Censo anual dos cisnes da Rainha Elizabeth volta a ser realizado e enfatiza a preservação da espécie e a educação ambiental

Não fosse a pandemia do coronavírus, no ano passado, a cerimônia de contagem de cisnes teria completado 800 anos ininterruptos. A primeira foi realizada em Eton Bridge, em Windsor, a oeste de Londres, quando a coroa inglesa reivindicou a propriedade de todos os cisnes mudos” de pescoço longo e curvo, bico laranja e penas brancas – de águas abertas da Inglaterra.

Naquela época e durante muito tempo, a carne dos cisnes era apreciada como iguaria especial, servida em festas e banquetes promovidos pela monarquia, por isso o Censo Anual dos Cisnes Reais ou Swan Upping sempre foi um acontecimento importante.

Mas, de uns tempos pra cá, sua missão mudou: agora, a cerimônia protagonizada pelos oficiais reais ou Swan Uppers, no rio Tâmisa, visa promover a preservação da espécie e a educação ambiental. E foi com essa intenção que eles retomaram a atividade esta semana, em 20 de julho, Eton Bridge, Berkshire.

Os Swan Uppers em ação, recolhendo cisnes pelo rio Tâmisa – Foto: Família Real Britânica

Ao contrário de outros anos, o evento teve apenas três dias, não cinco, e terminou em 22 de julho em Moulsford, no Tâmisa, em Oxfordshire. O trajeto fica próximo ao Castelo de Windsor.

Ao anunciar a programação de 2021, o marcador oficial de cisnes da Rainha, David Barber (na foto de destaque deste post, com a menina, comentou:

“O público foi extremamente observador durante o bloqueio da Covid-19 e relatou casos de cisnes feridos, que foram rapidamente resgatados e tratados, o que evitou sofrimento desnecessário e reduziu o censo em alguns dias”.

Examinados e catalogados

Às margens do Tâmisa, os veterinários examinam os cisnes – Foto: Família Real Britânica

Sob um sol escaldante, os oficiais surgiram devidamente paramentados – vestidos com camisetas vermelhas brancas ou azuis com a insígnia real britânica – em barcos a remo tradicionais.

Seguiram pelas margens do rio, para contar os cisnes que pertencem à Rainha Elizabeth da Grã-Bretanha.

Os oficiais “capturam os cisnes” na água e os levam para terra firme, nas margens, para serem examinados por um grupo conservacionista local, o Swan Support.

Seus integrantes os pesam – eles podem chegar a 15 kg -, medem e verificam se as aves têm alguma doença ou ferimento que, em geral, são causados por equipamentos de pesca. E ainda por arames, quando voam em direção a eles, sem notar sua presença.

Um cisne filhote sendo pesado pelos veterinários – Foto: reprodução de vídeo

O censo anual acaba sendo uma oportunidade para livrá-los de linhas de pesca que se emaranham em seus pés, e também de anzóis – muitas vezes, eles os engolem e se machucam gravemente.

No final do exame, os cisnes são anilhados, marcados com um número, catalogados e devolvidos ao rio. O resultado será conhecido no final da semana. Mas não há grandes expectativas: nos últimos anos, a população tem decaído.

Os veterinários e conservacionistas examinam um cisne adulto – Foto: Família Real Britânica

O ano de 1985 foi o pior para os cisnes da rainha: foram encontrados apenas sete indivíduos no trecho do Tâmisa onde ocorre o Censo Anual. Isso aconteceu devido ao envenenamento das aves por pesos de chumbo. Como o material foi banido da Inglaterra, as aves se recuperaram, mas nunca chegaram a registrar índices anteriores aos da II Guerra Mundial.

Ameaças à sobrevivência

Oficiais e conservacionistas levam os cisnes para exame / Foto: Família Real Britânica

David Barber, o Marcador de Cisnes oficial da rainha contou que, “este ano, a temporada de reprodução foi bem-sucedida e os relatos de ataques de cães a ninhos de cisne diminuíram. No entanto, vimos um grande aumento na incidência de poluição no rio”.

O óleo do motor e o óleo diesel depositados na água junto com outros detritos e poluentes causam sérios problemas transmitidos pela água para os cisnes e outros animais selvagens. Essa situação tem um impacto devastador sobre a vida selvagem e o meio ambiente, mas pode ser evitável”, declarou.

Ele lembrou que os cisnes são atacados por predadores naturais, mas o isolamento provocado pela pandemia levou ao aumento dos ataques de humanos. É inacreditável, mas, para passar o tempo e fugir do isolamento, mais pessoas vão à margem do rio e atacam os cisnes.

“Na pandemia, registramos mais disparos contra esses pássaros, muitas vezes com rifles de ar, e mais poluição da água do que em anos anteriores”, revela ele. “Vimos mais fuzilamentos de cisnes no período de confinamento do que antes e a poluição está em níveis mais altos do que nunca”.

Barber continua: “Eu acho que isso acontece porque os jovens podem entrar em uma loja e tranquilamente comprar um rifle de ar. Então, eles vão até o rio, vêem um grande alvo branco e bang!! É terrível!”.

Educação ambiental: o futuro dos cisnes

David Barber e uma das crianças do projeto de educação ambiental do censo / Foto: – Foto: Família Real Britânica

Como um dos objetivos do censo é a educação ambiental, o trabalho também se concentra na conscientização de crianças em idade primária.

Por isso, alunos de várias escolas se juntaram aos oficiais e aos conservacionistas nas margens do rio Tâmisa, onde aprenderam sobre a biologia destas aves majestosas, o impacto da poluição e a conexão real com os cisnes.

E David Barber finaliza, orgulhoso: “Estamos cuidando da população de cisnes e você sabe que é para isso que estamos aqui, para garantir que a população de cisnes sobreviva para o futuro“.

Foto (destaque): Família Real Britânica/Divulgação

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Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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