“Chega de promessas vazias!”: este é o grito por justiça climática das presentes e futuras gerações

Atualizado em 25/3/2021 (para incluir, no final deste post, o link da oficina virtual Como e quando falar da crise climática com as crianças‘, promovida pelo Instituto Alana)
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“Chega de promessas vazias” é o lema da Greve Global pelo Clima que, independentemente da pandemia, vem mobilizando, de forma digital, milhares de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos pelo mundo.

Mais do que impulsionar debates e cobrar ações urgentes dos nossos governantes para frear a crise climática, a mobilização em escala internacional é um convite ao engajamento para além da esfera individual.

É uma convocação às organizações da sociedade civil, às empresas e governos para que, finalmente, compreendam a urgência desse tema que atravessa nossa história e sobrevivência.

É sobre vidas que estão em jogo. É sobre nossas presentes e futuras gerações, que estão na linha de frente – e não podem mais esperar.

A contagem regressiva para a Greve Global do Clima elencou alguns eixos prioritários na agenda. Um deles é a necessidade de se fazer, lutar e exigir justiça climática em diferentes dimensões e contextos da nossa sociedade.

É imperativo reconhecer que os impactos da crise que vivenciamos têm cor, gênero e lugar – configurando uma questão de justiça social. Sendo assim, há uma parcela significativa da população brasileira à mercê dos extremos climáticos, suscetível à ansiedade climática e a toda sorte de mudanças estruturais.

É a mesma crise que agrava as desigualdades sociais, provoca migrações forçadas e insegurança alimentar. Que leva histórias de vida em enchentes, deslizamentos de terra e outros tantos desastres ambientais.

Logo, não há outro caminho senão lutar por políticas climáticas que contemplem a intergeracionalidade e interseccionalidade na centralidade de toda e qualquer estratégia e ação.

Protagonismo de crianças e adolescentes

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Foto: divulgação Our Children’s Trust

Nesta semana, também celebramos no Brasil o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, em 16 de março.

A efeméride inspirou uma série de campanhas, produção de conteúdos e eventos virtuais para abordar a crise climática em diferentes perspectivas.

Entre elas, destacamos a live Expresso 227, do Instituto Alana (que você pode assistir na íntegra no final deste post) sobre o protagonismo das crianças e dos adolescentes na agenda climática.

Sendo a crise climática uma emergência global que perpassa gerações, geografias, culturas e classes sociais, muitos pontos estão em pauta nas negociações. Contudo, o tema das crianças e adolescentes ainda é negligenciado nas arenas de debate e tomadas de decisão.

Embora a agenda do clima seja intergeracional, as principais resoluções da esfera de poder são protagonizadas por adultos na convenção do clima – sem nenhuma preocupação com a diversidade etária.

Diante dessa realidade, há um movimento recente que chama a atenção para o protagonismo da população infanto-juvenil na centralidade das políticas climáticas.

Para conversar sobre o tema, o Expresso 227 convidou três especialistas em justiça climática a fim de elucidar a temática com possíveis caminhos e soluções.

Durante o debate, Paulo Ricardo, coordenador do GT de mudanças climáticas do Engajamundo, Julia Neiva, coordenadora do Programa de Desenvolvimento e Direitos Socioambientais da Conectas Direitos Humanos e Marina Marçal, coordenadora de política climática do Instituto Clima e Sociedade (iCS) trouxeram perspectivas muito complementares sobre os direitos constitucionais das crianças a partir dos seus campos de atuação.

“Quando analisamos a situação das crianças e dos adolescentes, precisamos do viés da urgência. Elas são prioridade para todos nós – sociedade, família e Estado. E as mudanças climáticas também são uma emergência”, ressalta a advogada Julia Neiva.

“O tempo das crianças e adolescentes não é o mesmo tempo de um adulto. Os impactos são sentidos de outra forma, elas são um grupo prioritário e devem sempre ser. Mas tem um outro lado que é a participação. Fazer protestos, sim, mas participar também dos processos de tomada de decisão. Isso é absolutamente necessário. A gente precisa criar espaços que funcionem”, completa.

Como falar sobre crise climática com as crianças?

Foto: Our Kids’ Climate/Reprodução (destaque)

Em 18 de março, o Instituto Alana promoveu uma oficina virtual sobre como e quando falar da crise climática com as crianças.

Um bate-papo inédito, fruto da parceria entre o movimento Famílias pelo Clima e o programa Criança e Natureza (iniciativa do Alana, presente aqui, no Conexão Planeta, por meio de artigos, e notícias), entre três mulheres – uma engenheira florestal, uma psicanalista e uma mãe -, trazendo olhares subjetivos e práticos sobre a comunicação do colapso climático que estamos vivendo, mas sob a luz da esperança.

“Acredito que a crise climática é o maior desafio que as próximas gerações vão enfrentar. Nesse sentido, é importante que a gente seja transparente e não esconda essa realidade das crianças. Essa tomada de consciência, sobre a existência da crise, pode ser mobilizadora de um jeito muito positivo: um convite à ação, à participação, à mudança e à reflexão”, destaca Clara Ramos, uma das principais articuladoras do movimento Famílias pelo Clima em São Paulo. 

“Ao mesmo tempo, temos de ser muito cuidadosos para não apresentar esse futuro de uma forma catastrófica e assustadora, gerando ansiedade e deixando as crianças deprimidas. Sinto que é como se a gente tivesse que dizer assim: Puxa, temos um grande problema ali na frente. O que a gente pode fazer juntos para enfrentar isso?”, sinaliza. 

A seguir, assista ao encontro da série Expresso 227 e da oficina virtual, ambos promovidos pelo Instituto Alana:

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Foto (destaque): Lorie Shaull/Flickr

Edição: Mônica Nunes

Andréia Coutinho Louback

Jornalista formada pela PUC-Rio é mestra em Relações Étnico-raciais pelo CEFET/RJ e ambientalista. Com 10 anos de experiência em comunicação, já transitou por diferentes lugares de produção de conteúdo e estratégias de advocacy. Hoje, atua fortemente na agenda climática, em especial, com o tema da justiça climática. No Instituto Alana, é responsável por coordenar as ações de comunicação e mobilização do projeto Justiça Climática e Socioambiental

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