Cordilheira do Himalaia é avistada pelos indianos, depois de 30 anos, devido à quarentena, que reduziu drasticamente a poluição

Em 24 de março, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, decretou isolamento social total no país, mas alguns indicados já haviam parado no dia 22. Ele comunicou que todos – cerca de 1,3 bilhão de pessoas – deveriam ficar em casa por, pelo menos, três semanas, ou até segunda ordem. Nas redes sociais, muitos posts revelaram a truculência da polícia, que agredia, com porrete, quem ousava desobedecer.

Além de contribuir para que a curva de contágio do coronavírus não disparasse, a medida reduziu drasticamente a poluição, melhorando a qualidade do ar e a visibilidade.

Sem a circulação de veículos – que geralmente costuma ser surreal por lá – e com as atividades industriais paradas, os níveis de poluição do ar melhoraram muito, segundo o Centro de Controle de Poluição. Relatório divulgado pela DIU (India Today Data Intelligence Unit) mostra que a poluição diminuiu 33% entre 16 e 27 de março, ou seja, com apenas três dias de quarentena.

Para a OMS (Organização Mundial de Saúde), o ar é aceitável quando apresenta limite de material particulado (PM 2.5) abaixo de 20mg/m3. Mas, na Índia, em geral, tais níveis são cinco vezes maiores: 100mg/m3. 

Foi por isso que, na semana passada, os indianos que moram em cidades do norte do país puderam ver, pela primeira vez em 30 anos, a majestosa cordilheira de Dhauladhar, no Himalaia.

As montanhas dessa cordilheira são classificadas em três faixas paralelas: himadri, himachal e shiwalik (Himalaia maior, Himalaia menor e Himalaia exterior, respectivamente). A que os moradores de Jalandhar avistaram fica na faixa de Himachal Pradesh, a 160 km de distância dessa cidade.

Rapidamente, posts com fotos da cordilheira se espalharam pelas redes sociais, revelando a alegria de todos que se depararam com tal beleza pela primeira vez. O sikh Sant Balbir Singh Seechewal, bastante conhecido como ativista ambientalque luta pela despoluição dos rios em seu país – declarou:

“Podemos ver as montanhas cobertas de neve das nossas casas. E as estrelas também estão visíveis durante a noite. Não vi nada parecido com isso nos últimos anos”. Ele acredita que tal visão surpreendente do Himalaia – que correu o mundo – pode servir como alerta e um chamado para que implementemos as mudanças necessárias em nosso estilo de vida. Tomara!

Veja a foto linda que Sant Balbir Singh Seechewal publicou em seu Twitter:

Everest interditado

Foto: Martin Jeninberg, Unsplash

No início de março – portanto, um pouco antes de começar a quarentena indiana -, o Nepal suspendeu as permissões para escalar o Monte Everest, que faz parte da cordilheira do Himalaia. A montanha é a mais alta do planeta, com 8.848 metros, e acessível por esse país (ao sul) e pela China (ao norte).

Sem dúvida, este foi um golpe para a economia do Nepal visto que o turismo de escalada é uma de suas principais fontes de divisas, mas a medida foi acertada: até a semana passada, só havia um caso de coronavírus confirmado. A China, por sua vez, notificou os organizadores expedições que a rota tibetana permanecerá fechada nos meses de abril e maio (pelo menos), os mais procurados para escalada devido às condições meteorológicas mais amigáveis.

Abaixo, veja mais algumas imagens divulgadas nas redes sociais e assista ao vídeo que revela a alegria dos moradores de Jalandhar ao avistarem os Himalaias. Eles subiram nos telhados de suas casas para apreciar essa maravilha.

Foto de Abbu Pandit

Fotos: Reproduções do Twitter

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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