‘Casulo pra Rua’: estilista desenvolve sacos de dormir impermeáveis para moradores de rua e cria movimento solidário

Atualizado em 21/4/2021 com imagens de como funciona o casulo, PIX para depósito e contato por e-mail

Hoje, 16 d abril, assim que vivenciou uma experiência totalmente movida pela empatia, a estilista Bibi Fragelli contou sobre ela em seu Facebook, muito entusiasmada.

Rapidamente, seu post viralizou e gerou comentários animados dos amigos. Em poucas horas, Bibi havia criado, sem querer, um movimento solidário muito lindo.

“De noite na cama eu fico pensando nas pessoas que dormem nas calçadas frias, às vezes com chuva”, escreveu ela para, em seguida, revelar a proeza: acabara de entregar sacos de dormir que costurou no dia anterior com materiais impermeáveis para um casal de moradores de rua.

Quem anda pelas ruas de São Paulo, como Bibi, nota facilmente o crescimento da população sem teto e completamente desassistida. Gente sozinha, casais, famílias. “Ando muito pela cidade, mesmo na pandemia, e faz tempo que fico mal ao ver as pessoas dormindo na rua, e penso que preciso fazer alguma coisa”, conta.

“Sempre que vou dormir na minha cama quentinha, lembro das pessoas dormindo direto nas calçadas. Já tinha pensado em produzir sacos de dormir pra elas, e que poderia procurar um tecido impermeável e quentinho… Aí, no dia seguinte, andando pelo bairro de Santa Cecília, vi um casal deitado e a mulher estava grávida”.

Impermeável, portátil, à prova de chuva e bem quentinho

Ver a moça grávida e dormindo no chão frio foi a gota d’água para a estilista! No mesmo momento em que viu o casal, criativa como só ela, decidiu então fazer sacos de dormir para casais.

Pensando no aconchego dos usuários, comprou dois tecidos: “um nylon emborrachado e um nylon dublado com uma camada muito fina de espuma, que não deixa o saco macio, mas deixa bem quentinho”.

Também comprou velcro, que usou para fechar cada saco e, assim, tornar possível juntá-los para que o casal possa dormir juntinho e se aqueça. “Agora, penso em fazer sempre em pares”.

O ‘casulo da Bibi’ o projeto ganhou o nome de Casulo pra Rua do amigo Renato Levi, sobre o qual conto mais adianteé leve, impermeável, à prova de chuva, lavável e bem quentinho, e ainda tem outras funcionalidades bacanas.

“Acoplei um travesseiro, que fica preso no saco como uma mochila escondida, com uma abertura para dentro, onde a pessoa pode guardar suas coisas. Assim, tudo fica embaixo de sua cabeça, bem pertinho. Ela pode dormir tranquila que ninguém rouba, o que é muito comum!”, explica.

O casulo também é “munido” de faixas que, “de uma maneira intuitiva”, a pessoa dobra e amarra, transformando-o em uma bolsa (foto abaixo). Isso é sensacional porque ajuda o morador de rua a proteger suas coisas e rapidamente se desvencilhar das investidas-surpresa da prefeitura.

“Esse é outro problema que eles sofrem: quando os funcionários da prefeitura aparecem, jogam fora os cobertores e os colchões deles. Com o casulo, isso não vai acontecer: é só amarrar, dobrar e cruzar a alça da bolsa no corpo!”. Veja na foto abaixo. Genial!

Os dois primeiros casulos foram produzidos por Bibi ontem, 15/4, e levados para o casal das fotos hoje, pela manhã.

“Não os dei para aquele casal que eu tinha visto antes, que tinha a mulher grávida, mas para a Laisa e o Jonathan que vivem numa rua perto de casa também. Eles amaram! Custaram a acreditar que os sacos eram à prova d’água e disseram que vou virar uma empresária rica com essa boa ideia!”.

Como funciona o Casulo

Dois dias depois do “lançamento” do Casulo pra Rua – quando Bibi presenteou Laisa e Jonathan – o projeto ganhou perfis no Instagram e no Facebook, um PIX (55369060/0001-78), e-mail (casuloprarua@gmail.com) e novas fotos, que explicam como é o saco de dormir genial da Bibi.

Reproduzo as imagens a seguir e, no final deste post, um vídeo no qual ela mostra a praticidade do velcro lateral, que protege quem dorme e facilita a saída dele.

O Casulo é dobrável e vira uma bolsa prática, que permite que a pessoa
o leve para onde quiser. Veja abaixo. – Foto: Vagalume
Velcro na lateral do Casulo possibilita que casais durmam junto.
Foto: Vagalume

Parceiros bacanas

Onde essa ideia vai dar, Bibi diz que não sabe. “Lancei um comecinho hoje, no Facebook, e muita gente me procurou. querendo ajudar e querendo doar, querendo reproduzir, multiplicar”.

