Cientistas descobrem que os cérebros humano e dos polvos têm um mesmo tipo de gene

Cientistas descobrem que os cérebros humano e dos polvos têm um mesmo tipo de gene

Há muito tempo a ciência demonstra como os polvos são animais extraordinários e apresentam um sistema nervoso bastante complexo. Tanto é que, em 2021, o governo do Reino Unido reconheceu que os eles são seres sencientes, ou seja, são capazes de terem sentimentos, como dor, prazer, fome, sede ou alegria.

Outros estudos anteriores já tinham revelado, por exemplo, como os polvos apresentam duas fases de sono, de maneira muito similar aos seres humanos. E em uma delas, inclusive, eles mudam de cor.

Agora, uma nova pesquisa realizada por cientistas da Estação Zoológica Anton Dohrn e da Escola Superior Internacional de Estudos Avançados (SISSA), na Itália, aponta mais uma similaridade entre seres humanos e polvos: os cérebros de ambos possuem um mesmo tipo de gene.

O gene é um segmento de uma molécula de DNA, responsável pelas características herdadas geneticamente. Cada gene é composto por uma sequência específica de DNA que contém um código (instruções) para produzir uma proteína que desempenha uma função específica no corpo.

No caso dos polvos, os pesquisadores descobriram que eles também têm um grande número de ‘genes saltadores’ (elemento transponível ou transposon), que são capazes de se duplicar ou se mover pelo genoma. Eles foram encontrados em duas espécies, a mais comum delas, a Octopus vulgaris, e a observada na Califórnia, a Octopus bimaculoides.

“Eu literalmente pulei na cadeira quando, sob o microscópio, vi um forte sinal de atividade deste elemento no lobo vertical, a estrutura do cérebro que no polvo é a sede do aprendizado e das habilidades cognitivas, assim como o hipocampo em humanos”, diz Giovanna Ponte, pesquisadora da Estação Zoológica Anton Dohrn.

Ainda segundo os envolvidos no estudo, ele prova que o cérebro do polvo é funcionalmente análogo em muitas de suas características ao dos mamíferos.

“A descoberta de um elemento, ativo no cérebro de duas espécies de polvos, é muito significativo porque dá suporte à ideia de que esses elementos têm uma função específica que vai além de copiar e colar”, explica Remo Sanges, diretor do laboratório de Genômica Computacional da SISSA.

*Com informações da SISSA

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Foto: domínio público/rawpixel

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.