Cooperativa no Paraná produz ervas e protege a floresta de araucárias

Chás, plantas e ervas medicinais que entram na composição de cosméticos, de produtos farmacêuticos e na área de alimentação. Há um quê de ciência e um quê de mágica, além da vívida lembrança das recomendações de uma avó, que sempre me envolvem quando tenho contato com esse universo, seja em alguma composição de cremes, remédios ou no consumo em forma de chá.

Alfazema, capim-limão, cavalinha, funcho, hortelã, melissa, espinheira santa, poejo, camomila, sálvia, endro, tomilho, erva mate… Imagine essas e outras dezenas de ervas sendo produzidas em mais de 80 propriedades de agricultores familiares, em 765 hectares de terras abraçados por chuvas regulares e clima frio, a 1.080 metros de altitude. E ainda, todas as terras com certificação orgânica pela Ecocert.

Pois esse é o caso dos produtos da marca Arvoredo, no município de Turvo, no Paraná.

A Coopaflora (Cooperativa de Produtos Agroecológicos, Artesanais e Florestais de Turvo), fundada em 2006 por agricultores familiares e técnicos locais, busca a produção e comercialização de plantas medicinais, aromáticas e condimentares desidratadas. Além de promover o desenvolvimento local, os agricultores ajudam na preservação ambiental e na recuperação e conservação das matas, principalmente das florestas com araucárias, ecossistema ameaçado de extinção.

O trabalho justo, a geração de renda e a lucratividade para os pequenos agricultores são valores essenciais nesse processo. Mais de 400 pessoas, entre familiares, funcionários e prestadores de serviço, compõem hoje o universo de trabalho da Coopaflora. O sistema agroecológico de produção é aqui a opção de trabalho e também uma filosofia de vida. O grupo já comercializou seus produtos para países como França, Suíça e Alemanha. A Natura também é um dos clientes, e é da produção da cooperativa que a L’Occitane Brasil adquire o pinhão da Araucária para sua linha masculina que leva esse mesmo nome.

Eu mesma já encontrei os chás da Arvoredo em lojas de produtos naturais e em feiras em São Paulo.

A cooperativa trabalha em parceria com administradores, economistas, engenheiros agrônomos, técnicos em agropecuária e professores do Instituto Agroflorestal Bernardo Hakvoort (IAF), e também com pesquisadores de diferentes áreas da Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro). Isso proporciona aos cooperados uma formação continuada em produção, beneficiamento e comercialização, além da conscientização ambiental e ecológica.

Como acontece na maior parte das histórias das cooperativas e empreendimentos solidários, também na Coopaflora as mulheres têm protagonismo fundamental para o desenvolvimento e estabelecimento das relações. E encontram também na economia solidária  o espaço do exercício de seus direitos e cidadania.

Confira o depoimento de duas integrantes da Cooperativa no vídeo abaixo:

Foto: DoDesign-S

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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