Casal reaproveita sobras de madeira que iriam para o lixo para fabricar casas de passarinhos lindas e criativas

Casal reaproveita sobras de madeira de podas ou que iriam para o lixo para fabricar casas de passarinhos lindas e criativas

Escrevo este texto da minha mesa de trabalho, que fica atrás de uma janela enorme, com vista para o meu quintal. Nas minhas pausas em busca de palavras ou inspiração, meu olhar sempre foge lá pra fora. Adoro ver o vai e vem dos passarinhos. Por aqui onde moro, há belíssimos, das mais diversas cores: vermelhos, azuis, pretos. Maiores ou menores, eles voam de um lado para o outro, entre os galhos das árvores, mas também, fazem aterrisagens mais próximas de mim. Uns mais destemidos, chegam pertinho da janela, em meio à roseira que plantei. Volte e meia surge um beija-flor, minúsculo, batendo suas asas sem parar.

Assim como eu, milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro são fascinadas por aves. E quem não sonha em ter uma casa de passarinho no quintal de casa ou na varanda do apartamento? Melhor ainda se ela for linda e sustentável, certo? Ah, então aqui começa a história do Francisco Guetti e da Juliana Parra. Durante o pico da pandemia em 2020, quando o confinamento foi imposto na maioria das cidades brasileiras, o casal foi morar num sítio em Caieiras, na região metropolitana de São Paulo.

No meio da natureza, os dois começaram a ter um olhar mais atento para os passarinhos. “Tudo começou quando um bando de tico-ticos, xupins e sabiás passou a visitar o jardim de casa em busca de alimentos. Todas as manhãs, enquanto eu e minha esposa tomávamos nosso café, ficávamos observando pela janela da cozinha as aves em busca de frutas nas árvores. Sem perceber, acabávamos passando quase uma hora contemplando os passarinhos. E quando saíamos da mesa, nos sentíamos renovados, com uma energia incrível!”, conta Francisco.

Foi então que o casal decidiu fabricar casas de passarinhos com madeira reaproveitada. Sobras de obras, podas e de marcenarias que iriam para o lixo ou seriam queimadas. E para compartilhar essa sensação de bem-estar, presentearam um vizinho com uma delas, que sugeriu que eles começassem a vendê-las.

No meio da pandemia, sem emprego, Juliana e o marido criaram então a “Ninho de Pássaros“. Em um ano de projeto, reaproveitaram 4,5 toneladas de madeira e confeccionaram, até hoje, quase 520 casinhas. O trabalho é muito delicado. E extremamente criativo. Todo feito manualmente pelos dois.

“Optamos por fazer as casinhas com sobras de madeira, que, muitas vezes, são descartadas indevidamente na natureza. E o tiro não poderia ter sido mais certeiro, pois a produção utilizando esse material,  além de deixar as casinhas mais rústicas e bonitas, ajuda a diminuir os impactos ambientais“, ressalta Juliana.

Casal reaproveita sobras de madeira de podas ou que iriam para o lixo para fabricar casas de passarinhos lindas e criativas

Francisco e Juliana, com suas casas de passarinho

Graças a algumas parcerias, com uma transportadora de encomendas e uma madeireira que doa restos da produção, por exemplo, a Ninho de Pássaros vai de vento em popa e o negócio se tornou a principal fonte de renda do casal. Os preços dos ninhos artificiais variam conforme o modelo e o tamanho, mas custam entre R$ 280 e R$ 320. Os pedidos podem ser personalizados, atendendo a demandas específicas de cada cliente.

Com entregas disponíveis para todo o Brasil, Juliana e Francisco já receberam pedidos do Ceará até o Rio Grande do Sul.

Casal reaproveita sobras de madeira de podas ou que iriam para o lixo para fabricar casas de passarinhos lindas e criativas

Delicadeza e criatividade: cada casinha é única

Muito mais do que um simples negócio, o casal enxerga na atividade uma maneira de proporcionar a reconexão com a natureza com os futuros proprietários das casas de passarinhos. “A cada entrega que fazemos, fica claro para nós o quanto aquela casinha vai fazer aquela pessoa parar no tempo enquanto estiver colocando frutas para os pássaros, tirando uma fotografia ou filmando uma cena e o quanto ela vai se dedicar àquilo e esquecer de seus problemas por alguns minutos. Foi exatamente isso o que aconteceu conosco”, relembra Francisco.

“As pessoas param uma hora ou mais do seu dia para colocar comida para os pássaros e ficam esperando eles aparecerem para registrar a cena. Elas compram enfeites pra pendurar nas casinhas, como, flores, bebedouro de beija-flor… E também ensinam aos filhos como alimentar os passarinhos. Isso não tem preço”, acredita Juliana.

Abaixo alguns dos outros modelos já feitos pela Ninho dos Pássaros:

Casal reaproveita sobras de madeira de podas ou que iriam para o lixo para fabricar casas de passarinhos lindas e criativas

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Fotos: divulgação Ninho de Pássaros/Fábio Rizzato

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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