Cientistas reproduzem enzima natural que recicla plástico PET em horas

Cientistas reproduzem enzima natural que decompõe plástico em horas

Estima-se que 359 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente em todo o mundo. Desse total, entre 150 e 200 milhões de toneladas são descartadas em aterros sanitários ou na natureza. E o polietileno tereftalato, o PET, é o plástico mais abundante, com quase 70 milhões de toneladas fabricadas por ano, globalmente.

Apesar de ser reciclável, o processo para tal requer muita energia e é longo. Mas cientistas de uma empresa francesa, em parceria com pesquisadores da Universidade de Toulouse, conseguiram reproduzir, em laboratório, uma enzima mutante, encontrada originalmente na compostagem de folhas, que “quebra” o plástico PET rapidamente.

A descoberta feita pela Carbios foi divulgada em artigo científico na revista Nature. Segundo os pesquisadores, com a enzima é possível degradar 90% do plástico em apenas 10 horas, em comparação ao sistema tradicional que decompõe 1% em várias semanas.

“É um verdadeiro avanço na reciclagem e fabricação de PET. Graças à tecnologia inovadora, a indústria do setor se tornará verdadeiramente circular”, afirma Saleh Jabarin, professor da Universidade de Ohio e membro do Comitê Científico da Carbios.

Para encontrar a enzima ideal, os cientistas da empresa francesa levaram mais de uma década analisando a ação de cerca de 100 mil micro-organismos sobre a decomposição do plástico.

Com o material obtido após a reciclagem, os cientistas se certificaram que ele seria resistente suficiente para fabricar novamente plástico de qualidade. E o resultado foi excelente!

A Carbios revelou que já trabalha com uma outra empresa de biotecnologia para poder produzir a enzima em larga escala daqui a poucos anos. Pepsi e L’Óreal também fizeram parte dos investimentos no desenvolvimento da tecnologia.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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