Cientistas alertam sobre aumento da ‘zona morta’ nas águas do Golfo do México, onde vida marinha não sobrevive por falta de oxigênio

Cientistas alertam sobre aumento da 'zona morta' nas águas do Golfo do México, onde vida marinha não sobrevive

A chamada ‘zona morta’ do Golfo do México não é novidade para cientistas. Há anos eles monitoram essa área. Ali as águas são hipóxicas, ou seja, têm menos de 2 ppm de oxigênio dissolvido, ou seja, não apresentam condições para a sobrevivência de peixes e outros animais marinhos. Ao longo dos últimos anos, a zona morta variou em tamanho, mas pode variar 15 mil e 17 mil km2 . Ela ocorre entre a plataforma continental interna e média no norte do golfo, começando no delta do rio Mississippi e se estendendo para oeste até a costa superior do estado do Texas.

Recentemente a Agência Nacional de Oceano e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) divulgou o monitoramento realizado entre 25 de julho e 1o de agosto. A análise revelou que área atual de zona morte é de 16,3 mil km2, o equivalente a mais de 1,6 milhão de hectares de habitat potencialmente indisponíveis para peixes e espécies do fundo do mar.

“A distribuição do baixo oxigênio dissolvido foi incomum neste verão”, afirmou Nancy Rabalais, professora da Louisiana State University, principal pesquisadora que participou da análise da NOAA. “A área do rio Mississippi ao rio Atchafalaya, que geralmente é maior do que a área a oeste do Atchafalaya, era menor. A área a oeste do rio Atchafalaya era muito maior. As condições de baixo oxigênio eram muito próximas da costa, com muitas amostras mostrando uma quase completa falta de oxigênio”.

A zona de hipoxia média nos últimos cinco anos é de 13,7 mil km2. Desde que os registros começaram em 1985, a maior delas foi observada em 2017.

E o que exatamente causa essa diminuição de oxigênio nas água do Golfo do México?

De acordo com os cientistas ela é resultado do despejo excessivo de nutrientes no rio Mississipi, especialmente nitrogênio e fósforo, – vindos de gramados, estações de tratamento de esgoto, terras agrícolas e outras fontes. Esses produtos, geralmente fertilizantes, são usados para o crescimento e cultivo de plantas e alimentos. Mas no rio eles estimulam o crescimento de algas durante a primavera e o verão, que eventualmente morrem, afundam e se decompõem. “Ao longo desse processo, as bactérias consumidoras de oxigênio decompõem as algas. Os baixos níveis de oxigênio resultantes perto do fundo são insuficientes para sustentar a maior parte da vida marinha, tornando o habitat inutilizável e forçando as espécies a se deslocarem para outras áreas para sobreviver. Foi descoberto que a exposição a águas hipóxicas altera as dietas dos peixes, as taxas de crescimento, a reprodução fora do local, uso do habitat e a disponibilidade de espécies colhidas comercialmente, como o camarão”, ressaltam os pesquisadores.

Estima-se que a zona morta custe à indústria de frutos do mar e do turismo dos Estados Unidos cerca de US$ 82 milhões por ano. O Golfo do México é responsável por 40% da produção do setor. O estado da Louisiana é o segundo maior produtor do país, ficando atrás apenas do Alaska.

Além da necessidade de uma maior conscientização sobre o uso de fertilizantes junto a fazendeiros dos estados que são abastecidos pelo Mississippi, a NOAA alerta também sobre o impacto da crise climática sobre o problema.

“Este ano, vimos repetidamente o efeito profundo que a mudança climática tem em nossas comunidades – desde secas históricas no oeste até inundações. O clima está diretamente ligado à água, incluindo o fluxo de poluição de nutrientes para o Golfo do México ”, destaca Radhika Fox, especialista em água da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês).

*Com informações da NOAA e The Nature Conservancy

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Imagem: reprodução Microbial Life Educational Resources

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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