Coreia do Sul planeja proibir comércio e consumo de carne de cães

Coreia do Sul planeja proibição a comércio de consumo de carne de cães

Esse é um assunto controverso e polêmico há muitas décadas. Tradição em algumas culturas asiáticas, o consumo e a comercialização da carne de cães é muito criticado por sociedades ocidentais e sobretudo, organizações de proteção animal. Em um comunicado divulgado recentemente, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, afirmou que é hora de considerar a proibição dessa prática.

Apesar de não ser mais algo comum naquele país, sobretudo entre os mais jovens, e pesquisas revelarem que grande parte da população é contra o consumo, pessoas mais velhas ainda têm o hábito de comer carne de cães, especialmente em sopas, chamadas de “boshintang”, ou como tônicos, “gaesoju”, que teriam “o poder de revigorar o sangue e reduzir a letargia”. Mercados que vendem a carne e esses produtos e ainda, os proprietários das fazendas de cães, fazem pressão contra o fim desse comércio.

Em 2017, Moon Jae-in já tinha demonstrado sua intenção de adotar uma política em favor dos animais. Durante sua campanha, ele prometeu tomar medidas para acabar com o problema do abandono de bichos nas ruas. Logo que assumiu o governo, apareceu em fotos com Tori, um cãozinho da raça mongrel, que ele adotou de um abrigo.

Nos últimos anos, diversas entidades, como a The Humane Society, tem feito resgates de cães na Coreia do Sul e os enviado para serem adotados em outros países, como os Estados Unidos e Inglaterra.

“Não importa quantos cães resgatemos deste comércio brutal, nunca fica mais fácil tolerar as condições difíceis e terríveis que encontramos nos sobreviventes”, diz Kitty Block, CEO da Humane Society International e presidente e CEO da Humane Society dos Estados Unidos. “No resgate de cães mais recente em que o HSI trabalhou, a cena que saudou nossa equipe foi particularmente preocupante porque o abate foi realizado na própria fazenda. Por causa do trabalho incansável de nossa equipe e de nossos grupos parceiros na Coreia, esses cães estão um passo mais perto de um novo começo como queridos membros de uma família”.

Segundo a organização, a Coreia do Sul é o único país que cria cães de forma intensiva para consumo humano em grande escala. Estima-se que sejam 2 milhões por ano. “As condições nessas fazendas são horríveis – a maioria dos cães vive toda a vida em gaiolas de arame estéreis, sem abrigo adequado ou cuidados veterinários, com pouquíssima comida e água, sob temperaturas excruciantes, até que sejam brutalmente abatidos, geralmente por eletrocussão ou enforcamento”, denuncia a Humane Society Internacional.

Para estimular esses criadores de cães a abandonarem seu negócio, a ONG desenvolveu um programa junto com os sul-coreanos dispostos a deixar para trás essa prática. Além de comprar os animais, é feito um treinamento para possibilitar que o produtor comece a trabalhar em uma outra área, como por exemplo, com o cultivo de ervas medicinais, salsa aquática ou mirtilo. Os fazendeiros assinam um contrato de 20 anos, estipulando que não criarão cães ou quaisquer animais, e as gaiolas são demolidas para garantir que nenhum bicho sofrerá na propriedade no futuro.

Até hoje, a Humane Society International já resgatou mais de 2 mil cães na Coreia da Sul. Nos últimos anos, houve um aumento no número de pessoas que possuem um animal em casa no país, mas infelizmente, isso ainda é feito, principalmente, através da compra e não da adoção.

Coreia do Sul planeja proibir comércio de consumo de carne de cães

Cães sendo resgatados pelo organização numa fazenda de criação

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Fotos: Frank Loftus/The HSUS (abertura) e Jean Chung/HSUS

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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