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Censo revela que população de um dos mais raros e ameaçados antílopes do mundo mais que dobrou em dois anos

Censo revela que população de um dos mais raros e ameaçados antílopes do mundo mais do que dobrou em dois anos

Com seus narizes grandes e protuberantes, os antílopes saiga (Saiga tatarica) costumavam ser observados no passado em gigantescos grupos, atravessando pastagens semidesérticas da Ásia Central, em áreas que iam desde a Hungria até o nordeste da China.

Mas nos últimas décadas, esses animais viram suas populações ficarem cada vez menores e chegaram a beirar a extinção. Primeiro, sofreram com a caça ilegal, pois seus belíssimos chifres valiam muito no mercado negro, vendidos como medicamento na China. Também foram impactados pela perda de habitat e o acesso cada vez mais restrito às rotas de migração. E mais recentemente, em 2015, 200 mil deles morreram repentinamente no Cazaquistão. Na época, os cientistas apontaram como causa dos óbitos uma septicemia (infecção generalizada) hemorrágica provocada por uma bactéria (leia mais aqui).

Hoje, 90% da população global dos antílopes saiga está neste país, com o restante 10% espalhado por Rússia, Mongólia e Uzbequistão. Desde 2018, a espécie é considerada criticamente ameaçada de extinção pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Depois do evento da mortalidade em massa, há cinco anos, uma série de estratégias de conservação foi colocada em prática para proteger o antílope saiga. E um censo aéreo realizado em abril revelou que as medidas foram muito bem-sucedidas. Em apenas dois anos, o número de indivíduos mais do que dobrou, passando de 334 mil, em 2019, para 842 mil.

“Os resultados do recente censo indicam que as populações de saiga estão a se recuperar com uma velocidade notável. O sucesso da iniciativa é promissor e inspirador, mas devemos lembrar que, como espécie, a saiga ainda carece de medidas de proteção”, destaca Sergey Sklyarenko, diretor científico da Associação para a Conservação da Biodiversidade do Cazaquistão (Association for the Conservation of Biodiversity of Kazakhstan).

Uma região em específico chamou a atenção dos pesquisadores. Em Ustyurt, ao sul do país, em 2015 eram aproximadamente 1 mil antílopes saiga e há dois meses foram registrados mais de 12 mil animais.

Biólogos explicam que a fêmea da espécie se reproduz a cada dois anos, dando à luz a dois filhotes, o que facilita o aumento da população.

Entre as medidas adotadas pelo governo do Cazaquistão nos últimos anos para proteger o antílope saiga estão a criação de áreas de conservação e também, multas mais severas para caçadores, com penalidades que chegam a até 12 anos de prisão.

Fatos curiosos sobre o antílope saiga

– O nariz desse animal tem uma estrutura incomum, que serve para filtrar a poeira nos verões secos das regiões semi-desérticas;

– O antílope saiga pode percorrer distâncias de até 1 mil km entre o verão e o inverno, durante seu período de migração;

– Os rebanhos da espécie já chegaram aos milhões, mas a população global diminuiu rapidamente para apenas milhares.

Censo revela que população de um dos mais raros e ameaçados antílopes do mundo mais do que dobrou em dois anos

Um filhote durante uma pausa para beber água

*Com informações da BBC e da Fauna and Flora International, organização parceira no projeto de proteção dos antílopes saiga no Cazaquistão

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Fotos: Andrey Giljov (abertura) e Pavel Chekanov (no corpo do texto)/Wikimedia Commons

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