Caranguejos, lagostas e polvos são reconhecidos como seres sencientes pelo governo britânico e não devem ser cozidos ou desmembrados vivos, alertam cientistas

Caranguejos, lagostas e polvos são reconhecidos como seres sencientes pelo governo britânico e não devem ser cozidos ou desmembrados vivos, alertam cientistas

Senciência é a capacidade de se ter sentimentos, como dor, prazer, fome, sede, calor, alegria, conforto e emoção. Com esse conceito em mente, um grupo de pesquisadores da London School of Economics and Political Science (LSE) fez uma análise, a pedido do governo do Reino Unido, sobre a senciência de algumas espécies marinhas. Depois de estudar mais de 300 pesquisas e artigos científicos, eles chegaram à conclusão de que cefalópodes, como os polvos, e decápodes, como caranguejos, lagostas e lagostins, possuem sentimentos.

Com o reconhecimento da senciência dessas espécies, elas devem ser incluídas no projeto de lei sobre o de Bem-Estar Animal, que foi apresentado pelo governo em maio, mas que ainda será votado no Parlamento (leia mais aqui). O texto já mencionava a capacidade de animais vertebrados sentirem dor, sofrimento ou felicidade, mas agora também incluirá invertebrados (animais sem espinha dorsal) como crustáceos e cefalópodes decápodes, que os cientistas provaram ter sistemas nervosos centrais complexos, uma das principais características da senciência.

“O projeto de lei assegura que o bem-estar animal seja corretamente considerado ao desenvolver novas leis. A ciência agora tem certeza de que decápodes e cefalópodes podem sentir dor e, portanto, é justo que eles sejam abrangidos por esta peça vital de legislação”, diz Zach Goldsmith, ministro do Bem-Estar Animal.

Diversos estudos internacionais já relatavam como os polvos são seres extraordinários. Uma pesquisa realizada por cientistas brasileiros, por exemplo, comprovou que eles apresentam duas fases de sono, de maneira muito similar aos seres humanos. E o mais intrigante é que em uma delas, esses animais mudam de cor.

Outro estudo conduzido por um neurobiólogo da San Francisco State University, nos Estados Unidos, tinha revelado que os polvos sentem dor não apenas física, mas “comportamentos cognitivos e espontâneos indicativos de experiência de dor afetiva (saiba mais neste outro texto).

O governo britânico ressaltou que o reconhecimento da senciência de polvos, caranguejos e lagostas não afetará a atual legislação ou as práticas da indústria, como a da pesca ou dos restaurantes. Todavia, a descoberta será levada em conta em futuras tomadas de decisão.

Entretanto, no relatório “Review of the Evidence of Sentience in Cephalopod Molluscs and Decapod Crustaceans”, elaborado pela London School of Economics and Political Sciences, os cientistas já recomendam que os seguintes métodos de abate sejam proibidos: fervura ou qualquer forma de desmembramento com o animal ainda vivo e também, imersão em água doce (choque osmótico).

Já em 2018, a Suíça proibiu o cozimento de lagostas vivas. Naquele ano, o governo determinou que elas deveriam ser mortas, de maneira rápida, antes de serem colocadas na água fervente. Decisão fez parte de uma mudança na legislação sobre a proteção animal para evitar o sofrimento e a crueldade.

Caranguejos, lagostas e polvos são reconhecidos como seres sencientes pelo governo britânico e não devem ser cozidos ou desmembrados vivos, alertam cientistas

Sim, eles têm sentimentos como os seres humanos, afirmam cientistas britânicos

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Fotos: Pasha gulian on unsplash (abertura) e David Todd McCarty on unsplash (lagosta)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

37 comentários em “Caranguejos, lagostas e polvos são reconhecidos como seres sencientes pelo governo britânico e não devem ser cozidos ou desmembrados vivos, alertam cientistas

  • 24 de novembro de 2021 em 7:20 AM
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    Na dor, todos somos iguais. Já que continuará o consumo de carne, que o abate seja o lais rápido e indolor possível.

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  • 24 de novembro de 2021 em 7:21 AM
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    Creio que basta o conceito de dor para que não seja permitido a nenhum ser vivo esse sofrimento.

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  • 24 de novembro de 2021 em 8:29 AM
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    “Não devem ser cozidos vivos nem mortos porque não precisamos de animais esquartejados no cardápio. Nenhuma forma de exterminio é humanitária, para animais de qualquer espécie. Eles têm sentimentos, nós não.

