Chuva dos últimos dias escancara na praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, o problema do lixo plástico nos oceanos

Chuva dos últimos dias escancara na praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, o problema do lixo plástico nos oceanos

O alerta já vem sendo dado há anos. Mas muito pouco tem sido feito para conter o problema. Empresas continuam a entupir o mercado com suas embalagens plásticas e países como o Brasil ainda não tomaram nenhuma posição para combater o descarte desses resíduos no meio ambiente. Pra quem acha que o assunto é apenas mais um na lista dos “ambientalistas chatos”, vale a pena olhar bem as fotos nesta reportagem e o vídeo mais abaixo.

No último final de semana, o Instituto Mar Urbano realizou as primeiras limpezas de praias de 2021 no Rio de Janeiro. E a imagem com a qual os voluntários da ONG se depararam na praia de São Conrado, na zona oeste da capital, foi assustadora.

Por causa das chuvas dos últimos dias, as ondas que batiam na areia trouxeram milhares de embalagens e outros resíduos, sobretudo aqueles produzidos com plástico. O volume de garrafas PET, que supostamente deveriam ser recicladas, era assustador. E revoltante!

Chuva dos últimos dias escancara na praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, o problema do lixo plástico nos oceanos

A areia tomada pelo lixo

“Na Praia de São Conrado foi possível observar uma pequena parcela do que acontece ao redor do mundo. São cerca de 325 mil toneladas de plástico todos os anos, que chegam aos mares brasileiros. Segundo o relatório “Um Oceano Livre de Plástico”, lançado em dezembro pela nossa parceira @oceanabrasil , 80% do lixo que chega no oceano tem origem em terra firme. Quer ver com os próprios olhos os sinais dessa crescente poluição por plástico? Caminhe pela praia após uma chuva forte em uma grande cidade como o Rio de Janeiro”, alertou o Instituto Mar Urbano em suas páginas nas redes sociais.

De acordo com o relatório da Oceana Brasil, as principais fontes de lixo plástico que acabam parando no mar no Brasil são:

1. Lixo descartado nas ruas, praias e estradas, que chega no sistema de drenagem e esgoto e depois, no mar;
2. Descarte do lixo feito diretamente em rios e córregos;
3. Vento e chuva levam resíduos plásticos dos lixões para córregos e rios;
4. Produtos industriais descartados inadequadamente ou perdidos durante o transporte.

Os maiores poluidores do planeta

No começo de dezembro, a organização internacional Break Free From Plastic divulgou o resultado do levantamento anual que faz sobre os maiores poluidores globais de plástico. Pela terceira vez consecutiva, Coca-Cola, Pepsico e Nestlé lideraram esse ranking vergonhoso.

“Essas empresas afirmam que estão lidando com a crise do plástico, mas continuam a investir em soluções falsas, ao mesmo tempo que se unem a empresas de petróleo para produzir ainda mais plástico. Para combater as mudanças climáticas, multinacionais como Coca-Cola, PepsiCo e Nestlé devem acabar com seu vício em embalagens plásticas descartáveis e se afastar dos combustíveis fósseis”, destacou Abigail Aguilar, coordenadora regional da Campanha de Plásticos do Greenpeace no Sudeste Asiático.

Chuva dos últimos dias escancara na praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, o problema do lixo plástico nos oceanos

Coleta do lixo na praia de São Conrado

No domingo, voluntários fizeram a coleta dos resíduos na praia de São Conrado e escreveram na areia a palavra “SOS”.

“O oceano tá gritando por ajuda, será que estamos ouvindo? É preciso entender que a presença do plástico na natureza é exclusivamente responsabilidade de nós, seres humanos, e somos nós os responsáveis por remover o máximo possível do estrago que causamos. Queremos reduzir o número de imagens de animais consumindo e morrendo por plástico e poder divulgar mais animais em seu habitat bem conservado, esbanjando beleza. É necessário ensinar as próximas gerações a conservar o que nos resta, pois “o homem só conserva aquilo que ele conhece”. A Nina com seus 4 anos de idade já faz a sua parte! Vem com a gente salvar nosso mar urbano, carioca. Reduza seu consumo de plásticos descartáveis!”, alertou o Instituto Mar Urbano.

Chuva dos últimos dias escancara na praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, o problema do lixo plástico nos oceanos

Leia também:
Coca-Cola assume que produz 200 mil garrafas plásticas por minuto
‘O plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre’, diz ONG Sea Shepherd em campanha mundial
Lixo no paraíso
Fernando de Noronha proíbe uso e venda de plásticos descartáveis
Toneladas de plástico são encontradas em uma das ilhas mais remotas do planeta

Fotos: divulgação Instituto Mar Urbano/Ricardo Gomes

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

2 comentários em “Chuva dos últimos dias escancara na praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, o problema do lixo plástico nos oceanos

  • 4 de janeiro de 2021 em 1:43 PM
    Permalink

    Importante descartar corretamente o plástico abominável ou reaproveitá-lo, reciclando-o em novos materiais de uso. Sem, no entanto, proibir rigorosamente sua fabricação na fonte, punindo com multas significativas as fábricas na contra mão da natureza, enxugar o gelo continuará sendo o prognóstico para o ano de 2021 e seguintes, embora a boa intenção de gregos e troianos quando apostam nas parafernálias artesanais para limpeza dos mares ou ensacando garrafas pet para reuso após recicladas. É claro que o percentual de fabricação em série, teimosa e ininterrupta, se comparado ao trabalho de formiguinha dos catadores e recicladores, será sempre imbatível; no entanto, sem o empenho educativo dos incansáveis ambientalistas, sempre envolvidos em campanhas a favor da fauna e da flora, estaríamos pior do que estamos ou nem estaríamos.

    Resposta
  • 4 de janeiro de 2021 em 4:36 PM
    Permalink

    Sou da época em que as embalagens eram de vidro : leite, refrigerante, água, cerveja, etc… e dava certo. Eram retornáveis ou seja vc precisava levar a usada para comprar uma nova. Além de não poluírem o sabor era bem melhor e completamente diferente , em comparação com as de plástico que aliás são horríveis em todos os sentidos.. Ao invés desse monte de sacolinhas , as padarias usavam embalagens de papel. Nos mercados ou nas feiras livres, cada consumidor levava sua sacola permanente ou carrinho de ferro. Nas festas a cerveja era vendida em grande barril e as pessoas se serviam diretamente na torneirinha. Enfim, existem muitas soluções que podem retornar bem como novas saídas criativas com material vindo da própria natureza ( sem agredi-la). Os maiores problemas são empresários gananciosos e a população imediatista e acomodada, que não quer ter trabalho com nada : tudo se joga fora.

    Resposta

Deixe uma resposta