em homenagem a São João, é tradicional em Corumbá. Uma das únicas cidades no Brasil que mantém uma tradição de banho do santo nas águas do rio Paraguai, representando o batismo no rio Jordão”, contou a jornalista Claudia Gaigher ao divulgar o vídeo em seu Instagram. “A festa termina hoje” […]. “O incêndio continua”.

Há mais de 20 dias, quem vive em Corumbá respira a fumaça dos incêndios que, este ano, começaram mais cedo. A festa de São João geralmente antecede ou coincide com o início da temporada de seca, mas este é o primeiro ano em que ela acontece no primeiro semestre, ainda no mês de maio. 

Corpo de Bombeiros do MS e diversos grupos de brigadistas, incluindo a PrevFogo do Ibama, tentam controlar as chamas, dia e noite, mas enfrentam condições muito desfavoráveis: não só a seca, mas, também, o vento, que pode ultrapassar 50 km hora.

Os incêndios deste ano – de janeiro a junho foram registrados 2.5712 focos – superam os 2.434 focos do mesmo período em 2020, de acordo com monitoramento do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (como contamos aqui).

Apenas em junho foram 1.672 focos, sendo 1.401 em Mato Grosso do Sul, desses, 1.200 aconteceram em Corumbá. 

No sábado, pela manhã, o Corpo de Bombeiros concentrou-se na região de Abobral, próximo à Estrada Parque Pantanal, nas margens do Rio Paraguai, que atravessa Porto Murtinho. 

Aeronaves do Grupamento de Operações Aéreas (GOA), do Corpo de Bombeiros, e da Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo (CGPA), da Polícia Militar, atuaram em Bracinho, região próxima ao Porto Geral de Corumbá. 

Já em Barranco Branco, a corporação conta com a ajuda de fazendeiros para apagar as chamas. E um novo foco de incêndio foi identificado na BR-262.

Por outro lado, o incêndio que atingiu a vegetação próxima ao Forte Coimbra, à margem direita do Paraguai, está controlado e os bombeiros, agora, trabalham na prevenção.

Corumbá deve receber, esta semana, o reforço de cerca de 100 homens da Força Nacional de Segurança, que vão ajudar no combate às chamas

Fogo no Mato Grosso

No estado vizinho, o fogo foi detectado por satélite na Sala de Situação, instalada em Campo Grande pelo governo federal, em 14/6, para ações preventivas e de controle de incêndios e secas (como contamos aqui).

Bases avançadas do Corpo de Bombeiros do Redário e do Jardim São Lourenço, em Campo Grande, agora também ajudam a apagar o foco de incêndio identificado a aproximadamente 14 km da divisa com o Mato Grosso do Sul.

Agora, assista ao vídeo (autoria desconhecida) que causou indignação nas redes sociais:

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Com informações do G1, Campo Grande News e Primeira Página 

Foto: reprodução do vídeo

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