Companhia aérea Emirates registra aumento de 40% no consumo de refeições veganas em seus voos

Quando decidiu fortalecer o cardápio a bordo de suas aeronaves com novas opções de receitas veganas, em 2020, a direção da companhia aérea Emirates, dos Emirados Árabes Unidos, certamente não imaginou que os passageiros seriam tão receptivos. Surpresa boa!

A empresa anunciou, este mês, que a procura anual por pratos à base de plantas aumentou 40%! Por isso, em breve, deve revelar novas opções escolhidas em seu “cofre vegano” de refeições, elevando para 300 o total de receitas oferecidas.

Em números absolutos, a Emirates serviu mais de 450 mil refeições veganas em 2023, contra 280 mil em 2022. Ou seja, 60% mais, mas quando alinhado com o volume de passageiros, a porcentagem cai para 40%. Mas há que se considerar a procura por região para se compreender melhor o perfil desse consumo.

No Oriente Médio, por exemplo, o aumento no consumo de refeições excedeu o crescimento de viajantes, sendo de 34%. Bastante significativo, como nas rotas da Emirates para ChinaJapão e Filipinas. Já, na África, a opção por refeições veganas cresceu apenas 4% e, no sudeste asiático, 5%. 

Com mais um detalhe: a maior quantidade de pedidos foi realizada por passageiros da classe econômica.

Tripulação vegana

As receitas que chamamos de veganas – nas quais não são utilizados ingredientes de origem animal – não são uma novidade completa na Emirates. 

Desde os anos 90, a companhia oferece esse tipo de cardápio. Naquela época, era restrito a rotas específicas como Adis Abeba – onde, em determinados períodos do ano, são exigidos pratos veganos devido à fé ortodoxa etíope – e outras regiões em que a religião determina uma dieta à base de vegetais.

No entanto, é inegável o crescimento da popularidade das refeições veganas nos voos da companhia ‘de’ e ‘para’ Estados Unidos, Austrália e alguns países europeus e asiáticos, em especial nos últimos dez anos, quando a empresa notou aumento no interesse por pratos “sem ingredientes animais”. 

E esse interesse não se restringe aos passageiros, veja só: desde 2018, refeições veganas são consumidas pelas tripulações. Uma refeição mais leve certamente combina melhor com suas atribuições em voo. 

Menu gourmet, novos pratos e ingredientes locais  

Desde 2022, a Emirates oferece um menu gourmet distinto para a ‘primeira classe’ e a ‘classe executiva’, atendendo à demanda dos passageiros por refeições estritamente veganas ou apenas “saudáveis e leves para a viagem”. 

E, para 2024, promete lançar uma nova seleção de pratos veganos, como também lanches, pizzas e sobremesas. 

Pelo porte da companhia, a variedade de fornecedores de ingredientes para suas refeições é gigante e de todo o mundo, mas a política da companhia nessa área estabelece que exista uma preocupação em utilizar ingredientes locais.

E as outras companhias?

A iniciativa da Emirates por contemplar o veganismo reflete uma tendência mundial que já influenciou outras companhias aéreas.

A Hong Kong Cathay, por exemplo, é líder nesse quesito e oferece grande variedade à base de plantas por meio de parcerias locais. 

Na American Airlines, Korean Air, Qantas, Qatar Airways, Singapore Airlines e Virgin Atlantic o oferecimento de pratos veganos é restrito: apenas em alguns voos e determinadas classes, com cardápio bastante limitado também. 

No Brasil, não há o registro de um movimento grande nesse sentido. Caso o passageiro tenha restrições ou preferências, deve informá-las na compra da passagem ou até 24 horas antes do voo. Mas, em boa parte dos voos domésticos, as opções de refeição têm se restringido a snacks, cookies e bebidas como água, suco e refrigerante. Você aceita se quiser. 

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Foto de Jo Sonn/Unsplash 

Fontes: Emirates Airlines, Green Queen, Vegan Food & Living, Aviation Business News

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Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.