Congresso Nacional ganha iluminação laranja em protesto contra a extinção dos jumentos no país e como apoio às ações de proteção à espécie

Em 2018, a agência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou que havia mais de 800 mil jumentos no Brasil. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2017, apontam que, somente na região Nordeste, havia 86,7% desses animais.

Hoje, à noite, o edifício e as cúpulas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal – no Congresso Nacional – aparecerão coloridos de laranja em protesto contra o risco de extinção dos jumentos Brasil, e para apoiar as ações de combate ao abate da espécie.

A manifestação, que acontecerá somente hoje, visa chamar a atenção da sociedade para a crueldade praticada contra esses animais que merecem respeito e cuidado como qualquer ser senciente.

Congresso Nacional ganha iluminação laranja como protesto contra o risco de extinção dos jumentos no país e apoio às ações de proteção

As causas do aumento dos abates no país começaram com a adoção de práticas agrícolas mecanizadas, entre eles a troca desses animais pelas motocicletas, no transporte.

Em seguida, veio o aumento do interesse por sua carne e sua pele, que começaram a “gerar consequências desastrosas como abandono, condições precárias de vida e o abate desenfreado“, como destaca artigo publicado em agosto de 2021 pelo semanário online – Edgar Digital, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Mortos por seu colágeno

A principal ameaça é a comercialização legal e ilegal da pele dos jumentos no mercado externo. A demanda internacional se dá devido a um produto chamado ejiao, produzido a partir do colágeno da pele de jumentos. Maldita obsessão pela beleza!

Em 2021, a exportação desse “material” para a China intensificou a matança de jumentos no Nordeste. Somente em abril desse ano, 5.396 jumentos foram abatidos na Bahia, de acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

De acordo com o IBGE, de 2011 a 2017, foi registrada queda de 38% da população dos jumentos.

A ausência de políticas públicas de proteção e bem-estar potencializam o risco. Segundo Chiara Oliveira, zootecnista, professora da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia (EMVZ) e membro da Comissão de Bem-Estar Animal do Conselho Regional de MV (CRMV-BA) do estado, o risco de extinção é real.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento informa que, de agosto a setembro de 2017, em apenas um abatedouro (sem especificar a localidade), foram mortos 44 mil jumentos. “Esse dado não abrange mortes ocorridas durante o transporte nem aquelas causadas por doenças”, destaca a Agência Câmara de Notícias.

Em 2018, foi feito prognóstico com base no ritmo de abate vigente até então e chegou-se à conclusão que, se assim fosse mantido, resultaria na produção de 200 mil peles de jumento por ano, o que poderia levar à sua extinção até 2022. Este ano!

Com a “desaceleração do abate devido ao período de suspensão de dezembro de 2018 a setembro de 2019 e a redução da quantidade de frigoríficos, a especialista declarou, no ano passado, que certamente ainda teríamos uns cinco anos pela frente até a redução drástica da espécie até seu desaparecimento. Chiara também coordena o projeto Rota do Jumento, que vale acompanhar.

8 mil porcento de aumento nos abates!

Em agosto de 2021, a revista científica Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science (BJVRAS), editada pela Universidade de São Paulo (USP), “uniu ciência e ativismo em uma edição especial totalmente dedicada aos jumentos“, com 15 artigos assinados por pesquisadores nacionais e internacionais.

Cinco desses artigos são de autoria de pesquisadores da EMVZ, da UFBA – entre eles Chiara – e denunciam que, entre 2015 e 2019, o abate aumentou 8.000% (!!!) – totalizando 91.645 animais mortos -, o que coloca a espécie “em rota de extinção”. Outros temas abordados pela publicação: como garantir o bem-estar e a proteção animal, a cooperação técnica e a saúde. Ou seja, jeito de evitar esse desaparecimento existe, só falta vontade política para impedi-lo.

Foto: Creative Commons


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Foto: Senado Federal

Fontes: Edgar Digital (UFBA) e Agência Câmara de Notícias

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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