Cientistas fazem registro inédito de bioluminescência em tubarões: o maior vertebrado que brilha no planeta

Cientistas fazem registro inédito de bioluminescência em tubarão: o maior vertebrado a brilhar no planeta

São muitas as espécies de animais no mundo dotadas da habilidade de emitir luz. Em janeiro mostramos em outra reportagem, a descoberta de uma lagartixa fluorescente que vive no deserto da Namíbia. Mais recentemente, em um artigo científico na revista internacional Frontiers in Marine Science, cientistas conseguiram registrar, pela primeira vez, a bioluminiscência em três espécies de tubarões da Nova Zelândia, que vivem em grandes profundidades, entre 200 e 1 mil metros abaixo da superfície.

A bioluminescência, capacidade de produzir luz visível por meio de uma reação química em organismos vivos, é observada em muitos animais marinhos, mas nunca antes havia sido documentada em tubarões dessas proporções. O gata-lixa (Dalatias licha), por exemplo, pode passar de 1,80 metro de comprimento. E agora é considerado o maior vertebrado do planeta que brilha no escuro.

“A bioluminescência tem sido frequentemente vista como um evento espetacular, mas incomum nos oceanos, todavia, considerando a vastidão do mar profundo e a ocorrência de organismos luminosos nesta zona, é agora cada vez mais óbvio que a produção de luz em profundidade deve desempenhar um papel importante na estruturação do maior ecossistema do nosso planeta”, afirmam os pesquisadores.

Quando mantidas em ambientes totalmente escuros, as três espécies de tubarões coletadas na região de Chatham Rise – Dalatias lichaEtmopterus lucifer e o Etmopterus granulosus – emitiram uma luz azulada em seu ventre.

Cientistas fazem registro inédito de bioluminescência em tubarão: o maior vertebrado que brilha no planeta

Os cientistas ainda tentam entender porque esses animais usam a bioluminescência. Numa profundidade de 200 metros, a luz solar já é considerada muito fraca, mas os organismos que vivem lá estão bem adaptados para ver em condições de pouca luz.

Os animais que vivem nessas “twilight zones” (zona de crepúsculo ou penumbra”), como são chamadas, têm olhos grandes com estruturas especializadas, como uma grande íris e uma elevada taxa de integração no nervo óptico que lhes permite perceber níveis de luz muito baixos até 800 metros de profundidade.

A suspeita dos pesquisadores é que os ventres brilhantes dessas três espécies podem ajudar a camuflá-los de quaisquer ameaças que possam vir de baixo. Ou no caso do gata-lixa, com poucos ou nenhum predador, que a bioluminescência seja usada para iluminar o fundo do mar enquanto ele busca alimentos ou para se disfarçar ao se aproximar de sua presa.

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Fotos: reprodução artigo científico

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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