Campanha internacional pede fim do comércio de peles de animais e alerta sobre risco de nova pandemia

Campanha internacional pede fim do comércio de peles de animais e alerta sobre risco de uma nova pandemia

Todos os anos, cerca de 100 milhões de animais são criados e mortos para atender a demanda do mercado da moda. Sim! 100 milhões de animais são mortos cruelmente para que sua pele possa ser usada na confecção de roupas e acessórios. São visons, raposas, cachorros-guaxinim, coelhos e chinchilas, que passam toda a vida em gaiolas apertadas, privados de qualquer conexão com o mundo natural.

E agora, em plena pandemia da COVID-19, quando mais de 2 milhões de pessoas já morreram e quase 100 milhões foram infectadas por esse vírus letal e extremamente contagioso, surtos do SARS-CoV-2 também têm sido registrados entre esses animais de criação.

A presença do novo coronavírus já foi observada em fazendas nos Estados Unidos, Holanda, Espanha, Grécia, Suécia, Itália e Dinamarca. Só neste último, mais de 15 milhões de visons foram sacrificados.

Para pressionar governos e os integrantes do G20 a dar um basta neste comércio cruel, antes que uma nova pandemia atinja a humanidade, a organização internacional Free Fur Alliance lançou uma petição online conclamando a proibição global da criação de animais para a venda de peles.

“Governos não podem responder a esta crise simplesmente abatendo milhões de animais e, em seguida, permitindo que os fazendeiros voltem a a seus negócios normalmente. As péssimas condições das fazendas de peles as tornam uma bomba-relógio contra o risco de pandemia. Especialistas em transmissão de doenças alertam que é uma questão de quando, e não se, outro vírus mortal chegará se continuarmos a manter os animais em condições que os empurrem além dos limites de sua resistência física e psicológica”, diz o texto da petição.

Vários países já proibiram a produção e a importação de peles (veja quais nesse texto, em inglês). Todavia, o Brasil é um dos maiores produtores e o segundo maior exportador global de peles de chinchila, atrás apenas da Argentina. E o estado do Rio Grande do Sul concentra 70% desse mercado em nosso país.

Em 2009, o deputado e ambientalista Ricardo Tripoli apresentou um projeto de lei (PL) pela proibição do abate da chinchila em todo território nacional. Apesar de ter sido aprovado por unanimidade pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o texto acabou sendo arquivado em 2019.

“A criação de animais para a retirada de sua pele é cruel e desnecessária. À luz das novas evidências de que as fazendas de peles também podem atuar como reservatórios de vírus mortais, bem como criar novos vírus, conclamamos todos os países a proibir as fazendas de peles e pedimos aos líderes do G20 que reconheçam publicamente que a produção de peles deve acabar”, apela a Free Fur Alliance.

Junte-se também nessa luta! Assine já a petição, aqui, e diga não a qualquer produto feito com pele de animais! Não permita mais sofrimento e a chegada de uma nova pandemia.

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Em geral, são necessários 50 chinchilas (mortas!) para se fazer um casaco

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Foto: reprodução Facebook Fur Free Alliance (abertura) e pixabay/domínio público (chincila)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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