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  • 24 de novembro de 2021 em 9:38 AM
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    Enfim, algum sinal de evolução no ser humano.

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  • 24 de novembro de 2021 em 1:41 PM
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    Nenhum animal deve ser submetido à qualquer tipo de sofrimento!
    O abate de porcos, transporte e abate de aves, já é uma coisa terrível! Imagine um ser, como o polvo, que tem até mais capacidade do que os seres “humanos”, como já foi estudado, ainda serem submetidos à sofrimento desnecessário !!!
    APOIO TOTALMENTE

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    • 28 de novembro de 2021 em 5:11 PM
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      Eu tbm acho que nenhum animal e insensível a dor.
      Acho que não deverá ser mortos principalmente pra alimentação ,acho isso um crime..qdo Deus criou os animais Ele disse tome conta deles domine os tdás as criaturas vivente na a terra:.
      ,mais não mata los.
      Isso é uma crueldades contra a natureza.

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      • 29 de novembro de 2021 em 5:30 PM
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        Vera, Deus também mandou matar cabras, vacas, e aves em sacrifício e dar aos levitas o de comer também… passe de Gênesis para êxodo, e verá…

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      • 1 de dezembro de 2021 em 8:43 AM
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        Quando foi que Deus disse isso? Falou só pra você?Ele colocou o animal pra servir de alimento também. Olha como é a vida dos animais, são predadores naturais, vivem sempre pegando os mais fracos.

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  • 25 de novembro de 2021 em 7:51 AM
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    Ponto por ponto a respiração se harmoniza, e novos pensamentos criam novas possibilidades!!!!!

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  • 25 de novembro de 2021 em 12:03 PM
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    Ate que em fim alguem acredita nisso, Pois jamais tirei da mente que esses seres tem sentimento, Pensam como qualquer ser vivo.

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  • 25 de novembro de 2021 em 12:17 PM
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    Polvos são animais formidáveis, inteligentes! Se tivessem uma vida mais longa, e formassem grupos, certamente nos espantariam!!

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    • 25 de novembro de 2021 em 12:31 PM
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      O documentário PROFESSOR POLVO ganhou o Oscar!! Sobre a amizade de um mergulhador com uma “polva”!
      Uma fêmea vive só até ter os filhotes, q pena q a evolução ainda não deu mais tempo a eles!!

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      • 1 de dezembro de 2021 em 4:12 AM
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        Vi esse documentário e é maravilhoso mesmo. Quem dera todos pudéssemos falar línguas compreensíveis. Seríamos mais “humanos”

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    • 28 de novembro de 2021 em 8:10 PM
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      vou continuar comendo, mas sou contra o abate com crueldade

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  • 25 de novembro de 2021 em 12:20 PM
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    Meu Deus, que maldade com os bixinhos!

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  • 25 de novembro de 2021 em 12:22 PM
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    Tomara que acabe essa maldade com os pobres animais! :/

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  • 25 de novembro de 2021 em 1:53 PM
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    Não deveriam comer nenhum ser vivo, todos merecem viver.

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    • 28 de novembro de 2021 em 6:04 PM
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      Mas o mundo ia ficar cheio ao extremo de animais e onde ia por esses animais ? … O que já vem desde o início é o que é e já era ! É uma cadeia alimentar … Fala isso pros peixes do mar não comer os polvos kkkkk

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      • 30 de novembro de 2021 em 2:07 PM
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        Isso é o “controle populacional”. Nós não comemos outro homo sapiens, mas matamos e enterramos ou cremamos.
        Se não houver a criação de animais e deixar livres a evolução voltará a fazer a seleção dos “melhores”.

        Eita que utopia. Nem vão deixar de ter ações cruéis e nem vamos conviver com animais livres.

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  • 25 de novembro de 2021 em 5:11 PM
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    A humanidade caminha a passos curtos para um futuro justo entre todas as espécies, ainda há esperança!

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  • 25 de novembro de 2021 em 5:22 PM
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    Suzana Camargo é uma grande jornalista , é ligada a causas ecológicas e tem meu respeito , leio suas postagens e matérias .

