Censo aponta estabilidade na população de onças-pintadas na região do Parque Nacional do Iguaçu

Censo aponta estabilidade na população de onças-pintadas na região do Parque Nacional do Iguaçu

O Projeto Onças do Iguaçu divulgou hoje o resultado do censo realizado em 2021. O levantamento revela uma estabilidade na população da espécie que vive na região do Parque Nacional do Iguaçu. Há uma estimativa média de 90 animais (entre 76 e 106) no Corredor Verde, situado entre a fronteira da Argentina com o Brasil. Já no parque brasileiro, o número médio é de 24 animais (entre 20 e 28). “Apesar da estimativa média ter sido menor que a de 2018, isso estatisticamente não representa uma redução significativa, e sim uma estabilidade da população”, explica a equipe do projeto.

O censo é realizado a cada dois anos pelos Projeto Onças do Iguaçu e Yaguareté (Argentina). Por causa da pandemia da covid-19, o resultado foi divulgado apenas agora. Para realizá-lo foram analisados 215 pontos de amostragem nos dois países, numa área de 564.425 hectares. Câmeras e armadilhas fotográficas registraram mais de 693 mil imagens, sendo 2.523 fotografias de 53 onças-pintadas adultas.

“Esse é um dos maiores esforços mundiais para acompanhamento da espécie, tanto em área quanto em período de amostragem”, afirmam os biólogos. “Nos últimos quinze anos temos observado uma tendência de importante crescimento da população. Observamos que após a grande queda populacional sofrida no início deste século, a população de onças-pintadas no Corredor Verde vem se recuperando há mais de uma década, tendo conseguido dobrar entre 2005 e 2016 (de 40 para 90 animais). A partir de 2016, a população parece estar estabilizada em valores próximos a 100 animais”.

Os especialistas explicam que é preciso levar em conta o tamanho da área dessa população. A onça-pintada (Panthera onca), a maior espécie de felino das Américas e a terceira maior do mundo, é um animal selvagem, que necessita de um ambiente preservado e amplo, capaz de suprir suas necessidades de deslocamento e alimentação. A área do chamado Corredor Verde, entre Brasil e Argentina, tem uma capacidade aproximada de suporte (ou seja, quantas onças podem viver na região) de 250 indivíduos. “À medida que nos aproximamos desse número, o crescimento da população tende a ser mais lento”, revela o time do Onças do Iguaçu.

O Corredor Verde abriga cerca de um terço de todas as onças-pintadas do bioma Mata Atlântica, algo em torno de 250 a 300 animais. Todavia, no passado, a espécie quase desapareceu dali. No final da década de 90 restavam cerca de 40 indivíduos. Duas décadas depois, houve um declínio ainda mais assustador e eram entre nove e onze onças.

Graças ao trabalho de conservação, como o da Onças do Iguaçu, que envolve não apenas o monitoramento, mas programas de educação ambiental e conscientização entre as comunidades locais, a situação foi revertida.

Na vida selvagem, as onças-pintadas podem viver entre 12 e 15 anos.

O censo teve a cooperação do WWF-Brasil, Fundación Vida Silvestre Argentina, Parque Nacional do Iguaçu/ICMBio e Parque Nacional Iguazú.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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