E ela já tem dois parceiros importantes nessa jornada amorosa: os amigos Pati Curti (que aparece na foto abaixo, à esquerda, com Bibi) e Renato Levi.

A Pati tem grande experiência como voluntária e trabalha em dois projetos com moradores de rua: o Mesa Solidária e o Banho pra Geral. De cara, ela se ofereceu para fazer a distribuição dos casulos.

O Renato é comunicador e há muito tempo se envolve em ações sociais. “Está fazendo um filme com o Padre Júlio, e será uma ponte importante para o projeto também”.

Como contei, foi ele quem batizou a iniciativa de Bibi de Casulo pra Rua. Muito bom comunicador, o moço, mesmo! Adorei. E estão surgindo outros parceiros.

Pati Curti e Bibi Fragelli, à noite, pouco antes de irem conversar com o casal que
ganhou os primeiros ‘casulos de dormir’ pra saberem informações sobre seu uso

No texto que publicou nas redes sociais, Bibi contou que o custo do material para cada saco foi de R$ 80 e que “levou três horas pra fazer os dois casulos, mas, com a prática, será mais rápido”.

O dinheiro recebido com doações cobrirá os custos com materiais e pagará costureiras. “Pensei em juntar pessoas para comprarem os materiais e levar para costureiras em comunidades carentes para que elas façam os sacos em casa”. E acrescentou:

“Lembrei de uma pessoa, que sei que tem um salário miserável, está sendo hiper explorada e quer trabalhar em casa, cuidando das filhas. Então, com o dinheiro que já entrou, a Pati foi hoje no Brás para comprar os materiais e eu vou mandar pra essa costureira fazer os dez primeiros casulos. E, na segunda-feira, acho que podemos mandar fazer mais 20 ou 30. Vamos ver. Estamos bem animadas”.

Quem quiser doar dinheiro pode fazê-lo pelo PIX 55369060/0001-78. E Bibi pede: “Por favor identifique o depósito com seu nome”.

Espalhando os casulos por aí, inclusive no exterior

“Os dez primeiros casulos produzidos com dinheiro de doação estão sendo usados para treinar cotureiras”, diz Bibi. A foto foi feita pela Vagalume no ateliê da estilista

Quem quiser integrar este movimento solidário de outra forma – mas não com doações de dinheiro, nem distribuindo os casulos -, pode multiplicar o projeto em qualquer lugar do mundo. Sim, você pode reproduzir os ‘sacos de dormir’ criados pela Bibi onde estiver. Ela explica:

“Eu passo o projeto para quem quiser! Passo o molde, a fórmula, ensino a pessoa a fazer os sacos, oriento sobre os materiais, onde comprar… Se alguém quiser levá-lo para outra região ou cidade, eu passo tudo! Quero espalhar essa ideia!”, salienta Bibi.

E isso aconteceu já no primeiro dia, olha só: “Logo que entreguei os sacos para Laisa e Jonathan, lembrei de Yvone Furtado, que é uma mulher incrível, que tem projetos maravilhosos! Ela amou o Casulo pra Rua e vai ajudar a multiplica-lo com o projeto Protegendo Vidas SP“.

Trata-se de uma rede que Yvone ajudou a criar em São Paulo, que reúne mais de 40 mulheres, que produzem máscaras e organizam cestas básicas. Agora, elas vão fazer os casulos também!.

Além de aderir ao Casulo pra Rua ajudando a espalhá-lo pela cidade, Yvone também se comprometeu a colaborar com Bibi neste início de jornada. A solidariedade se encontra e se une, sempre.

E quer saber mais? O projeto da Bibi já ultrapassou as fronteiras do país e está sendo replicado em Nova York!!

Quem quiser falar com a estilista – repito as informações aqui, pra facilitar -, pode procura-la pelos perfis do Casulo pra Rua no Instagram ou no Facebook ou, ainda, escrever um e-mail: casuloprarua@gmail.com

Que os ‘casulos da Bibi’ confortem quem tem frio e possam ajudar as pessoas que vivem nas ruas a passar pelo frio, que apenas começou, com menos sofrimento, enquanto a cidade e o país não retomam o rumo perdido e continuam fazendo parte do mapa da fome e da miséria.

Agora, veja, no link do Instagram abaixo, Bibi saindo do Casulo:

Fotos: Bibi Fragelli (moradores de rua) e Vagalume (no ateliê)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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