PUBLICIDADE

Cientistas defendem que oceanos sejam reconhecidos como um organismo vivo e com direitos reconhecidos por leis internacionais

Cientistas defendem que oceanos sejam reconhecidos como um organismo vivo do planeta e com direitos reconhecidos por leis internacionais

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície do planeta. São o maior ecossistema da Terra e contribuem para regular o clima e gerar oxigênio. São ainda o principal meio de vida de 3 bilhões de pessoas. Entretanto, há poucas leis internacionais que regulem seu uso e sua proteção.

“A relação da humanidade com os oceanos precisa ser transformada para lidarmos efetivamente com a multiplicidade de crises de governança que eles enfrentam, incluindo a pesca predatória, as mudanças climáticas, a poluição e a destruição de habitat”, defende um grupo de pesquisadores da organização Earth Law Center, em um editorial divulgado na publicação internacional PLOS Biology.

Um estudo de 2018 já apontava que todos os oceanos do planeta já tinham sofrido os impactos da ação humana. Apenas 13,2% deles, algo em torno de 55 milhões de km2, ainda estavam intocados, considerados “sistemas marinhos selvagens”, situados, sobretudo, em regiões distantes do Pacífico e no Ártico, mas também em pequenas áreas próximas à Nova Zelândia, Chile e Austrália (leia mais aqui).

Para os especialistas do Earth Law Center é um dever coletivo das sociedades reconhecer os direitos e preservar e conservar os oceanos, assim como deixar de lado ganhos de curto prazo e assim garantir a capacidade da vida marinha de se regenerar através de seus ciclos naturais.

“Manter o status quo das leis ambientais atuais equivale à destruição legalizada da natureza”, afirmam as pesquisadoras de políticas oceânicas Michelle Bender e Rachel Bustamante, do Earth Law Center, e a cientista da água Kelsey Leonard, da Universidade de Waterloo, no Canadá.

“O direito internacional precisa evoluir para refletir os direitos inerentes dos oceanos de existirem, florescerem e se regenerarem. A saúde dos oceanos é a saúde humana”, ressaltam.

Elas destacam que o ser humano não pode mais ter uma relação de “propriedade” sobre os recursos naturais do planeta, e governos e organizações globais precisam estabelecer leis claras que envolvam, inclusive, o pagamento de valores sobre os serviços prestados pelos ecossistemas marinhos, que podem ser assim revertidos em prol de sua conservação.

“Uma governança centrada nos oceanos deve reconhecê-los como uma entidade viva, promovendo leis, políticas e ações institucionais que centralizam as necessidades dos mesmos nas tomadas de decisões”, afirmam as pesquisadoras.

Em dezembro de 2017, a Assembleia Geral da ONU declarou que 2021 a 2030 seria a Década das Nações Unidas da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável. Infelizmente, até agora, poucos passos foram dados efetivamente para uma mudança radical em relação a este assunto tão vital.

“Está claro que o que fizemos até agora não está funcionando. Nossos oceanos estão mudando de maneiras que não servirão bem às gerações futuras, com expectativas de perda generalizada de recursos oceânicos previstas para a vida de nossos filhos”, alertam as especialistas.

Leia também:
Colômbia, Panamá, Equador e Costa Rica se unem para criar um gigante corredor de proteção marinha no Pacífico
Austrália cria dois novos parques de proteção marinha em área duas vezes maior que a Grande Barreira de Corais
Mais de 50 países formam coalizão para proteger áreas terrestres e oceanos do planeta, mas Brasil fica de fora
Impacto do homem atinge praticamente todos os oceanos do planeta

Foto de abertura: domínio público/pixabay

Comentários
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Notícias Relacionadas
Sobre o autor
PUBLICIDADE
Receba notícias por e-mail

Digite seu endereço eletrônico abaixo para receber notificações das novas publicações do Conexão Planeta.

  • PUBLICIDADE

    Mais lidas

    PUBLICIDADE