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    • 27 de novembro de 2021 em 10:40 PM
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      Que mensagem bacana, José!
      Muitíssimo obrigada pelo carinho. É recebendo apoios como o teu que ganho forças de seguir adiante.
      Grande abraço,
      Suzana

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      • 29 de novembro de 2021 em 9:33 AM
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        Suzana! Parabéns pela coragem por lutar com trabalho e resistência nessa seara tão difícil. As pessoas são ignorantes, resistentes a mudanças, tem hábitos culturais arraigados, e não conseguem enxergar a vida e suas complexidades. Não há sensibilidade, muitas vezes, nem com o próximo, com alguém da própria família, que dirá com um ser vivo para eles inferior e colocado no mundo “por Deus” para servir de alimento para o homem, considerado o dono do planeta… Uma tarefa de gigante convencer essas cabeças duras, uns por causa da fome outros pelo prazer que sentem em “degustar” nossos irmãos inferiores! Conte conosco para ajudar nesta campanha. Muitos rirao, mas os tolos e os cruéis sempre agem assim…

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        • 29 de novembro de 2021 em 12:36 PM
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          Obrigada, Alberto!
          Quem sabe aos poucos conseguimos conscientizar as pessoas ;-)
          Abraço,
          Suzana

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    • 28 de novembro de 2021 em 1:09 AM
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      O ser humano come tudo que tem vida.
      Somente a fome justificaria esta carnificina.

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  • 25 de novembro de 2021 em 9:34 PM
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    Super apóio e não podemos deixar que animais marinhos entrem em extinção

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    • 28 de novembro de 2021 em 12:58 PM
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      Os animais não tem sentimentos. Eles são apenas um grupo de peças que reagem, assim como um automóvel, mas essas peças são células. De acordo com os estímulos os animais reagem, assim como um sensor de temperatura de um ar condicionado que reage de acordo com a temperatura. Os animais devem ser bem tratados, mas a sua razão de ser é servir o ser humano. O homem ao desprezar seu criador e o seu semelhante tende a desviar o olhar para outras coisas como os animais, por exemplo. A ciência afirma que o marcapasso do coração recebe estímulos da região magnética do planeta regulando o funcionamento do corpo, ou seja, o ciclo circadiano. E o ser humano não é de natureza herbívora, ele é onívoro. Não tem como mudar a natureza, o que resta é preservar e respeitar. Se um grupo de leões devora de maneira cruel algum animal, não é nada, agora se um ser humano o fizer para não morrer de fome, é muito grave. Se um tubarão comer várias lagostas, peixes… não é nada. Aí do ser humano se comer metade do que comeu o tubarão. Segundo a “lógica” aí , os tubarões e leões são mais vilões que os humanos. “Pouca ciência afasta de Deus, muita ciência aproxima”. ( Louis Pasteur)

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      • 29 de novembro de 2021 em 10:21 AM
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        👏👏👏👏👏👏👏

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  • 26 de novembro de 2021 em 8:20 AM
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    Resta saber qual animal não tem a capacidade de ter sentimentos, como dor, prazer, fome, sede, calor, alegria, conforto e algum tipo de emoção.

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  • 26 de novembro de 2021 em 6:40 PM
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    Ótima matéria! Parabéns!

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  • 27 de novembro de 2021 em 1:53 PM
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    Vegetarianismo pra uma nova era, este é o Nosso caminho… Somos UM

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  • 27 de novembro de 2021 em 10:26 PM
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    Na minha opinião todos os animais têm sentimentos e deveriam ser protegidos

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  • 29 de novembro de 2021 em 6:34 PM
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    No mundo animal eles não são comidos vivos?
    Porque seria diferente na cozinha?

    É uma frescura sem fim

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    • 1 de dezembro de 2021 em 6:07 AM
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      Predadores rasgam suas presas vivas e até comem seus órgãos com o coração da presa ainda pulsando. Se um humano fizer o mesmo é assassinato com requinte de crueldade. Somos o topo da cadeia alimentar, graças a inteligência e tecnologia podemos dominar toda e qualquer criatura e decidir quais animais vivem ou morrem, quais são de companhia (animais domésticos) e quais são para abate (em escala industrial). Animais são seres belos e têm de ser preservados para a preservação da nossa própria espécie, mas isso de como devem ser abatidos já é mesmo frescura.

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  • 30 de novembro de 2021 em 8:15 PM
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    Eu acho um pouco bizarra a ideia de cozinhar animais vivos, é um sadismo irracional. Mas posso falar a verdade? Cresce os direitos dos animais, mas diminuem o dos homens. E a criança no ventre da mãe? Cada vez tem menos direitos. E os velhinhos próximos da morte? Cada vez menos direitos.

    Devemos nos servir dos animais sem exagero, mas mais grave que maltratar um animal, é a negligência (para não dizer coisa pior) com o homem.

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