Cientistas descobrem nas águas da Austrália a maior planta do planeta: com 180 km de extensão e cerca de 4.500 anos

Cientistas descobrem nas águas da Austrália a maior planta do planeta: com 180 km de extensão e cerca de 4.500 anos

A descoberta se deu por acaso. Pesquisadores australianos estavam mergulhando nas águas rasas de Shark Bay, a cerca de 800 km ao norte da cidade de Perth, para entender melhor como era o crescimento de gramas marinhas (seaweeds, em inglês). Para isso, precisavam fazer a coleta de DNA das plantas. Os cientistas então começaram a analisar uma espécie em particular, a Posidonia australis, com longas folhas verdes, lembrando fitas, que dançam no mar com o movimento das correntes marítimas. Todavia, eles levaram um susto ao constatar seu tamanho: ela tinha 180 km de extensão.

“O resultado nos surpreendeu: era uma planta só. Uma única planta se estendendo por um trecho de 180 km, tornando-se a maior planta conhecida na Terra”, contou Jane Edgeloe, bióloga marinha da University of Western Australia e principal autora do artigo científico publicado nesta quarta-feira (01/06) na revista Proceedings of the Royal Society B, em que a incrível descoberta é descrita.

E como exatamente os pesquisadores conseguiram determinar a extensão da planta? “Coletamos amostras de brotos de dez prados de grama marinha de toda a Shark Bay, em águas onde os níveis de sal variam da salinidade normal do oceano a quase duas vezes mais salgadas. Em todas as que estudamos – 18 mil marcadores genéticos -, descobrimos que 200 km² dessas plantas se expandiram a partir de uma única muda colonizadora“, diz Jane.

Ela explica ainda que esses prados de gramas marinhas subaquáticas crescem de duas maneiras: por reprodução sexual, que os ajuda a gerar novas combinações de genes e diversidade genética, e também por estender seus rizomas, os caules subterrâneos de onde emergem raízes e brotos.

E não foi só a enorme extensão da Posidonia australis que chamou a atenção dos envolvidos na análise, que indica que ela apresenta o dobro de número de cromossomos de outras similares. Além disso, foi estimada a idade dessa gigantesca planta. A conclusão a que se chegou é que tem aproximadamente 4.500 mil anos!

Sabe-se que as dunas de areia de Shark Bay foram inundadas há aproximados 8.500 anos, quando o nível do mar subiu, após a última era glacial. Ao longo dos milênios seguintes, os prados de gramas marinhas se expandiram e baseados no seu tamanho e média de crescimento estimou-se a idade milenar da Posidonia australis.

“Nossa planta pode de fato ser estéril. Isso torna seu sucesso nas águas variáveis de Shark Bay um enigma: as plantas que não fazem sexo tendem a ter também baixos níveis de diversidade genética, o que deve reduzir sua capacidade de lidar com ambientes em mudança”, revela a bióloga.

Flores da Posidonia australis
(Foto: Ângela Rossen)

Gramas marinhas produzem frutas, flores e sementes anualmente e têm um papel importantíssimo na absorção de carbono. Vale lembrar que os oceanos absorvem de 20 a 30% das emissões humanas de CO2, um dos gases apontados como sendo o principal responsável pelo aquecimento global.

“As gramas marinhas não estão imunes aos impactos das mudanças climáticas: o aquecimento das temperaturas, a acidificação dos oceanos e os eventos climáticos extremos são um desafio significativo para elas. No entanto, a imagem detalhada que temos agora da grande resiliência dessas gigantes de Shark Bay nos dá esperança de que elas continuarão por muitos anos, especialmente se forem tomadas medidas sérias sobre a crise climática”.

As águas rasas e salgadas de Shark Bay
(Foto: Ângela Rossen)

*Com informações do site The Conversation e da University of Western Australia

Leia também:
Descrita nova espécie de planta na Amazônia, que infelizmente, já se encontra ameaçada de extinção
Árvore mais antiga do mundo, com mais de 5 mil anos, pode ser um cipreste no Chile

Um cavalo-marinho rosa e raias azuis em forma de guitarra: conheça algumas das incríveis espécies de animais e plantas descobertas em 2021
Aumento da temperatura, acidificação e nível do mar está entre os recordes alarmantes batidos pelo planeta em 2021

Foto de abertura: Rachel Austin

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta