Cerca de 7 mil filhotes de leões-marinhos aparecem mortos na Namíbia

Cerca de 7 mil filhotes de leões-marinhos aparecem mortos na Namíbia

“Estamos presenciando uma catástrofe. Existem literalmente milhares de filhotes de leões-marinhos nascendo prematuramente e morrendo quase imediatamente”. O desabafo é de um dos representantes da Ocean Conservation Namibia, organização não-governamental que trabalha pela proteção da vida marinha na costa desse país africano.

A Namíbia é o lar de aproximadamente 1,3 milhão de leões-marinhos (Arctocephalus pusillus pusillus). Normalmente, esses animais começam a dar à luz em novembro. Após o nascimento, os filhotes ficam juntos em “colônias de creches”, enquanto as mães vão caçar e se protegem de predadores.

Todavia, este ano, no final de setembro, a Ocean Conservation Namibia notou que alguns dos leões-marinhos já estavam procriando. Muito prematuros, os filhotes não conseguem sobreviver.

“Eles ainda não se desenvolveram completamente e as “colônias de creches” ainda não se formaram. No passado, alguns nascimentos prematuros foram observados, mas 2020 é diferente. Já são milhares. As praias estão cobertas de fetos, cercadas por mães que choram a perda de seus filhotes. Não podemos dizer ainda se teremos bebês de leões-marinhos este ano”, afirma a organização.

Estima-se que sejam cerca de 7 mil filhotes mortos em Pelican Point, na Namíbia. Entre as suspeitas apontadas como causa da tragédia está a que os leões-marinhos não tenham encontrado alimentos (peixes) no mar.

“Este é um fenômeno natural – o que significa que quando a fêmea sente que não tem reservas suficientes, ela pode abortar o feto. Isso acontece todos os anos para alguns indivíduos, mas nunca nesta escala! Também não podemos descartar a presença de toxinas ou doenças na água”, dizem os biólogos.

Imagens feitas por drones revelam a dimensão do desastre. Em 1994, uma mortalidade em massa parecida com esta também ocorreu. Na época, constatou-se subnutrição das fêmeas, além da presença de uma infecção bacteriana provocada pela Streptococcus phocae.

Cerca de 7 mil filhotes de leões-marinhos aparecem mortos na Namíbia

Imagem aérea mostra a quantidade enorme de filhotes sem vida

Em parceria com outra organização local, a Ocean Conservation Namibia está recolhendo os corpos para realizar exames e tentar descobrir a causa das mortes.

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Fotos: reprodução Instagram Ocean Conservancy Namibia

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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