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Cecília e Darlan, filhotes de tamanduás resgatados durante incêndios no Pantanal, voltam à natureza

Cecília e Darlan, filhotes de tamanduás resgatados durante incêndios no Pantanal, voltam à natureza

Darlan e Cecília são mais dois exemplos de vítimas do impacto do desmatamento e dos incêndios no Pantanal. Em meados de 2021, os filhotes de tamanduás-bandeira foram resgatados pela Polícia Ambiental. A fêmea foi encontrada em agosto, pendurada ao corpo da mãe numa rodovia, morta após um atropelamento, provavelmente enquanto fugia do fogo no Mato Grosso do Sul. Já Darlan foi achado um mês antes, em junho, com apenas 20 ou 30 dias de vida, sozinho em uma área rural próxima de uma queimada.

Levados para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), em Campo Grande, lá os filhotes receberam os primeiros cuidados e foram transferidos para um recinto de adaptação, onde pouco a pouco, foram sendo treinados para serem devolvidos à natureza e terem capacidade para sobreviver sozinhos na vida selvagem.

O trabalho para a reintrodução contou com a participação do Instituto Tamanduá e o seu projeto Órfãos do Fogo. Antes da soltura final, os biólogos fizeram exames físicos nos animais e instalaram coletes com rádio-transmissores para que eles possam ser monitorados.

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E há poucos dias, após mais de um ano de reabilitação, foi a hora de Cecília e Darlan finalmente ganharem a liberdade.

“No recinto de adaptação, os tamanduás apresentaram comportamentos bem diferentes. Cecília sempre teve um instinto mais exploratório, enquanto Darlan era mais desconfiado e medroso. Esse comportamento foi totalmente diferente no momento da soltura, Darlan logo se aventurou na vegetação fechada, já Cecília demorou algum tempo para começar a se expressar com mais naturalidade”, conta Júlia Trevisan, analista de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial.

A organização foi responsável por financiar os custos para o projeto de reintrodução, como a construção de mais um recinto de imersão, a compra de rádios-coletes, além dos gastos com alimentação dos tamanduás e parte dos tratamentos veterinários.

Cecília e Darlan, filhotes de tamanduás resgatados durante incêndios no Pantanal, voltam à natureza

Cecília e Darlan no recinto de imersão do Instituto Tamanduá, um dia antes da soltura
(Foto: divulgação Proteção Animal Mundial)

Cecília e Darlan usarão os coletes pelos próximos dois anos (os equipamentos não causam nenhum desconforto!). O objetivo é não apenas acompanhar a adaptação de ambos no Pantanal, mas também estudar o comportamento da espécie e ainda, saber se a fêmea irá se reproduzir.

“A soltura é uma oportunidade para alertarmos a população sobre o impacto dos incêndios no habitat de milhões de animais silvestres. Muitas vezes, as queimadas são originárias da plantação de grãos para alimentação de animais de produção, ou seja, estão diretamente ligadas à alta demanda pelo consumo de carne e às escolhas individuais que fazemos todos os dias”, ressalta Roberto Vieto, Global Animal Welfare Advisor da Proteção Animal Mundial. 

Cecília e Darlan, filhotes de tamanduás resgatados durante incêndios no Pantanal, voltam à natureza

Cecília em seus primeiros momentos em vida livre, com o rádio-colete
(Foto: divulgação Proteção Animal Mundial)

Cecília: vencedora do prêmio de Personalidade Silvestre Única

Em julho do ano passado, Cecília se tornou conhecida no mundo todo. Ela foi uma das participantes do prêmio “Audrey Mealia Personalidade Silvestre Única”, promovido pela Proteção Animal Mundial. A tamanduá-bandeira brasileira concorreu com mais quatro animais, que viviam na Europa e na Ásia.

Mas com a divulgação de um vídeo muito foto, da filhote tomando banho ao lado do companheiro Darlan, ela conquistou a maioria dos votos dos internautas e arrebatou o prêmio de R$ 50 mil. O dinheiro foi destinado ao Órfãos do Fogo.

“O projeto surgiu com uma necessidade após os grandes incêndios de 2019 e 2020. Houve uma grande mortalidade da nossa fauna, principalmente do tamanduá bandeira, que é um dos animais mais acometidos pelos incêndios. O CRAS de Campo Grande passou a receber muitos filhotes, por atropelamento das mães, queimadas e perda de habitat”, explica Flávia Miranda, presidente e fundadora do Instituto Tamanduá.

Audrey Mealia era uma defensora dos animais e estimada colaboradora da organização internacional, que morreu em 2021.

Cecília, em maio do ano passado, no recinto de reabilitação
(Foto: divulgação Proteção Animal Mundial)

Tamanduás-bandeira: espécie em risco

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), conhecido ainda como papa-formigas, tamanduá-açú, jurumi ou jurumim é considerado ameaçado de extinção. A espécie não é endêmica do Brasil, pode ser observada também em outros países das Américas do Sul e Central. Mas em alguns estados brasileiros ela já deixou de ser vista, como em Santa Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Esse mamífero pode ser facilmente reconhecido por seu tamanho – os machos têm em média 2 metros de comprimento -, pela coloração distintiva da pelagem, com uma faixa diagonal preta de bordas brancas, pelo focinho longo e cilíndrico e cauda grande e seus pelos grossos e compridos.

A espécie apresenta hábitos terrestre e solitário, com exceção da mãe com seu filhote, durante o período de amamentação, e da época de reprodução, quando podem ser formados casais. O tamanduá-bandeira pode ser observado ao longo do dia e da noite, dependendo da temperatura e da chuva. Pode comer até 30 mil formigas e cupins por dia.

A gestação da fêmea dura em torno de 180 dias e ocorre apenas uma vez por ano, quando em geral ela dá à luz a um filhote.

Leia também:
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Foto de abertura: Manoela Pinho/Instituto Tamanduá

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