Condenação de policial que matou George Floyd é marco histórico na luta contra a violência a negros nos Estados Unidos

Condenação de policial que matou George Floyd é marco histórico na luta contra a violência a negros nos Estados Unidos

Americanos de todas as idades e raças foram às ruas em várias cidades do país ontem (20/04) “celebrar” a condenação do policial Derek Chauvin, que matou George Floyd.

No dia 25 de maio do ano passado, em Powderhorn, um bairro ao sul de Minneapolis, maior cidade do estado de Minnesota, Floyd, um ex-segurança, de 46 anos, foi parado na rua por policiais. Ele havia sido acusado de usar uma nota falsa para comprar um maço de cigarros. Algemado, foi mantido no chão, com o joelho de um policial, branco, em seu pescoço, durante mais de 9 minutos.

Apesar dos protestos de outras pessoas na rua e de Floyd suplicar insistentemente que “Eu não consigo respirar”, o policial não se mexeu. O americano foi levado inconsciente para o hospital e mais tarde foi anunciada sua morte. Por asfixia.

O assassinato de Floyd provocou uma convulsão social não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro. Apesar da pandemia, milhões de pessoas foram para as ruas protestar contra a violência e a discriminação que os negros enfrentam há séculos. Nos Estados Unidos, a situação é ainda pior, através de um racismo estrutural, entremeado em todos os setores da sociedade.

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Punhos levantados: símbolo da luta contra o racismo estrutural americano

Policial condenado: decisão histórica

O julgamento do policial, que demorou três semanas, foi acompanhado com grande ansiedade não só pelos familiares de Floyd – como seu sobrinho, Brandow Willians, que aparece na imagem que abre este texto -, mas pelo país inteiro, inclusive, pelo presidente Joe Biden. Foram ouvidas diversas testemunhas. A defesa tentou alegar que a morte do ex-segurança teria sido agravada pelo seu uso de drogas, mas o argumento não convenceu os jurados.

Derek Chauvin foi culpado das três acusações de assassinato: em segundo e terceiro graus e por homicídio culposo. Logo após o anúncio do veredicto, o policial já foi algemado e levado para a prisão. Até então, ele estava respondendo ao processo em liberdade.

A sentença final só será anunciada daqui a dois meses. Chauvin pode pegar até 40 anos de prisão.

Os outros três policiais que participaram da ação que resultou na morte de George Floyd ainda serão julgados.

Condenação de policial que matou George Floyd é marco histórico na luta contra a violência a negros nos Estados Unidos

Registro de um dos muitos atos de protesto que aconteceram no país desde o ano passado

O legado do caso George Floyd

A decisão é um marco na história dos Estados Unidos. A condenação de um policial por assassinato é algo extremamente raro. Houve apenas sete casos assim desde 2005. Segundo análise feita pelo jornal The New York Times, as chances de um assassinato pela polícia acabar em condenação são de cerca de um em 2 mil.

Joe Biden usou suas redes sociais para se pronunciar sobre a condenação de Chauvin. “O veredicto de culpado não traz de volta George Floyd. Mas, por meio da dor da família, eles estão encontrando um propósito para que o legado de George não seja apenas sobre sua morte, mas sobre o que devemos fazer em sua memória”, escreveu.

E o presidente enfatizou. “Podemos e devemos fazer mais para reduzir a probabilidade de tragédias como essa acontecerem ou ocorrerem novamente. Para garantir que os negros e pardos – ou qualquer pessoa – não temam as interações com as autoridades. Este pode ser um passo gigante na marcha em direção à justiça na América”.

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Manifestante em protesto contra o racismo em Ottawa, no Canadá

Líderes de movimentos de direitos humanos, como o Black Lives Matter, pedem o desinvestimento de dinheiro público na polícia. Eles alegam que o enorme montante de recursos aplicados no setor seja redirecionado para projetos sociais, que tirem da marginalidade as populações negras dos Estados Unidos.

O lugar onde George Floyd foi assassinado, em Minneapolis

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Fotos: Chad Davis (mural/flores), Bluescruiser1949 (mulher negra protestando), Lorie Shaull (sobrinho de Floyd) e Anthony Crider (todas Creative Commons/Flickr) e Tito Texidor III on unsplash (jovem com camisa “I can’t breath”)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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