Chove em pico gelado a mais de 3 mil metros na Groenlândia, fenômeno que traz alerta incontestável sobre o aquecimento global

Chove no pico gelado a mais de 3 mil metros na Groenlândia, fenômeno que traz alerta incontestável sobre o aquecimento global

Recentemente, escrevi aqui sobre como em apenas um dia em julho, a Groenlândia perdeu 8,5 bilhões de toneladas da camada de gelo. Segundo o Instituto Ártico da Dinamarca, o gelo que derreteu em 24 horas seria o suficiente para inundar com 2 centímetros de água o estado americano inteiro da Flórida. Agora um novo fenômeno registrado no último dia 14 de agosto faz com que os pesquisadores do National Snow and Ice Data Center considerem irreversível o processo de derretimento das geleiras da ilha.

Foram observadas chuva e temperatura acima de zero grau por cerca de nove horas no ponto mais alto do manto de gelo da Groenlândia. De acordo com comunicado divulgado pelo centro de monitoramento, esta foi a terceira vez em menos de uma década que foram registradas temperaturas acima de zero e neve úmida. Não há relato prévio de chuva neste local, que atinge 3.216 metros de altitude.

“A cobertura de gelo do Ártico desempenha um papel importante na manutenção da temperatura da Terra – o gelo branco e brilhante reflete a luz e o calor que o oceano absorveria, mantendo o Hemisfério Norte frio. A perda contínua de gelo marinho do Ártico trará um maior aquecimento do continente, a erosão das costas árticas e uma perturbação dos padrões climáticos globais. A perda de gelo marinho também abrirá o Ártico para o aumento da atividade humana, impactando ainda mais as comunidades e ecossistemas locais”, alertam os cientistas.

A Groenlândia é uma ilha que tem mais de três vezes o tamanho do estado americano do Texas. É amplamente coberta por uma enorme camada de gelo, que costumava ter mais de um quilômetro de espessura na maioria dos lugares. Mas o aumento da temperatura da atmosfera terrestre está colocando em risco o futuro dessa região, tão vital para o equilíbrio do clima global.

“A diferença entre seguir um caminho de ação muito agressivo na redução das emissões de gases de efeito estufa em comparação ao que estamos fazendo hoje é realmente a diferença entre perder toda a camada de gelo da Groenlândia ou manter a grande maioria dela. Isso tudo é apenas uma questão de ação humana. O que fizermos será o principal determinante de como as coisas serão no futuro”, afirmou a pesquisadora Twila Moon no ano passado.

O degelo da Groenlândia é um fenômeno normal, que acontece anualmente. Todavia, ele geralmente ocorre durante os meses de pico do verão no Hemisfério Norte, julho e agosto. Mas o que preocupa cientistas é que ele tem acontecido cada vez mais cedo, no início de junho.

Em todo o planeta Terra, a área do Ártico é a que mais tem sofrido com o aquecimento global. O degelo no polo norte atingiu um nível alarmante: uma aceleração de 280% nas últimas quatro décadas.

Leia também:
É o degelo da Groenlândia que aumenta o nível do mar!
Degelo crescente do Ártico pode fazer com que urso polar seja extinto até 2100
Aumento da população da única espécie de baleia natural do Ártico anima, e também, intriga biólogos
Ártico é ralo global de lixo plástico, dizem cientistas alemães
Banco de sementes, no Ártico, ameaçado pelo aquecimento global

Foto: NASA/Denis Felikson, Univ. of Texas/Flickr/Creative Commons

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta