Onde se planta jornalismo, floresce democracia

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, as mídias e jornalistas ambientais garantem que não irão se acovardar frente aos desafios de expor à sociedade as pressões e desmantelamentos provenientes da gestão pública e de outros setores, como também irão divulgar as ações proativas em favor dessa agenda, no Brasil e no mundo. 

O trabalho iniciado pelo professor Paulo Nogueira Neto no Governo Federal, de 1975 a 1985, criou as bases da institucionalidade e da missão do que viria a ser o Ministério do Meio Ambiente, levando a política ambiental ao patamar de política de Estado. 

Cada um dos secretários, ministros e ministras que sucederam a Nogueira-Neto deixou sua marca na evolução das políticas ambientais ao enfrentar desafios na capacitação de profissionais e no estabelecimento de instâncias de fiscalização e controle de crimes ambientais em todos os biomas. Até há pouco, o Brasil era reconhecido em foros internacionais pelos compromissos assumidos com a sua megabiodiversidade. E pelo que já realizou. 

O Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, evento fundamental para o futuro da sociedade humana no planeta Terra. 

No cenário internacional, o Brasil assumiu uma posição de protagonismo nas mais diversas conferências internacionais, em especial nas COPs climáticas, onde o Ministério do Meio Ambiente e o Itamaraty foram capitais para o avanço nos compromissos e metas para a redução da emissão de gases estufa e mitigação das mudanças climáticas

Em 2018, mesmo antes de assumir o governo, o atual presidente exigiu que a COP 24 não fosse sediada no país. E, em janeiro de 2019, com poucos dias de governo anunciou o fim do Ministério do Meio Ambiente, o que não aconteceu graças às reações internas e internacionais. Não demorou para arranjar alguém que aceitasse a missão de destruir o legado ambiental: o ruralista Ricardo Salles.

O escolhido tem, no currículo, passagem controversa pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, com condenação em um processo judicial por improbidade administrativa, que se encontra suspensa, pendente de julgamento de recurso; além de uma proximidade constrangedora com o ruralismo mais reacionário.

Não passarão!

Depois de dois anos no poder, está claro que, não podendo extinguir o Ministério do Meio Ambiente, o atual  Governo quer destruir os organismos ambientais por dentro, com a reestruturação de colegiados para retirar a participação da sociedade organizada, os ataques deliberados aos técnicos e pesquisadores que são a base do conhecimento e da estrutura de comando e controle que tornaram o Brasil respeitado mundialmente. 

Os anteriores responsáveis pela área não foram perfeitos e muitos receberam críticas contundentes de mídias e jornalistas especializados na cobertura ambiental. Mas todos atuaram no campo da democracia e no respeito à liberdade e ao papel da imprensa na construção de sociedades modernas. 

Desta vez, temos um ministro que quer aproveitar a morte de mais de 20 mil pessoas para atuar sob o manto da escuridão.

O que podemos dizer, senhor ministro, é que não há “apagão” no jornalismo ambiental brasileiro, mídias e jornalistas que cobrem meio ambiente estão atentos para cobrir cada passo seu, cada papel assinado, cada ato que parte de seu gabinete, para informar a sociedade sobre o “estelionato” ambiental engendrado para arrancar da sociedade, dos povos indígenas, quilombolas e das florestas, a vida em alguns dos mais ricos ecossistemas do planeta Terra.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, afirmamos que as Mídias Ambientais brasileiras não deixarão passar nenhum ato criminoso contra a terra, a gente e a biodiversidade de nosso país com nome de árvore, Brasil!

Assinam mídias e jornalistas integrantes da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental:
Agência EcoNordeste 
Agência Envolverde 
AgirAzul  Notícias
Amazônia Latitude
Amazônia Real
AMA – Amigos do Meio Ambiente
Blog Cidadãos do Mundo  
Conexão Planeta
ECO21
Mídia Orgânica
Notícia Sustentável
O Eco  
Página 22 
Plurale
Projeto Colabora
REAJA – Rede Ativista de Jornalismo Ambiental
Revista Amazônia  
Revista Ecológico  

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Foto: Alberto Araújo / Amazônia Real

Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental

A RBJA - Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental foi criada em 1998 para viabilizar o aprimoramento da atividade jornalística em temas de meio-ambiente e qualidade de vida e o intercâmbio de informações, textos e experiências, oportunidades de trabalho e estágios, entre jornalistas e estudantes de jornalismo. Em 25 de maio de 2016, foi institucionalizada e seu presidente é Adalberto Wodianer Marcondes. Faz parte de sua missão promover debates sobre jornalismo ambiental e integrar profissionais que divulguem temas relacionados à sustentabilidade.

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