Cerrado ganha nova unidade de conservação: o Parque Estadual Águas do Paraíso, na Chapada dos Veadeiros

Em meio à destruição provocada pelos incêndios que se espalham na Amazônia, no Cerrado e Pantanal e à política antiambiental do governo Bolsonaro, que nada faz para salvar esses biomas e ainda legitima os ataques a áreas de preservação do país, uma boa notícia marcou a semana.

Hoje, Dia do Cerrado, 11/9, o governo de Goiás e a prefeitura de Alto Paraíso assinaram decreto para a criação de uma nova unidade de conservação (UC) para o Cerrado, na Chapada dos Veadeiros: o novo Parque Estadual Águas do Paraíso.

Numa área de 5 mil hectares distribuída em Alto Paraíso, que engloba a Catarata do Rio dos Couros, o parque ajudará a preservar e a recuperar esse espaço já muito degradado pelas queimadas e pela compactação do solo.

Fauna exuberante

Foto: Zig Koch

Com o parque, a reserva do Rio dos Couros poderá se configurar como um abrigo especial da vida selvagem e de cenários naturais do Cerrado. Por lá circulam especies exuberantes e imprescindíveis para a região como antas – jardineiras das florestas -, onças-pintadas, lobos-guará, patos-mergulhão, seriemas, entre outros.

A União Internacional para Conservação da Natureza indica que o pato-mergulhão, comum nessa região, é uma das aves mais ameaçadas de extinção no planeta: há menos de 250 indivíduos dessa espécie, que vivem em rios na Chapada dos Veadeiros e também na Serra da Canastra (MG) e no Jalapão (TO), que não são bem protegidas por lei.

Raros e ameaçados de extinção, patos-mergulhão são observados na Chapada dos Veadeiros
Foto: Sávio Freire Bruno/Wikimedia Commons

Planos para o novo parque

Os governos estadual e municipal assinaram termo de parceria – com apoio da Rede Pró-UCpara viabilizar os planos que contemplam maior controle do uso público, apoio a pesquisas científicas e ações de conscientização ambiental e o desenvolvimento de práticas de ecoturismo.

Para tanto, um conselho gestor será formado e ficará responsável pelo processo de implantação e planos de manejo. Também fazem parte das ações da administração do parque: consultas públicas e georreferenciamento da área que será protegida.

O Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária doará terras federais à Goiás para que o parque seja viabilizado. O processo, que tramita há cerca de dois anos, ainda beneficiará dezenas de famílias de assentados que vivem em situação precária na região. A secretária estadual de Meio Ambiente, Andrea Vulcanis, explicou ao site O Eco:

“A possibilidade de aumentar a proteção do Cerrado num momento político como esse é gratificante. Não haverá custos para desapropriações, mas investiremos na regularização do assentamento Esusa, cujas cerca de 50 famílias aguardam há 30 anos pela documentação para acessar créditos, qualificar sua produção, ter acesso à água tratada e energia”. 

Cerca de R$ 250 mil devem ser investidos pelo governo estadual no trabalho de definição dos limites precisos e das regras de conservação, turismo e pesquisas do parque. E o projeto ainda deve contar com outros recursos que viabilizem a implantação e a manutenção de trilhas, além da reforma de quase 40 quilômetros da estrada que liga a rodovia GO-118 à nova reserva. 

Vale destacar, ainda, que o nome do novo parque estadual foi escolhido por meio de consulta pública divulgada no site e nas redes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Águas do Paraíso recebeu 39% dos votos.

Foto: Marcos Amend

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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