Cerveja homenageia a Amazônia e muda de preço conforme índice de desmatamento na região

A Cervejaria Colorado existe desde 1996. Surgiu comprometida em valorizar a conservação da biodiversidade e os ingredientes brasileiros em suas receitas, além da produção local. Agora, para celebrar o Dia da Amazônia (5/9), lança uma cerveja produzida com trigo, farinha de babaçu (colhido por comunidades no Pará), pacová e casca de limão: a Colorado Amazônica.

Mas não se trata de se aproveitar da efeméride e do fato de o bioma estar em destaque para vender mais cerveja. A intenção é utilizar a popularidade da floresta amazônica para chamar ainda mais a atenção para sua devastação.

Sim, o novo sabor da bebida destilada não vai nos deixar esquecer que a maior floresta tropical do mundo está em perigo. Toda semana, seu preço poderá ser ajustado de acordo com os índices de desmatamento na região. Assim, se o desmatamento diminui, o preço da cerveja cai, mas, se aumenta, o preço sobe.

Ou seja, quanto menos floresta, mais cara a nova cerveja. Como diz o filme de lançamento, “ela pode ter um preço bom ou se tornar impagável”. Perfeita pra quem gosta de uma cervejinha e quer a floresta em pé!

Para tornar essa ideia possível, o engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, foi convidado para desenvolver um índice de reajuste. Criou o Índice de Reajuste de Preços da Amazônia (IRPA), que se baseia na comparação da média do desmatamento semanal detectado nas últimas quatro semanas com o mesmo período do ano anterior.

Assim, a cada semana, o índice de desmatamento será atualizado, indicando o reajuste compatível. Hoje, a lata de 310 ml custa R$ 5,49.

A Colorado Amazônica tem teor alcoólico de 4,5% e é uma Witbier – também conhecida como Belgian White – e sua receita destaca o sabor dos ingredientes da região amazônica, além de manter alta refrescância e agradar o paladar brasileiro com 9 de IBU (International Bitterness Units scale) na escala de amargor. 

100% da venda será doado para comunidades tradicionais

Mas as intenções que cercam a nova cerveja da Colorado, que homenageia a Amazônia, não param por aí. Além de valorizar a maior biodiversidade do país, ela está comprometida com as comunidades tradicionais da região: da escolha e compra dos ingredientes (citados no início deste texto) à venda.

Assim, 100% do valor arrecadado na comercialização será doado para a Rede de Cantinas da Terra do Meio, composta por agricultores familiares, ribeiros e indígenas comprometidos com a preservação da floresta.

“Nas nossas cervejas sempre destacamos os sabores brasileiros e a Colorado Amazônica traz no nome e em sua receita o nosso desejo de colocar em destaque o melhor do Brasil”, conta  Guilherme Poyares, gerente de marketing de Colorado, que acrescenta: 

“Mais do que uma cerveja, assumimos um compromisso com a conservação da biodiversidade e estamos ao lado daqueles que respeitam e ajudam a manter a floresta amazônica em pé. Por isso, nos cercamos de parceiros sérios que vivem e cuidam da floresta todos os dias e estamos muito felizes em fomentar essa conversa junto ao público”.

Parceria com a Origens Brasil

Para implantar este projeto, a Colorado conta com uma parceira muito especial: a rede Origens Brasil, que promove negócios sustentáveis na Amazônia em áreas prioritárias de conservação, o que possibilita garantir origem, transparência, rastreabilidade e o comércio justo de produtos da região.

O coordenador de mercado da rede, Luiz Brasi Filho ressalta que, “com a Colorado Amazônica, a Colorado se tornou membro da rede Origens Brasil e reforçou seu compromisso de longo prazo com os povos da floresta, de forma ética e transparente“. E completa:

“Acreditamos na força da atuação em rede, unindo empresas, organizações da sociedade civil, ribeirinhos, indígenas, extrativistas e consumidores em prol de um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, que alia produção com conservação da floresta em pé”.

No ano passado, a Origens foi premiada pela ONU justamente por desenvolver um trabalho inovador que alia comunidades e a floresta em pé, como noticiamos aqui. A iniciativa faz parte do Fundo Amazônia desde que este foi criado, em 2008.

Agora, assista ao vídeo de lançamento:

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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