“Colocarei os Estados Unidos de volta no Acordo de Paris”, diz Joe Biden, em debate com Trump, no qual citou o desmatamento no Brasil

"Colocarei os Estados Unidos de volta no Acordo de Paris", diz Joe Biden, em debate com Trump, no qual citou o desmatamento no Brasil

Na noite da terça-feira (29/09), foi realizado o primeiro debate entre os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, que concorre à reeleição, e o representante do partido democrata, Joe Biden. Em um encontro acalorado, considerado o pior debate da história recente do país e vergonhoso por especialistas, o atual presidente interrompeu seu opositor o tempo inteiro, mentiu e mostrou o que tem de mais baixo.

Entre os assuntos discutidos no debate e os quais os eleitores americanos conseguiram ouvir pouquíssimo tal a agressividade e a verborragia de Trump, estavam a pandemia, a economia americana, sistema público de saúde, racismo e mudanças climáticas.

Ao citar os incêndios na Califórnia, que já destruíram mais de 1,5 milhão de hectares e tiraram a vida de dezenas de pessoas, o jornalista Chris Wallace perguntou se Trump acreditava na ciência e nas evidências sobre a crise climática e o que faria nos próximos quatro anos. O presidente disse que acreditava em “água cristalina e ar limpo para os americanos”, que as emissões do país estavam “baixas” e que o governo tem atuado “fenomenalmente”, termo que ele adora usar.

“Eu não destruí nossa economia. Porque o Acordo de Paris era um desatre… Sobre os incêndios, o que falta na Califórnia é uma administração das florestas, limpar as folhas secas no chão…”, afirmou Trump.

Apesar de soar como piada, não é. Trump realmente pensa, ou ao menos tentou convencer o eleitorado americano, que o problema na Califórnia será resolvido com a “limpeza das folhas secas”.

Vale ressaltar, que desde que assumiu o cargo, o atual presidente – que não acredita em aquecimento global -, assinou uma série de decretos que derrubaram leis de preservação ambiental e de combate às mudanças climáticas criadas por seu antecessor, Barack Obama. Tirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, compromisso assinado por quase 200 países, em 2015, para reduzir as emissões de carbono e dessa maneira, tentar frear o aumento da temperatura na Terra (leia mais aqui).

Já Biden, que anunciou em julho, que se eleito, colocará em ação um plano de U$ 2 trilhões contra a crise climática, prometeu ainda que sob sua gestão não serão construídas mais usinas de carvão, que haverá uma transição para as energias renováveis e da frota de veículos do país para modelos elétricos, com instalação de postos de recarga nas estradas.

“Pretendemos criar milhões de empregos ao investir em uma nova infraestrutura verde. E a primeira coisa que farei será colocar os Estados Unidos de volta no Acordo de Paris“, ressaltou. “Sem nossa presença, veja o que está acontecendo. Ele está desmoronando. A floresta tropical do Brasil está sendo destruída. Meu plano é reunir diversos países e arrecadar 20 bilhões de dólares para que a floresta deixe de ser derrubada. E se isso não for feito, haverá consequências econômicas”.

O candidato democrata também falou da situação dos Estados Unidos, que atualmente gasta bilhões de dólares para enfrentar desastres naturais que cada vez são mais frequentes, como furacões, enchentes e o aumento do nível do mar.

“Estamos com muitos problemas. Furacões devastam cidades inteiras no Iowa. Isso não acontecia antes. Acontece agora devido ao aquecimento global. Somos responsáveis por 15% do problema (emissões globais de carbono). Por isso precisamos voltar ao Acordo de Paris”, completou.

Assista abaixo, em inglês, o trecho completo do debate que teve como tema a crise climática:

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Foto: reprodução Facebook Joe Biden

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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