Com menos de 700 cervos-malhados-das-Filipinas vivos na natureza, nascimento de filhote em cativeiro é estratégia para salvar espécie da extinção

Com menos de 700 cervos-malhados-das-Filipinas vivos na natureza, nascimento de filhote em cativeiro é estratégia para salvar espécie da extinção

Nos últimos anos, com o aumento cada vez maior no número de espécies de animais em risco de extinção, devido à redução de indivíduos na vida selvagem, uma estratégia importante começou a ser utilizada por programas de conservação: a criação de pequenas populações saudáveis e seguras, mesmo que fora de seus habitats originais, para a reprodução em cativeiro e dessa maneira, garantir a diversidade genética dessas espécies e a sobrevivência de suas linhagens.

Há poucos dias escrevi sobre dois exemplos de iniciativas dessa estratégia: o filhote de rinoceronte de sumatra, espécie da qual só restam cerca de 80 indivíduos no planeta, que nasceu em um santuário de vida selvagem, no Parque Nacional de Way Kambas, na Indonésia, e o pequeno coala, primeiro filhote nascido na Europa, no Longleat Safari Park, na Inglaterra, resultado de um projeto feito em parceria com o governo da Austrália (os coalas foram declarados oficialmente ameaçados de extinção no mês passado).

De maneira similar, outro zoológico na Inglaterra implementou um programa, mas juntamente com o governo das Filipinas, para tentar evitar que o cervo-malhado-de-visayan (Rusa alfredi) desapareça da natureza. Estima-se que sejam menos de 700 animais da espécies ainda vivos. Em muito lugares desse país sul-asiático, esses animais já foram extintos, consequência da caça e do desmatamento. Atualmente eles só são encontrado nas ilhas de Panay e Negros.

Por isso, recentemente o Chester Zoo celebrou o nascimento de Lyra. Batizada com o nome de uma constelação de estrelas, ela é filha de Nova e Cosmos. Chegou ao mundo com apenas 3 kg e 30 cm, após oito meses da gestação da mãe.

“Cada nascimento de um cervo filipino é absolutamente crucial para a sobrevivência a longo prazo desta espécie, por isso estamos muito felizes ao ver este “pacote fofo” ao lado da mãe. Lyra é nossa nova estrelinha!”, diz Emma Evison, uma das cuidadoras do filhote no Chester Zoo.

Com menos de 700 cervos-malhados-das-Filipinas vivos na natureza, nascimento de filhote em cativeiro é estratégia para salvar espécie da extinção

Lyra, ao lado da mãe

Enquanto isso, nas Filipinas há um esforço pela preservação e recuperação do habitat do cervo-malhado, assim como tem sido feita a reintrodução de indivíduos em algumas áreas. Em 2020, 28 deles foram levados para uma reserva de proteção.

O zoológico inglês também financiou a construção e o trabalho de dois centros de reprodução da espécie em Panay e Negro.

“Esta é a primeira vez que uma reintrodução dessa escala é tentada na região e é um momento marcante para o futuro da espécie, graças a uma colaboração mundial de conservacionistas”, celebra Stuart Young, diretor do programa para as ilhas do sudeste asiático.

Há três espécies de cervos endêmicas nas Filipinas, que possui um arquipélago com mais de 7 mil ilhas, localizadas entre a Malásia, Indonésia, Taiwan e China. Herbívoros, esses animais se alimentam da vegetação da floresta, ou seja, são realmente impactados pela degradação ambiental.

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Parceria entre o zoológico inglês e o governo das Filipinas já dura mais de 20 anos

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Fotos: divulgação Chester Zoo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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